Na quinta-feira passada, 9 de Abril, a primeira-dama norte-americana Melania Trump fez algo completamente surpreendente e, ao que se sabe, à revelia e com o desconhecimento do seu marido: deu uma conferência de imprensa dedicada ao assunto Epstein.

Considerando que Donald Trump já raptou um chefe de Estado, iniciou uma Guerra no Golfo Pérsico e prometeu a divulgação de ficheiros relacionados com o fenómeno OVNI só para desviar a atenção das massas relativamente ao maior escândalo sobre as elites Ocidentais desde que Suetónio sugeriu que Calígula mantinha relações sexuais com as suas irmãs, esta iniciativa de Melania é francamente hostil à agenda da Sala Oval e liberta justas especulações sobre a qualidade e estabilidade do seu matrimónio.

Mais a mais, a primeira-dama, para além de negar veementemente qualquer ligação a Jeffrey Epstein, apelou ao Congresso para realizar uma audição às vítimas dos seus crimes (!), afirmando:

“Nunca tive conhecimento de qualquer abuso de Epstein contra as suas vítimas. Nunca estive envolvida de forma alguma. Nunca fui amiga de Epstein. O Donald e eu éramos convidados para as mesmas festas que o Epstein de vez em quando. Epstein não me apresentou Donald Trump. Conheci o meu marido por acaso. Agora é a altura de o Congresso agir. Epstein não estava sozinho. Vários executivos proeminentes renunciaram aos seus cargos de poder depois de este assunto se ter tornado amplamente politizado. É claro que isto não significa culpa, mas ainda assim devemos trabalhar de forma aberta e transparente para descobrir a verdade e dar às vítimas a oportunidade de depor perante o Congresso, com o poder do testemunho sob juramento”.

 

 

Estas declarações têm camadas e mais camadas de substância.

Primeiro: Melania mente, descaradamente. Nos ficheiros Epstein que caíram no domínio público, há abundante matéria documental que suporta a tese de que a primeira-dama era amiga de Jeffrey Epstein e de Ghislaine Maxwell.

 

 

Depois, como já foi referido, Melania está aqui em total rebelião doméstica, porque a última coisa que o marido deseja é que o assunto Epstein volte ao Congresso. Ou que seja falado, de todo e até pelo José da Escada:

 

 

Acresce que o momento escolhido para esta conferência de imprensa é deveras intrigante. Quando todas as atenções estavam viradas para o cessar-fogo na guerra contra o Irão que o marido tinha anunciado e para a ronda de negociações em Islamabad, Melania decide pegar numa pedra enorme e atirá-la para o charco mais fedorento da história universal da infâmia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo e é claro que a Internet pegou fogo a propósito da iniciativa da primeira-dama. Há muitas teorias sobre as razões que a motivaram a fazer as declarações que fez e não é de todo destituído pensar que a intenção de Melania seja a de se antecipar ao impacto devastador de mais uma bomba Epstein que esteja prestes a rebentar e que se relacione directamente com ela.

A hipótese anunciada em baixo parece razoavelmente assertiva, mesmo vindo de uma conta com bandeirinha ucraniana, o que é sempre um mau sinal, porque Amanda Ungaro dá a ideia de estar muito perto de activar uma quantidade maluca de explosivos.

 

 

Melania Trump trabalhava como modelo para Paolo Zampolli, amigo de Donald Trump e, aparentemente, foi por essa ligação que a primeira-dama conheceu o marido. Um divórcio litigioso levou Zampolli a pedir a Trump que usasse o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) para deportar a sua ex-mulher, Amanda Ungaro.

Amanda, que tem neste contexto contas a ajustar com Zampoli e Trump, deu uma entrevista ao El Pais no sábado mas parece que o jornal, corporativo até à sua última página, ocultou todo o conteúdo relacionado com Melania.

 

 

O ContraCultura propõe porém outra hipótese: como aconteceu com Melinda Gates quando finalmente percebeu que o marido era um pedófilo do pior, Melania Trump pode muito bem ter chegado, definitivamente, à mesma conclusão sobre o marido. E quer distanciar-se do esgoto.

Será, para ela, porém, tarde demais.

Candace Owens disse, num podcast em que reagia contra um iníquo post que sobre ela e outros dissidentes conservadores de alto perfil Trump publicou recentemente no Truth Social, que o actual presidente dos EUA ficará para a história no mesmo patamar infame que Hillary Clinton: como um guardião do Estado profundo e de toda a luciferina corrupção do pântano de Washington. O seu legado será inevitavelmente o de um testa de ferro da classe Epstein.

Faça o que fizer agora, divórcio inclusive, dificilmente poderá Melania desligar-se desse infame registo.

Seja como for, mesmo depois de morto (se morto foi), Jeffrey Epstein ainda mantém a sua actividade de cinzas e está a contribuir activamente para a destruição de um casamento que tem importante dimensão institucional e que, até aqui, parecia relativamente sólido.