Logo após a vitória eleitoral de Péter Magyar na Hungria, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia precisa de trabalhar para eliminar o poder de veto dos Estados-membros. Para muitos dos que apoiaram Viktor Orbán, um dos maiores receios era exactamente o que von der Leyen defende agora: uma UE sem restrições, capaz de tomar medidas em matéria de política externa, saúde e migração sem a ameaça do veto de um ou outro país que seja politicamente dirigido por alguém que tenha a ousadia da dissidência.

É amplamente aceite que o futuro primeiro-ministro da Hungria procurará uma resolução rápida das principais questões que incomodavam a nomenclatura de Bruxelas, a fim de desbloquear cerca de 35 mil milhões de euros de financiamento, que estavam retidos como instrumento de pressão totalitária sobre o anterior governo. Embora Magyar ainda seja visto como de centro-direita e já tenha insistido que a protecção das fronteiras continuará a ser uma prioridade máxima, e que a relação com a Rússia não será completamente destruída, também deixou claro que irá trabalhar para construir “uma relação mais construtiva” com Bruxelas e integrar a Hungria na agenda distópica da União.

Uma das formas pelas quais Viktor Orbán representou um obstáculo constante para outros Estados-membros foi através do uso do poder de veto, principalmente para bloquear a ajuda à Ucrânia e as sanções contra a Rússia. Nos últimos quatro anos, o constante bloqueio da Hungria às medidas da UE levou muitos a sugerir a adopção do voto por maioria qualificada. Agora, com a vitória de Magyar e a saída de Orbán, von der Leyen está convicta de que o momento é propício a esta alteração procedimentar que garantia alguma margem de manobra e livre arbítrio aos estados-membros.

Deixando claro que “a Hungria está a voltar ao caminho europeu” e instando os governos nacionais, que teriam de concordar com qualquer mudança, a “aproveitarem o momento”, a comissária disse ontem à imprensa:

“A adopção do voto por maioria qualificada na política externa é uma forma importante de evitar bloqueios sistémicos, como já vimos no passado.”

A intenção de von der Leyen é clara: desbloquear quaisquer obstáculos ao poder despótico de Bruxelas.

 

 

Há que considerar que estas afirmações podem funcionar como forma de pressão sobre o próprio Péter Magyar, que, por princípio, até é capaz de não concordar com esta medida de perfil totalitário, mas que pretende também agradar a Bruxelas para receber os dinheiros que foram entretanto congelados pela Comissão Europeia.

Uma eurodeputada polaca conservadora do partido Nova Esperança criticou a Presidente da Comissão por não estar a perder tempo em enterrar o direito dos Estados-membros de se oporem às iniciativas da UE:

“Para as pseudoelites da UE, é secundário se o novo Governo húngaro comprará menos matérias-primas à Rússia ou aprovará rapidamente as próximas sanções. Os principais objectivos dos eurocratas são outros — mal as eleições terminaram e a presidente da Comissão Europeia já está ansiosa por pressionar pela abolição do direito de veto da Polónia em questões de política externa. Subjugar tudo e todos, criar mecanismos que transformem países como a Polónia em apenas mais uma província insignificante. Tudo isto envolto na doce embalagem de slogans encantadores sobre a unidade europeia”.

Espera-se que países como a Itália, a Holanda, a Aústria, a Polónia e a Eslováquia poderão, talvez, levantar objecções à ambição de von der Leyen. Portugal vai obedecer de certeza absoluta: mesmo que Montenegro tivesse que lamber as solas vermelhas dos Louboutin de Ursula uma vez por mês, para parecer um leninista-globalista bem treinado, com certeza que as lamberia.