O Marechal da Força Aérea e chefe do Estado Maior das Forças Armadas britânicas, Sir Richard Knighton, afirmou na sexta-feira passada:

“Penso que a transição para a guerra tem uma componente militar, mas também uma componente civil. (…) Falei antes do Natal sobre a necessidade de, ao pensarmos em renovar a nossa infra-estrutura de água, electricidade ou transportes, considerarmos a ameaça de uma acção de um adversário que esteja acima do limiar da guerra, e não apenas uma ameaça híbrida. E pensar em como construir essa resiliência à medida que a renovamos, o que exige escolhas e prioridades diferentes, e este trabalho que o Governo está a realizar é algo que realmente apoio. Isto exige que nos eduquemos e ajudemos a população a compreender algumas destas ameaças, bem como o que podem fazer para apoiar a nação e, potencialmente, as Forças Armadas”. 

Este registo não é novidade. O retardado que chefia as forças armadas da Grã-Bretanha está em modo delirante pelo menos desde que, em Dezembro último, afirmou que os ingleses têm que estar prontos para se sacrificar – e sacrificar as suas famílias – numa incontornável guerra com a Rússia.

 

 

Mas, se calhar, não é na Rússia que Knighton está a pensar verdadeiramente, quando pensa no inimigo, considerando que o sistema original do manual de guerra britânico remonta à I Guerra Mundial, com as últimas actualizações feitas durante a Guerra Fria; considerando que desde os anos 90 os sucessivos governos do arco do regime (unipartido trabalhista/tory) foram reduzindo o financiamento das forças armadas, e considerando que os orçamentos de defesa, sendo insuficientes, são ainda por cima artificialmente inflaccionados.

De facto não deve ser a segunda potência militar no mundo que o Marechal tem em vista, sempre que pensa na sua guerra de estimação, considerando que o próprio almirantado britânico admite que a Marinha Real não está preparada para a guerra; considerando que neste momento esta mesma marinha tem apenas um, 1, porta-aviões e um, 1, submarino operacional; considerando que a frota de guerra britânica tem um problema de escassez de efectivos de tal forma grave que na verdade não consegue mobilizar os poucos navios que estão operacionais para missões importantes de defesa dos interesses do Reino Unido, por falta de marinheiros, mas que ainda assim desvia oficiais em “funções-chave” para tarefas de “diversidade e inclusão” e “treino climático compulsivo”.

 

 

Por muito doente do cérebro que seja, Knighton não pode acreditar que as forças militares do Reino Unido façam frente à máquina de guerra russa, considerando que o seu Exército se entretém com inquéritos sobre se os soldados homens podem usar maquilhagem; considerando que, de acordo com um relatório da comissão de defesa da Câmara dos Comuns, as forças armadas britânicas esgotariam as suas munições e capacidades de combate ao fim de apenas dois meses de guerra; considerando que, para tentar resolver a crise de recrutamento, e um exército que não era assim tão diminuto em efectivos desde o fim das guerras napoleónicas, o governo de Keir Starmer decidiu alargar a mobilização de veteranos até aos 65 anos de idade.

 

 

Knighton não sonhará em desafiar o poder militar do Kremlin, certamente, considerando que a sua força aérea precisa de contratar Instrutores indianos para ensinarem cadetes britânicos a voarem os jactos Hawk T2, de fabrico inglês; considerando que o célebre Esquadrão 14 da Royal Air Force abandonou o histórico cognome de “Cruzados”, na sequência de uma queixa de que o termo seria ofensivo para os muçulmanos; e considerando que a RAF discrimina activamente os efectivos brancos, chegando mesmo a apelidá-los de “homens brancos inúteis”.

É impensável que o Reino Unido transite a curto ou médio prazo para a guerra contra a Rússia, considerando ainda que os sucessivos governos globalistas fizeram questão de hostilizar, humilhar, empobrecer, fascizar, substituir e perseguir os povos nativos, que não estarão agora, certamente, dispostos a morrer em nome dos valores anti-civilizacionais e anti-patrióticos das suas elites; e considerando que as populações alienígenas que importaram em grande escala terão o amor à nação britânica de um Sadiq Khan ou de um Humza Yousaf,

O chefe do Estado Maior não pode ser assim tão estúpido que pense possível fazer frente a Moscovo, considerando que foi apenas capaz de colocar um soldado, 1, na Gronelândia, quando um velho aliado – a Dinamarca – encarecidamente precisava de uma resposta firme, mesmo que simbólica, à avidez de Donald Trump; e considerando que correu e está a correr o risco de perder o único sistema de defesa militar minimamente efectivo de que dispõe – a NATO enquanto força motorizada pelo Pentágono – ao recusar apoiar o esforço de guerra do Eixo Epstein no Golfo Pérsico.

Não. O inimigo que esta raposa tem em mente não é a Rússia.

É o povo britânico.

E à céptica leitora que avalia como exagerada esta premissa, como ao pragmático leitor que arruma esta hipótese como mais uma teoria da conspiração, o Contra recomenda uma visita à Irlanda destes dias.