Os escritórios parisienses do Grupo Edmond de Rothschild — uma empresa suíça de gestão de activos e de banca privada pertencente à família com o mesmo nome — foram alvo de uma operação de busca e apreensão levada a cabo por investigadores franceses na passada sexta-feira, em ligação com os ficheiros de Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA..

Anunciada na terça-feira, a operação e a apreensão de documentos parecem estar ligadas ao diplomata francês Fabrice Aidan, cujo nome consta mais de 200 vezes nos ficheiros Epstein e que trabalhou para o Grupo Edmond de Rothschild.

Os documentos do DOJ revelaram alegados e-mails enviados por Aidan a Epstein entre 2010 e 2016, período em que Aidan serviu como representante adjunto de França nas Nações Unidas (durante três desses anos). Os ficheiros Epstein indicam que Aidan, utilizando tanto a sua conta de e-mail pessoal como a da ONU, partilhou materiais confidenciais — incluindo memorandos do Conselho de Segurança da ONU — com o infame criminoso.

Embora Aidan tenha negado qualquer irregularidade, o governo francês já iniciou um processo administrativo formal contra ele. Ariane de Rothschild — CEO do banco privado suíço — esteve presente durante a operação. Viúva do falecido Benjamin de Rothschild, Ariane é a primeira pessoa sem laços de sangue com a infame família judaico-alemã a gerir uma instituição financeira Rothschild.

Fontes próximas dos procuradores do Governo francês afirmam que a família Rothschild está a cooperar com a investigação. Ariane de Rothschild é também mencionada nos Arquivos Epstein, que mostram que se correspondeu com o traficante de seres humanos entre 2013 e 2019, já depois deste último ter sido indiciado por tráfico de menores com o fim de abuso sexual. Um porta-voz do Grupo Edmond de Rothschild afirmou, conseguindo manter uma cara séria, que a CEO do banco privado desconhecia as acusações contra Epstein.

De referir que a operação segue um padrão de investigações pós-divulgação dos Arquivos Epstein, que se centraram na relação do pedófilo com as autoridades europeias e no seu acesso a informação governamental sensível. No início de Fevereiro várias propriedades pertencentes ao antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, Lord Peter Mandelson, foram alvo de buscas policiais no âmbito de uma investigação sobre a alegada fuga de informação confidencial para Epstein. A 23 do mesmo mês, Lord Mandelson foi detido “sob suspeita de má conduta em cargo público”. Uma semana antes, Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente Príncipe Andrew, foi detido por suspeita de ter passado documentos comerciais confidenciais ao seu sinistro amigo.

O antigo primeiro-ministro norueguês, chefe do Comité Norueguês do Nobel e ex-secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjørn Jagland, foi também preso pelas autoridades norueguesas, depois de tentar suicidar-se, dadas as acusações de corrupção de que tem sido alvo, também relacionadas com a rede Epstein.

Nos Estados Unidos, porém, ninguém foi ainda visado por qualquer investigação ou acusação relacionada com as actividades luciferinas de Jeffrey Epstein.