O chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Eyal Zamir, alertou a 25 de Março que as Forças Armadas “vão entrar em colapso” após a tentativa falhada de aprovar uma lei para recrutar soldados entre os ultra-ortodoxos (Haredim) e alargar o serviço militar obrigatório para 36 meses.
Em entrevista ao Canal 13 Zamir declarou:
“As reservas não vão durar, estou a levantar dez bandeiras vermelhas.”
O alerta surge numa altura em que o Exército israelita trava guerras contra Gaza, o Irão e o Líbano – onde as tropas israelitas estão empenhadas numa campanha terrestre para conquistar e anexar o sul do país.
A menos que a lei em vigor seja alterada, a duração do serviço militar obrigatório deverá diminuir para 30 meses em Janeiro de 2027, apesar da escassez de soldados.
O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem enfrentado dificuldades políticas para continuar a prolongar o serviço militar obrigatório e, ao mesmo tempo, isentar dezenas de milhares de homens ultra-ortodoxos do alistamento no Exército.
Os israelitas de esquerda e seculares estão indignados com o facto de os Haredim não serem obrigados a partilhar o fardo de participar no genocídio de palestinianos em Gaza e na expansão das fronteiras do “Grande Israel” no Líbano.
Zamir fez os comentários durante uma reunião de gabinete com a presença do primeiro-ministro, dos chefes do Ministério da Defesa e dos ministros, afirmando ainda:
“Em pouco tempo, as Forças de Defesa de Israel não estarão preparadas para as suas missões de rotina. Os reservistas não vão aguentar.”
A esta advertência, uma fonte do exército acrescentou:
“As reservas estão a ser dizimadas. A lei precisa de ser regulamentada, são necessários mais reservistas e as tarefas só aumentam. A manutenção destas áreas exige reservistas, e há muito que existem lacunas.”
Zamir fez um alerta semelhante em Junho passado, durante uma visita a Gaza, afirmando na altura:
“O Estado de Israel não pode existir com base numa força militar mínima, mas precisa de amplas margens de segurança. Mais forças regulares e de reserva aliviarão a carga sobre os reservistas.”
Na quarta-feira, o gabinete israelita aprovou a convocação de até 400 mil reservistas para fazer face às necessidades de efectivos do exército no meio das guerras que provocou.
Os militares afirmam que este número não reflecte a quantidade real de reservistas que serão convocados, mas sim
“um tecto que permite flexibilidade… de acordo com as necessidades operacionais”.
Na quinta-feira, um soldado israelita foi morto pelo Hezbollah no sul do Líbano, enquanto o movimento de resistência islâmico continuava a bombardear cidades e vilas do norte de Israel com rockets e drones.
O sargento Ori Greenberg, membro da Unidade de Reconhecimento da Brigada Golani, foi o terceiro soldado israelita morto no reinício da ofensiva terrestre de Israel no sul do Líbano.
Desde o início da campanha terrestre, a 2 de Março, quatro dias depois de Israel ter declarado guerra ao Irão, o Hezbollah tem oferecido uma forte resistência para proteger o sul do país da invasão das tropas israelitas.
A 23 de Março, o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, declarou que Israel deveria conquistar e anexar território até ao rio Litani, no sul do Líbano. A medida garantiria recursos hídricos adicionais para Israel e abriria caminho para o colonato de judeus israelitas no territórioo, expandindo assim o “Grande Israel”.
No entretanto, as autoridades sionistas já declararam que não vão participar numar eventual invasão terrestre do Irão. Ou seja: serão apenas soldados americanos a morrer no país que Israel quer erradicar do mapa.
🇮🇱🇮🇷 Israeli soldiers will not take part in any potential US ground operation in Iran.
– Israel’s Channel 12 pic.twitter.com/y3rl1vyGu8
— The Daily News (@DailyNewsJustIn) March 30, 2026
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