A economia dos EUA perdeu 92.000 empregos em Fevereiro, um resultado significativamente abaixo das projecções dos analistas económicos, que previam um ganho líquido de 60.000 empregos. Além disso, a taxa de desemprego subiu ligeiramente para 4,4%, face aos 4,3% de Janeiro.

 

Os economistas consultados pela FactSet previam um aumento de 60 mil vagas de emprego. O relatório de Fevereiro marcou a terceira ocorrência de perda de emprego nos últimos cinco meses, com os futuros do mercado norte-americano em queda. O sector da saúde, uma fonte recente de crescimento do emprego, perdeu 28.000 postos de trabalho em Fevereiro. O Departamento do Trabalho dos EUA atribuiu esta queda às greves, incluindo a greve dos enfermeiros na Califórnia.

Outros sectores que registaram perdas de emprego incluem a informática e o governo federal, com reduções de 11.000 e 10.000 vagas, respectivamente, em Fevereiro. Entretanto, o Departamento do Trabalho divulgou também números revistos de crescimento do emprego para Janeiro e Dezembro, reduzindo-os em 4.000 e 65.000, respectivamente.

A subida dos preços do petróleo devido ao ataque dos EUA e de Israel contra a República Islâmica do Irão vai pressionar ainda mais a economia. O relatório sobre o emprego de Fevereiro, juntamente com a subida dos preços da energia, poderá renovar a pressão sobre a Reserva Federal para iniciar outro ciclo de cortes nas taxas de juro. Logo após a divulgação dos dados sobre o emprego, as expectativas de que a Fed volte a reduzir as taxas em Junho dispararam em Wall Street, passando de uma probabilidade de 35% para 49%.

Mas, por outro lado, a inflação criada pela subida dos preços do petróleo e do gás natural poderá moderar essas expectativas.

E o investimento astronómico do regime Trump nas tecnologias de inteligência artificial não vão por certo animar o mercado de trabalho norte-americano.

Convém sublinhar que o pleno emprego da população nativa americana foi uma das promessas centrais da campanha eleitoral que levou Donald Trump a regressar à Casa Branca.

Como o ContraCultura documentou recentemente, a actual administração está a perder o apoio da classe trabalhadora e o seu índice de aprovação é agora mais baixo que o de Biden, na mesma altura do seu mandato presidencial.