Face à escassez de mão-de-obra no sector agrícola, a administração Trump recorreu ao programa de vistos H-2A para permitir aos agricultores norte-americanos contratar trabalhadores imigrantes com vistos temporários e a baixo custo. A medida surge após uma intensa pressão dos agricultores que culpam as rusgas policiais e o aperto nas fronteiras por agravarem a escassez de mão-de-obra agrícola nos EUA.

A tensão reside principalmente entre os defensores de políticas de imigração restritivas, que argumentam que a mão-de-obra agrícola nativa irá, com tempo, preencher as necessidades deste mercado de trabalho, à medida que os salários aumentam, e os grandes agricultores implementem tecnologias inovadoras. Os defensores de políticas de imigração restritivas alertam que a decisão da administração Trump de inverter o rumo, aumentando a participação dos trabalhadores estrangeiros, prejudicará os trabalhadores nativos e reduzirá de novo os salários.

Argumentando que o governo federal está a procurar “reformas reais para aliviar os encargos regulamentares e reduzir os custos de mão-de-obra”, a Secretária da Agricultura, Brooke Rollins, referiu:

“A economia agrícola está numa situação difícil, e o Presidente Trump está a utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir que os agricultores têm o que precisam para ter sucesso.”

O Departamento do Trabalho fez eco destas preocupações num documento que anuncia alterações ao programa H-2A, afirmando:

“A quase total perturbação do fluxo de imigrantes ilegais, combinada com a falta de mão-de-obra legal disponível, resulta em perturbações significativas nos custos de produção e ameaça a estabilidade da produção doméstica de alimentos e os preços para os consumidores americanos.” 

E os lucros dos accionistas das grandes corporações do sector agrícola e alimentar norte-americano, acrescenta o ContraCultura.

 


 

Permitir que o sector agrícola tenha acesso a mão-de-obra migrante estrangeira barata já está a atrair a ira de uma coligação singular. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais Unidos da América (UFWA) está a processar a administração Trump, argumentando que a proposta de redução da remuneração — que permitiria a inclusão de habitação no pacote de remuneração e, na prática, reduziria os salários por hora em valores entre 1 e 7 dólares — prejudicará directamente os trabalhadores americanos nativos.

Entretanto, Mark Krikorian, do Centro de Estudos de Imigração, concordou com o sindicato rural, afirmando que as alterações ao programa H-2A contrariam os próprios objectivos propagados pela campanha eleitoral de Trump, que prometeu reduzir a dependência de mão-de-obra estrangeira e aumentar a automatização no sector agrícola.

Já em Junho de 2025, Donald Trump tinha dado sinais de estar inclinado a romper com as suas promessas eleitorais, manifestando intenção de proteger da deportação imigrantes ilegais do sector agrícola e hoteleiro, justificando a decisão com argumentos típicos do globalismo que foi eleito para combater.

Em Agosto do ano passado, o presidente norte-americano implementou mais uma reversão ao seu mandato populista, dando luz verde à entrada de 600.000 estudantes chineses nos Estados Unidos, num só ano. Mais do dobro dos que estudaram em universidades americanas no ano lectivo de 2023/24.

E enquanto o desemprego nativo continua a aumentar, a mão de obra de origem estrangeira já é maior do que quando Donald Trump tomou posse, em Janeiro de 2025.