Ninguém que tenha lidado com uma seguradora acusaria alguma vez um analista de sinistros de ser demasiado generoso, mas agora subimos a um novo patamar da proverbial ganância deste sector financeiro.
Em 2026, uma tendência emergente nas seguradoras de saúde, habitação e automóvel norte-americanas é a automatização por inteligência artificial da análise de risco e da validação de responsabilidades sobre sinistros.
Quando uma pessoa com, digamos, uma dor de garganta se dirige a uma clínica da rede para fazer um teste rápido de estreptococos, a conta é enviada para a seguradora do paciente através de um formulário de sinistro padronizado. Qualquer analista de sinistros humano reconheceria a óbvia necessidade médica do teste e provavelmente aprová-lo-ia. Mas se este analista humano for substituído por um sistema de IA automatizado — repleto de todas falhas já bem documentadas — as coisas tornam-se muito menos previsíveis.
Considere-se o caso de Iris Smith, uma reformada de 80 anos da Florida que sofre de artrite. Como apurou uma investigação do Palm Beach Post, Smith pode ser vítima de negações de pré-autorização impulsionadas pela inteligência artificial, uma vez que o seu estado é um dos seis que exploram um programa de rastreio Medicare baseado em IA.
Iris Smith afirmou a este propósito:
“Não acho que uma empresa deva dizer às pessoas o que podem ou não fazer. Os meus médicos conhecem-me. Eu conheço os meus médicos. E quando estou com dores — o que acontece todas as manhãs, quando acordo com as duas mãos que mal consigo fechar — preciso de algo para aliviar a dor.”
A representante da Florida, Lois Frankel, uma acérrima opositora do programa piloto de automação, disse ao Palm Beach Post que irá lutar contra qualquer expansão da iniciativa a outros estados norte-americanos.
“Acreditamos que o Medicare se baseou na promessa de que, se o seu médico lhe disser que precisa de cuidados, se se magoar e precisar de cuidados, o Medicare estará lá para si, não a IA”.
Com a inteligência artificial, erros administrativos ou detalhes técnicos irrelevantes no formulário, e até mesmo erros no próprio sistema de IA, podem resultar automaticamente em recusas de reembolso. Além disso, as seguradoras — que estão sempre a trabalhar em modelos complexos para gerir o fluxo de pedidos de reembolso e, por conseguinte, minimizar as perdas financeiras — utilizam cada vez mais a IA para restringir o acesso aos serviços.
Mais a mais, os sistemas podem também analisar o risco de cada contrato de forma bem mais draconiana, dado a acesso que têm às vastas redes de dados que estão a ser integradas pelas coorporações tecnológicas de Silicon Valley, principalmente aquelas que trabalham na fusão entre as tecnologias de vigilância, processamento de dados pessoais e inteligência artificial.
In regards to healthcare, the insurance companies use an AI system to deny patients coverage whenever possible;
In response, physician groups have made an AI that does the opposite…Pushes patients claims thru 🤔 https://t.co/MukNt17ZlF
— AMG (@AmitMDproactive) February 27, 2026
Um bom exemplo da integração destas tecnologias de última geração em favor dos interesses coorporativos, mas de forma abusiva sobre o consumidor, é o da utilização pelas seguradoras de drones para sobrevoar e fotografar secretamente as casas que seguram, sem o conhecimento dos proprietários. As imagens são depois inseridas em sistemas de inteligência artificial que sinalizam potenciais riscos ou problemas de manutenção. Em resultado, os segurados estão a perder a cobertura do seguro repentinamente após receberem avisos como: “detectámos bolor no seu telhado”, ou “detectámos telhas partidas”.
Insurance companies are now using drones to secretly fly over and photograph the homes they insure without the homeowners knowing.
The images are then fed into AI systems that flag potential risks or maintenance issues.
People are suddenly losing coverage after being told, “We… pic.twitter.com/DXYnsW1zyT
— Shadow of Ezra (@ShadowofEzra) August 25, 2025
Acresce que atribuindo ao algoritmo funções antes desempenhadas por peritos e analistas, as companhias de seguros têm condições para despedir quadros intermédios, poupando milhões enquanto destroem a vida das pessoas: as que despedem e as que roubam.
