O Parlamento Europeu deu, aparentemente, um passo importante no sentido de um regime migratório muito mais rigoroso, aprovando um novo “mandato de negociação” para legislação destinada a acelerar a deportação de imigrantes ilegais e a reforçar a fiscalização em todo o bloco.
Numa votação realizada na quinta-feira, os eurodeputados aprovaram o chamado Regulamento de Devoluções por 389 votos a favor, 206 contra e 32 abstenções, abrindo caminho a negociações com o Conselho Europeu sobre um novo quadro jurídico que regule a remoção de migrantes ilegais que não têm direito a permanecer na União Europeia.
NEW: The European Parliament has voted in favor of progressing a stricter legal framework for the deportation of illegal migrants.
Migrants with a deportation order will be required to cooperate with the authorities to facilitate their return, and could be detained for up to two… pic.twitter.com/vvDPtgrg1B
— Remix News & Views (@RMXnews) March 26, 2026
O resultado foi impulsionado pelo apoio de uma ampla coligação de direita e de centro-direita, incluindo o Partido Popular Europeu (PPE), os Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), a Europa das Nações Soberanas (ESN) e os Patriotas pela Europa (PfE), ilustrando como o equilíbrio de poder em matéria de migração se alterou em Bruxelas.
A proposta visa reformular o frágil sistema de deportações da UE, há muito criticado por permitir que os requerentes de asilo rejeitados e outros migrantes ilegais permaneçam na Europa durante anos. Quando o regulamento foi iniciado pela Comissão Europeia, no ano passado, o Comissário para as Migrações, Magnus Brunner, resumiu a dimensão do fracasso ao afirmar:
“Apenas uma em cada cinco pessoas que recebem a ordem para sair da UE, abandona de facto a UE, e isso é inaceitável”.
A nova estrutura legal introduz, alegadamente, procedimentos de regresso mais rigorosos, detenção mais longa em alguns casos, proibições de entrada mais abrangentes e penalizações para aqueles que se recusam a cooperar com a sua própria deportação. Também abrirá caminho aos chamados centros de retorno fora da UE, uma ideia que foi duramente criticada por Bruxelas há poucos anos, quando o Reino Unido implementou um plano para o Ruanda e a Itália assinou o seu acordo com a Albânia.
Os conservadores saudaram a votação como um avanço. Charlie Weimers, vice-presidente do ECR, considerou-a um momento histórico para o seu partido e para uma fiscalização mais apertada das fronteiras na Europa:
“As novas e mais rigorosas regras de retorno representam o maior sucesso negocial dos Democratas Suecos na UE. Em breve, será possível enviar de volta para casa aqueles que não deveriam estar na Europa, e serão viabilizados centros de retorno fora da UE. A era das deportações começou!”
O presidente do PPE, Manfred Weber, declarou ainda:
“Hoje, estamos a demonstrar claramente que as soluções europeias para lidar com a imigração ilegal são possíveis. Os cidadãos europeus esperam acções decisivas, e é isso que estamos a fazer. Quem não tem o direito de permanecer na UE deve sair”.
A eurodeputada nacionalista francesa Marion Maréchal apresentou a votação como um ponto de viragem para a direita.
“Foi um passo histórico para a coligação da direita na comissão, e é agora uma vitória na sessão plenária do Parlamento Europeu: o ‘regulamento de regresso’, que visa uma maior firmeza em relação aos imigrantes não documentados, foi aprovado pelos eurodeputados. Após a aprovação trilateral, caberá ao governo francês tomar medidas!”
Em comunicado de imprensa, a organização Patriotas pela Europa declarou que “os eleitores europeus há muito que exigem uma mudança fundamental na política migratória” e que “foi dado um primeiro passo decisivo”. O grupo argumentou que a antiga abordagem de Bruxelas tinha falhado redondamente e afirmou que o novo acordo ajudaria a restaurar o controlo aos governos nacionais, declarando:
“Crucialmente, este novo acordo muda o paradigma no sentido de uma harmonização mínima. Em vez de impor um ditame rígido e uniforme vindo de Bruxelas, esta estrutura devolve o controlo às capitais nacionais.”
🚨 | For a decade, the EU’s migration policy has failed Europeans. Today, that changes.
Patriots for Europe has built the majority that made it possible. The Von der Leyen coalition couldn’t deliver. We did.
Stricter detention. Real sanctions. No more endless appeals. #Patriots pic.twitter.com/nSfvXxBwu1
— Patriots for Europe (@PatriotsEP) March 26, 2026
O Patriotas pela Europa destacou ainda várias medidas que tornarão o sistema muito mais eficaz, incluindo “consequências severas para a não cooperação”, regras de detenção mais rigorosas e o fim do abuso do processo de recurso para atrasar as deportações indefinidamente. O grupo afirmou que o período máximo de detenção foi alargado para 24 meses e que os migrantes considerados riscos de segurança podem agora ser colocados em instalações de segurança reforçada ou prisões.
As organizações de esquerda reagiram com alarme, acusando o PPE de unir forças com partidos nacionalistas e de abandonar o antigo cordão sanitário parlamentar. O Conselho Europeu para os Refugiados e Exilados (ECRE) afirmou que a decisão “normalizaria as medidas que estigmatizam os migrantes” e enfraqueceria a protecção dos seus direitos, enquanto a Amnistia Internacional condenou o que chamou de “direcção cada vez mais prejudicial e draconiana” na política migratória da UE.
Esta reacção, no entanto, confirma a drástica alteração do debate. Políticas como a da remigração, outrora denunciadas como extremas, estão agora a tornar-se parte integrante do direito da UE, e o foco em Bruxelas já não é a gestão dos fluxos migratórios, mas sim a remoção daqueles que não têm o direito de permanecer no país.
Em teoria. Porque qualquer acção legislativa aprovada no Parlamento Europeu com o voto dos globalistas do PPE não deve merecer confiança absolutamente nenhuma e daqui para a frente vamos com certeza observar a criação de obstáculos de toda a ordem à implementação no campo deste “mandato de negociação”, por parte de muitos daqueles que o aprovaram agora.
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