A popularidade de Trump atingiu o nível mais baixo desde que foi eleito, segundo uma sondagem de um instituto favorável ao presidente, enquanto a oposição à guerra no Irão entre os eleitores republicanos duplicou.

 

A taxa de aprovação do presidente Donald J. Trump caiu para 42%, de acordo com uma nova sondagem do JL Partners, um instituto alinhado com o Partido Republicano e a actual casa Branca. Esta é a taxa de aprovação mais baixa da sua presidência, uma queda face aos 44% registados no início deste mês e aos 48% em Janeiro. A sondagem inquiriu 1.037 eleitores registados online, entre 18 e 20 de Março, com uma margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais.

De acordo com a sondagem, a guerra com o Irão e os receios com a inflação são os principais motivos para a queda. 28% dos inquiridos desaprovaram a actuação de Trump no Médio Oriente, um aumento face aos 20% registados no início deste mês. Entretanto, 44% culparam-no pelo aumento da inflação, um acréscimo muito significativo em relação aos 38% no início de Março. Os preços da gasolina subiram para 3,32 dólares e posteriormente para 3,90 dólares por galão em todo o país, em comparação com os 2,90 dólares antes do início dos ataques dos EUA ao Irão, a 28 de Fevereiro.

 

 

O apoio à guerra com o Irão também diminuiu. Inicialmente, 40% dos eleitores apoiavam a acção militar, mas este número desceu para 33%, com 49% a oporem-se ao conflito. Entre os eleitores de Trump, o apoio à guerra caiu de 75% para 61%, enquanto a oposição subiu para 22%. Números oficiais indicam que treze soldados norte-americanos foram mortos e mais de 200 ficaram feridos desde o início da operação EUA-Israel contra o Irão.

O sentimento económico também se agravou, com 54% dos eleitores a afirmar que a economia está a deteriorar-se, um aumento em relação aos 44% do mês passado. Apenas 16% acredita que a economia está a melhorar, uma queda significativa face aos 30% de Fevereiro. A sondagem revelou ainda que apenas 19% dos eleitores tolerariam um aumento de 1 dólar no preço da gasolina para garantir uma vitória militar, enquanto apenas 7% aceitariam até 10 mil mortos americanos no conflito.

A sondagem não esclarece que razões e valores estão por trás dessa bizarra aceitação.

O vice-presidente J.D. Vance, que se tem escondido da exposição pública nas últimas semanas, não viu a sua popularidade ser afectada pela guerra com o Irão. A sua aprovação mantém-se estável nos 47%, cinco pontos percentuais acima da de Trump.

Por outro lado, os eleitores independentes, cruciais para o sucesso de Trump em 2024 e para o desempenho do Partido Republicano nas eleições intercalares de 2026, opõem-se à guerra por uma margem de dois para um, com 50% contra e 24% a favor. Os democratas opõem-se de forma esmagadora, com 76% a desaprovar a decisão de atacar o Irão.

Mas esta é uma sondagem de motor republicano. Há mais. Com muito piores índices, indicando que a Guerra no Irão, que só tem tendência a agravar-se é o mais espectacular suicídio político de um presidente americano neste triste século.