Face à escassez de mão-de-obra no sector agrícola, a administração Trump recorreu ao programa de vistos H-2A para permitir aos agricultores norte-americanos contratar trabalhadores imigrantes com vistos temporários e a baixo custo. A medida surge após uma intensa pressão dos agricultores que culpam as rusgas policiais e o aperto nas fronteiras por agravarem a escassez de mão-de-obra agrícola nos EUA.
A tensão reside principalmente entre os defensores de políticas de imigração restritivas, que argumentam que a mão-de-obra agrícola nativa irá, com tempo, preencher as necessidades deste mercado de trabalho, à medida que os salários aumentam, e os grandes agricultores implementem tecnologias inovadoras. Os defensores de políticas de imigração restritivas alertam que a decisão da administração Trump de inverter o rumo, aumentando a participação dos trabalhadores estrangeiros, prejudicará os trabalhadores nativos e reduzirá de novo os salários.
Argumentando que o governo federal está a procurar “reformas reais para aliviar os encargos regulamentares e reduzir os custos de mão-de-obra”, a Secretária da Agricultura, Brooke Rollins, referiu:
“A economia agrícola está numa situação difícil, e o Presidente Trump está a utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir que os agricultores têm o que precisam para ter sucesso.”
O Departamento do Trabalho fez eco destas preocupações num documento que anuncia alterações ao programa H-2A, afirmando:
“A quase total perturbação do fluxo de imigrantes ilegais, combinada com a falta de mão-de-obra legal disponível, resulta em perturbações significativas nos custos de produção e ameaça a estabilidade da produção doméstica de alimentos e os preços para os consumidores americanos.”
E os lucros dos accionistas das grandes corporações do sector agrícola e alimentar norte-americano, acrescenta o ContraCultura.
Trump eased H-2A visa rules so farms can hire more foreign workers.
Wages were lowered by $1 to $7 an hour and housing can now count as pay.https://t.co/6hJisbmRqp
— Grace Chong, MBI (@gc22gc) March 16, 2026
Permitir que o sector agrícola tenha acesso a mão-de-obra migrante estrangeira barata já está a atrair a ira de uma coligação singular. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais Unidos da América (UFWA) está a processar a administração Trump, argumentando que a proposta de redução da remuneração — que permitiria a inclusão de habitação no pacote de remuneração e, na prática, reduziria os salários por hora em valores entre 1 e 7 dólares — prejudicará directamente os trabalhadores americanos nativos.
Entretanto, Mark Krikorian, do Centro de Estudos de Imigração, concordou com o sindicato rural, afirmando que as alterações ao programa H-2A contrariam os próprios objectivos propagados pela campanha eleitoral de Trump, que prometeu reduzir a dependência de mão-de-obra estrangeira e aumentar a automatização no sector agrícola.
Já em Junho de 2025, Donald Trump tinha dado sinais de estar inclinado a romper com as suas promessas eleitorais, manifestando intenção de proteger da deportação imigrantes ilegais do sector agrícola e hoteleiro, justificando a decisão com argumentos típicos do globalismo que foi eleito para combater.
Em Agosto do ano passado, o presidente norte-americano implementou mais uma reversão ao seu mandato populista, dando luz verde à entrada de 600.000 estudantes chineses nos Estados Unidos, num só ano. Mais do dobro dos que estudaram em universidades americanas no ano lectivo de 2023/24.
E enquanto o desemprego nativo continua a aumentar, a mão de obra de origem estrangeira já é maior do que quando Donald Trump tomou posse, em Janeiro de 2025.
🇺🇸 Foreign-born employment is now higher than when Trump took office.
At the same time, overall job data is weakening, with signs of economic contraction and more Americans leaving the workforce.
Fewer domestic workers.
More reliance on foreign labor.
The shift is already… pic.twitter.com/UmeW6UMCzu
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) April 3, 2026
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