É assim evidente que a implementação de sistemas de IA na área dos seguros é atraente para os seus executivos e accionistas: até 2023, quase 88% das seguradoras automóveis já utilizavam ou planeavam utilizar a IA para processar pedidos de reembolso. De acordo com um inquérito realizado em 16 estados da federação americana pela Associação Nacional de Comissários de Seguros (NAIC), 84% das seguradoras de saúde já utilizam a IA para lidar com processos como a autorização prévia para cuidados médicos.
Actualmente, 22 estados dos EUA recusam adoptar regulamentos para a utilização de IA na subscrição de seguros. Mas considerando o poder do eixo Wall Street-Silicon Valley, que o actual Regime Epstein só fortalece, é expectável que esta conjuntura sofra alterações rápidas, em favor dos interesses corporativos. E a prática chegará, também rapidamente, à Europa, porque a ganância é um dos mais potentes motores da História.
E para concluir: os sistemas de inteligência artificial estão a ser usados para matar pessoas com mais precisão e em maior quantidade; estão a ser usados para substituir funcionalmente o ser humano; estão a ser usados para fazer subir os preços dos produtos alimentares e para sobrecarregar as redes eléctricas e encarecer a energia junto dos consumidores privados; estão a ser usados para vigiar e controlar os cidadãos; estão a ser usados para produzir vírus biológicos funcionais, para falsificar papers científicos, para censurar a dissidência, para reinventar a história segundo os cânones woke, para criar conteúdos de merda na web e exponenciar a desinformação e alienação online, e até para substituir os padres no acto da confissão dos crentes.
Ainda estamos, pacientemente, à espera que estas tecnologias produzam algo em favor da humanidade. A cura para uma doença. Uma solução para a paz no Médio Oriente. Uma equação que permita a prosperidade universal. Uma teoria de tudo que compatibilize a mecânica quântica e a física celeste. Um simples contributo para melhorar a vida das pessoas…
Mas podemos esperar sentados, porque considerando o transhumanismo satânico que impera em Silicon Valley, a inteligência artificial será sempre uma ferramenta de destruição, uma máquina de reduzir a cinzas, um mecanismo contra a civilização.
E até em Wall Street há quem comece a desesperar: como o Contra noticiou na semana passada, os analistas do banco Goldman Sachs reconheceram que, pelo menos até 2025, a inteligência artificial não promoveu o crescimento económico, nem a produtividade das empresas.
Relacionados
16 Mai 26
A inteligência artificial como máquina de alucinação e motor apocalíptico.
O Contra disseca e sintetiza mais uma das geniais lições do professor Jiang Xueqin, um momento de desmontagem da natureza fraudulenta das indústrias de inteligência artificial e de denuncia do seu potencial apocalíptico.
14 Mai 26
Rei WEF anuncia, com pompa e circunstância: “os meus ministros darão seguimento à implementação da Identidade Digital.”
O Rei que vendeu a alma ao diabo está mesmo empenhado em implementar a distopia WEF. Mas quem é que o elegeu para apoiar políticas de carácter distópico, comportamento que vai contra os ditames da monarquia parlamentar britânica, pelo menos desde 1688?
14 Mai 26
À revelia do regime? Directora de Inteligência do governo federal americano investiga biolaboratórios estrangeiros financiados pelos EUA.
Tulsi Gabbard está a investigar mais de 120 biolaboratórios financiados pelos EUA em todo o mundo, para interromper actividades perigosas de ganho de função, no contexto de crescentes preocupações com a biossegurança.
12 Mai 26
Sondagens que não entrevistam ninguém: Inteligência artificial está a fabricar tendências da opinião pública.
Mais uma manobra transformista sobre a realidade: As empresas de sondagens e a imprensa corporativa estão a recorrer a "sondagens" que não perguntam nada a ninguém, recorrendo a agentes de inteligência artificial que fabricam aquilo que calculam que as pessoas pensam.
8 Mai 26
Hanta-Histeria.
É óbvio que a narrativa do Hantavírus está muito mal contada e só há uma hipótese deste agente patogénico se propagar como uma pandemia e essa hipótese é a de ter sido manipulado geneticamente, em laboratório, pelos suspeitos do costume.
6 Mai 26
Reflexões sobre o manifesto tecno-fascista da Palantir.
A Palantir publicou recentemente no X um manifesto que não esconde a sua ambição totalitária. O ContraCultura disseca e contraria alguns dos mais polémicos e assustadores segmentos desse texto, para esclarecimento da audiência e referência futura.






