Há quem diga que a estapafúrdia ordem de Trump para desbloquear o Estreito de Ormuz, bloqueando-o, pode conduzir a um conflito directo com a China, mas já temos sinais de que o mais provável é que a marinha norte-americana irá desobedecer pontual e estrategicamente ao mandato tresloucado do seu comandante em chefe, ou seja: vai deixar passar os navios chineses (como os russos, os indianos e os paquistaneses também), porque não há almirante do Pentágono com coragem para arranjar agora grandes e acrescidas confusões no Golfo Pérsico e no Mar Arábico e assumir a responsabilidade por escaramuças ou combates sérios com a frota de uma potência militar como a de Beijing.

 

 

Tanto mais que o regime chinês já advertiu Washington que não vai aceitar qualquer restrição ao trânsito dos seus petroleiros.

 

 

E é como diz Scott Ritter: se os jurássicos navios americanos nem conseguem combater com efectividade a frota de lanchas rápidas iranianas, como é que vão fazer frente àquela que é, em número de embarcações, a maior marinha de guerra do mundo?

 

 

Entre 11 e 12 de Abril, 15 a 20 navios atravessaram o estreito de Ormuz. Como era expectável, Os navios em causa são chineses, russos, paquistaneses e até, espanto dos espantos, iranianos.

 

 

Nas últimas horas surgiram notícias de que vários navios passaram pela marinha americana sem serem impedidos.

 

 

Malcolm Nance, um ex-oficial dos serviços de informação da Marinha dos EUA afirmou a este propósito:

“Vamos afundar navios mercantes chineses, indianos e paquistaneses que desafiam o bloqueio? Ou vamos simplesmente anotar os seus nomes e chorar? (…) É a loucura mascarada de política.”

 

 

A decisão do presidente americano vai acabar por ter o mesmo resultado que todas as suas outras decisões relativas à guerra com o Irão: a total humilhação das forças militares americanas no teatro das operações e o vexame circense da Casa Branca perante a plateia global.

Mas Don Tzu sai sempre vencedor, seja qual for o desastre em que se enfiar. Seja qual for o plano que tenha. Ou não tenha.