Joe Kent, o ex-director do Centro Nacional de Contraterrorismo do regime Trump, que se demitiu a 17 de Março em protesto contra a guerra no Irão, afirmou na segunda-feira que o director do FBI, Kash Patel, ordenou aos investigadores dos serviços de inteligência que deixassem de trabalhar no caso do homicídio de Charlie Kirk.

Em entrevista ao The Daily Caller, Kent disse, como já tinha afirmado anteriormente no podcast de Tucker Carlson, que as autoridades federais restringiram os esforços de investigação da sua equipa, apontando para uma decisão de cima para baixo que interrompeu novas investigações. O ex-funcionário da Administração Epstein revelou também que o FBI impôs a restrição seguindo ordens directas de Patel.

A editora-chefe do Daily Caller, Amber Duke, perguntou a Kent:

“Disse que foi impedido de investigar isso. Quem é que o impediu especificamente? E isso partiu especificamente do director Patel?”

E o entrevistado respondeu peremptoriamente:

“Sim, partiu dele. Foi parte de uma discussão que tivemos, e, no final, foi essa a decisão tomada”.

 

 

As autoridades federais não divulgaram qualquer relatório abrangente nem revelaram novas pistas substanciais desde o final de 2025. O processo judicial contra o atirador acusado, Tyler Robinson, de 22 anos, continua em curso. Robinson foi acusado de homicídio qualificado e outros crimes no Utah. Em audiências realizadas nos últimos meses, a equipa jurídica de Robinson tentou desqualificar os procuradores.

Kent foi questionado se iria testemunhar e como via as críticas do produtor do “The Charlie Kirk Show”, Blake Neff, e do porta-voz do Turning Point USA, Andrew Kolvet, respondendo nestes termos:

“O que o FBI disse quando nos informou que não poderíamos continuar a investigar o caso foi: ‘Ei, vocês não podem investigar mais o caso porque, se o fizerem, podem ser chamados pela defesa.’ E eu simplesmente disse: ‘OK, se a defesa me quiser chamar, está tudo bem para mim’. Não me estou a oferecer como voluntário. Não estou a defender ninguém. Não sou testemunha da defesa, nem nada do género, mas estou a dizer que, para concluir a investigação, não vou parar só porque existe a ameaça de que vou de ser chamado a depor pela defesa. Para mim, isto nunca pareceu um motivo sólido para travar a investigação”.

Kolvet disse na segunda-feira que enviou mensagens privadas de Kirk para Kent, mensagens essas que foram posteriormente publicadas por Candace Owens. Kolvet confirmou ter partilhado o conteúdo do grupo de conversação com Kent, mas disse não poder confirmar se Kent foi o responsável pela fuga de informação para Owens.

Neff disse que as mensagens de texto alimentaram a teoria da conspiração alegando que Israel ou sionistas norte-americanos orquestraram o assassinato de Kirk, enquanto ele e Kolvet rejeitam esta alegação.

“Nos bastidores, fornecemos tudo o que sabíamos fornecer, cada fragmento de informação. Este foi um deles. Disseram-me que podia confiar no Joe Kent. Forneci as capturas de ecrã ao Joe Kent. E não sei o que lhes aconteceu depois disso. Só quero deixar isto bem claro.”

Durante uma participação no programa “The Megyn Kelly Show”, na sexta-feira, Kent insistiu que não tinha cometido qualquer irregularidade.

“Quanto às alegações de fuga de informação, não estou preocupado porque sei que não fiz nada de errado. Claro que estou preocupado porque todos nós sabemos como o FBI e o governo reage aos indivíduos que se manifestam. Portanto, isto tem sido um pouco preocupante, mas eu sei a verdade e os factos estão do meu lado”.

A notícia de que Joe Kent entrou em rota de colisão com Kash Patel por causa da investigação do homicídio de Charlie Kirk não é nova, o ContraCultura já tinha reportado a circunstância em Outubro de 2025. O que é significativo é que Kent, desde que se demitiu, tem sublinhado o episódio em quase todas as suas locuções públicas, sendo que na conversa que teve com Tucker Carlson enfatizou por várias vezes que a sua investigação, que visava a eventual interferência estrangeira na morte de Charlie Kirk, tinha pistas para seguir e estava longe da sua conclusão.

E se a narrativa oficial sobre a morte de Charlie Kirk não estivesse já no ponto zero da credibilidade, as teorias da conspiração relacionadas com esse negro momento da história americana acabam de subir para um patamar olímpico, com o rebentamento desta notícia maluca:

 

 

A verdade é que a a bala em causa estava de tal forma fragmentada que tornou impossível qualquer relação com a arma usada para a disparar e a notícia do Daily Mail induz em erro, claramente, em favor do sensacionalismo. Mas o facto pode ser fundamental no decurso do julgamento de Tyler Robinson, principalmente porque o caso da acusação tem mais buracos que um queijo suíço, como o Contra, na devida altura, documentou.