O cessar-fogo de duas semanas e a correspondente e falhada ronda de negociações em Islamabad podem ter sido uma manobra norte-americana que teve como objectivo ganhar o tempo necessário para colocar uma força massiva no Golfo Pérsico, capaz de uma invasão terrestre do Irão.
Enquanto o Pentágono continua a transportar tropas e equipamento para o Médio Oriente, o Presidente norte-americano Donald Trump deixou claro que as forças norte-americanas continuarão a “rondar” a região do Golfo Pérsico, de olhos postos no Irão, ao mesmo tempo que exigia que o Estreito de Ormuz seja reaberto ao trânsito global de energia. Quando a ronda de negociações no Paquistão falhou, Trump decretou um bloqueio naval ao Estreito.
President Trump has now completely taken over the Strait of Hormuz by implementing a naval blockade and expanding the war against Iran.
The U.S. Navy will begin the process of blockading “any and all ships” attempting to enter or leave the Strait of Hormuz. pic.twitter.com/8VaRrNFsOo
— Shadow of Ezra (@ShadowofEzra) April 12, 2026
Trump prometeu manter as tropas posicionadas para um combate “até que o ACORDO REAL alcançado seja totalmente cumprido”. Com as negociações directas entre os EUA e o Irão agendadas para Islamabad no sábado passado, houve uma avalanche de especulações de que o cessar-fogo poderia ser uma “cobertura” para um maior reforço das forças do Pentágono e uma operação iminente de maior dimensão.
Alguns analistas dizem que Washington precisava de mais tempo para posicionar grandes contingentes de fuzileiros e unidades aerotransportadas, possivelmente para algum tipo de arriscada campanha militar que visa a reabertura do estreito.
Washington needed more time to get large contingencies of Marines and Airborne units in place, for some kind of risky island campaign towards reopening the strait. Never negotiate with the USA.
https://t.co/COuhf21OVB— Mats Nilsson (@mazzenilsson) April 10, 2026
Isto pode ser verdade, uma vez que também é evidente que as exigências de cada lado permaneceram muito divergentes, o que significa que as hipóteses de um acordo decisivo que pusesse fim à guerra sempre foram remotas, tanto mais que, para além de Vance, os emissários do Regime Epstein eram Jared Kurshner e Steve Witkoff, que Teerão vê, legitimamente, como representantes de Telavive, tão interessados na paz como as raposas vivem preocupadas com a longevidade das galinhas.
Com um prazo de duas semanas para se chegar a um acordo, esse período intermédio é muito capaz de ter servido apenas para rearmar e reagrupar as forças norte-americanas.
Considerando que ética diplomática da Casa Branca, que já usou conversações de paz como instrumento de guerra, tem um índice abaixo do zero, e que o regime Netanyahu tem o hobby de assassinar diplomatas de países que ingenuamente se sentam à mesa das negociações com os americanos, a hipótese não é destituída de todo.
Claramente, os EUA não estavam preparados para o feroz e contínuo contra-ataque iraniano às bases americanas na região e aos aliados do Golfo. Seria necessária assim uma nova mobilização das forças americanas em presença no teatro das operações.
Dados de código aberto sobre voos logísticos militares entre os EUA, a Europa e a região do Médio Oriente sugerem que houve de facto uma acumulação e um reposicionamento dessas forças nos últimos dias.
Case in point: More than 70 transport planes landed in the Middle East within 24 hours of the ceasefire taking effect. That scale suggests possible preparation for a ground offensive, solidifying suspicion that Trump is using the truce to regroup: https://t.co/MHlFQjz1Tk pic.twitter.com/S3DzRMgOo2
— Bashkarma🇺🇸🌏🇷🇺 (@Karmabash) April 9, 2026
Ainda assim, é evidente que Trump precisa de um rumo de saída, ou então enfrentará o tipo de atoleiro militar interminável que provavelmente levaria inevitavelmente à dizimação do Partido Republicano nas eleições legislativas intercalares do próximo outono. E o bloqueio naval não parece ser uma solução rápida para o imbróglio, e muito menos um caminho para reduzir a intensidade do conflito.
Uma guerra de maior escala ainda, e mais longa, ou um conflito terrestre, também prejudicam as hipóteses de uma futura presidência de Vance, que foi ao Paquistão com a ideia, meio desesperada, de tentar salvar o seu futuro político. A este propósito, a Associated Press escreveu:
“A chegada de Vance para as negociações marca um raro momento de envolvimento de alto nível do governo dos EUA com o governo iraniano. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o contacto mais directo tinha ocorrido quando o presidente Barack Obama telefonou ao recém-eleito presidente iraniano Hassan Rouhani em Setembro de 2013 para discutir o programa nuclear do Irão.”
Acontece, porém, que o vice-presidente foi apenasmente colocado na posição de ‘idiota útil’ pelo Regime Epstein.
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