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Ano Negro de 2026 Depois de Parido o Crucificado
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Não receies.
Eu sou o primeiro e o último e aquele que está vivo e esteve morto
e eis que, vivo, continuo a ser pelos séculos dos séculos
e tenho as chaves da morte e do Hades.Livro do Apocalipse 1:17
Se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o tomar, o seu sangue será sobre a sua cabeça.
Ezequiel 33:4

Livro I
I. No Princípio era o substantivo próprio e sobre a possibilidade de diferenciar a realidade pela atribuição de nomes às coisas, Deus criou o Cosmos, e o Homem, a Civilização.
II. Diz o Oráculo: No fim será o adjectivo e sobre a possibilidade de falsificar a realidade pela atribuição de maldições à existência, o Homem terminará a Civilização e Deus, o Cosmos.
III. Dos átomos que se animaram e perderam e dos impérios que se ergueram e caíram, não fez Deus caso. As guerras do Homem – como as fúrias da natureza – são irrelevantes na equação da eternidade.
IV. Diz o Oráculo: Irás num dia mais próximo do que a tua imaginação permite adivinhar, ofender a Deus de tal forma que da sua milenar letargia o acordes e oiças o seu rugido e trovão pela primeira vez, que será a última.
V. Este cosmos é partícula e é onda; é jogo e artefacto; é rodoma de laboratório primordial e perpétuo, onde a matemática, tanto como a gramática, não podem penetrar porque outras insondáveis leis reinam sublimes.
VI. Diz o Oráculo: A prazo mais apertado do que julgas serás besta bastarda, próspero fratricida, gordo esfomeado de tudo, na fonte da samaritana sedento, serás farto pedinte de estômago feliz e miserável de consciência, serás repulsivo para Deus como a serpente.
VII. E na medida do progresso das ciências cresceu a ignorância e a licenciosidade; e na proporção do conforto triunfou a preguiça e a complacência e na ausência de conflito não foi a paz encontrada, mas o caos dos cobardes. E na presença da guerra, o triunfo de Satanás.
VIII. Diz o Oráculo: De pragas nenhumas sofreste horrores e ainda assim ofendeste a Deus pela tua poltronaria e petulância, como pela tua debilidade de espírito e fragilidade moral. Dirás que sabes criar a vida ou destrui-la, quando só a Deus cabem os poderes da criação e da extinção. Dirás que sabes salvar o mundo quando és incapaz da tua própria redenção.
IX. As academias faliram na sua opulência escolástica e Deus disso não fez caso, nem caso fez do ocaso dos soldados.
X. Diz o oráculo: Das tuas glórias te arrependeste e das tuas vilanias fazes propaganda e dos teus erros farás dogma e da tua ignomínia farás virtude, até que obrigues Deus à justiça da sua ira.
XI. Com a invenção da guerra civil sem mortos, aniquilou o homem a hipótese do herói; e da igualdade perante a lei nasceu o aborto da igualdade como destino, promessa vã pela qual não interrompeu Deus o seu ancestral silêncio.
XII. Diz o Oráculo: Cuspirás nos túmulos dos teus antepassados, de cujo sacrifício vives ingrato, mas obeso. Renegarás a Deus como Pedro ao Messias e serás carrasco dos teus avós, delator dos teus pais, traidor dos teus amigos, na trincheira do teu ódio. E ofenderás a Deus por tua arrogância sem rédea, a que chamas razão.

Capítulo II
Roguei ao Senhor por forças, e Ele deu-me adversidades..
Pedi-lhe sabedoria e fui confrontado com o mistério.
Implorei por coragem e respondeu-me com desafios.
Esperei favores, para ser agraciado com oportunidades.
Não me foi dado o que pedi, mas aquilo de que necessitava.
Diz Eclesíastes que há um tempo para tudo, na vida,
Mas diz-me Senhor da cronografia necessária
Para perdoar aos imperdoáveis,
Para oferecer bom senso aos insensatos
E esperança aos condenados.
Que anos me deste para compreender os incompreensíveis
E tolerar os intolerantes?
Quantos os inumeráveis decénios que terei de suportar
Para ensinar os académicos
E aprender com os simples de espírito?
Que eras, que milénios, que revoluções solares
Podem operar o inoperável,
Fazer o que foi desfeito pelos homens
No seu labor infindo de mágoas e cinzas?
Sei, Senhor, que tudo podes, que tudo és
E que o teu filho reina contigo nessa supremacia do Bem.
Sei, Senhor, que permites o Mal,
Para que me seja concedida a liberdade do erro
E a glória da virtude.
Sei, Senhor, que te devo a minha alma
Que, não a pedindo emprestada, me emprestaste.
Sei, Senhor, que me deste um propósito
Mesmo que seja cego dele.
Confio-te o meu inteiro destino, mesmo que trágico,
Porque és Tu o dramaturgo deste teatro
De luz e de sombras.
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Vaidade e vácuo, tudo é vaidade e vácuo.
Que proveito tira o homem do seu labor, debaixo do sol?
Gerações transitam mas a terra para sempre permanece.
Nasce e morre o sol, sopra o vento de norte e de sul,
Os rios correm para o mar indiferente e o homem
Não tem compreensão para o que ocorre debaixo do sol.
O que foi, vai ser; o que é feito, feito será
Porque nada há de novo debaixo do sol.
Lembramos o passado tanto como recordamos o futuro
E os que hão-de vir saberão tanto como os que já vieram e foram.
Todas as obras levantadas debaixo do sol, são vaidade e vácuo,
São aflição do espírito.
Aquilo que é mal nascido não pode viver bem
E aquilo que te falta é incalculável.
E a sabedoria e o conhecimento são aflições de espírito,
Vaidade e vácuo, ilusão de circo.

Capítulo III
XIII. Por quem se arrebita o sexo de César não faz Deus caso, nem de quantos se afogaram em Lepanto. Tudo é permitido suceder enquanto a energia das estrelas instigar subatomicamente a matéria. O universo obriga à vida e à paciência.
XIV. Diz o Oráculo: Ao dia 11 de Setembro dos 2001 anos que tu contas mal contados, sangrou o primeiro estigma. Não o soubeste ler como não saberás ler os que sangraram depois e os que vão sangrar, pútridos, no teu futuro curto e incerto.
XV. Porque Deus escreveu a breve linha de código que sustenta o firmamento e o firmamento sustenta-O. Porque Deus não intervém no seu processo, se não para o iniciar e o concluir e, concluindo-o, perece. E concluindo-o, renasce. Porque Deus cria e termina o universo perpetuamente.
XVI. Diz o Oráculo: Abandonarás a amplitude das igrejas pela promiscuidade dos estádios e dos templos que ao comércio levantaste. Remeterás os teus filhos ao cuidado de fariseus e os teus pais às cárceres do esquecimento, enquanto acolhes em tua casa a mais selvagem das adolescências. E trairás assim até os teus melhores instintos e ofenderás a Deus e por Deus serás castigado, mais do que Adão pela sua originalidade.
XVII. E quando chegou a doença, o homem fez-se rato e o rato transportou a doença e a doença transformou-se em tirania, por mutação do gene recessivo.
XVIII. Diz o Oráculo: Na tua sobranceria de mil anos viverás em desacordo com as palavras do Crucificado, Filho do Homem, fonte da verdade, e assim ofenderás o Criador, por peculato dos teus erros.
XIX. Porque de todo os filósofos, vence Platão: escondida dos sentidos e oculta da ciência permanece a dimensão do absoluto, inacessível à imaginação e inabitável para o homem, onde foram desenhados os sucintos arquétipos e escritas as breves leis que tudo regulam.
XX. Diz o Oráculo: E sangraram estigmas em Paris e em Bombaim e em Londres e em Madrid; e em Bruxelas, os vis reinam, e em Washington, Satanás triunfa, e em Pequim trabalham demónios à revelia de Confúcio e por todo o planeta surgiram os sinais. E tu não os quiseste ver e não os verás – aos sinais vindouros – até que Deus te cegue com a luz do Apocalipse.
XXI. Contra ensinamentos antigos, novas engrenagens de destruição. Contra as palavras do crucificado, a ambição niilista. Contra a razão de João e a verdade de Paulo, a heresia e a ignomínia.
XXII. Diz o oráculo: Da tua sede de sangue, da tua vontade de poder, fizeste engenharia balística, para devolver ao pó as cidades, e entregar as almas ao Deus de Gomorra. Sonhas sobreviver ao juízo derradeiro e ser guerreiro suficiente contra os cavaleiros do fim, e por essa demanda cairás na eternidade do fogo.
XXIII. Dos teus humanóides, não fez Deus caso. Dos teus algoritmos, não fez Deus caso. Das tuas alianças profanas, não fez Deus caso. Da tua hubris, não serás salvo.
XXIV. Diz o oráculo: Fizeste de fariseus aliados, e messias de falsos profetas; ergueste altares a cultos abomináveis, montaste trans-humanas olimpíadas e inventaste máquinas à tua imagem e semelhança e ousaste competir com Deus, aprendiz de feiticeiro. A tua criação perder-te-á, a tua feitiçaria será teu jugo, teu culto falsário será testemunho da tua condenação. As torres que caíram, tu as torpedeaste. O mal que te consome, tu o geraste. O inferno que te aguarda, levantaste-o tu.
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