Segundo a imprensa dinamarquesa, o governo nórdico enviou soldados com explosivos e reservas de sangue (!) para a Gronelândia, com ordens para prepararem uma força de resistência militar contra uma eventual invasão dos EUA.
A comédia é, aparentemente, inadvertida. Mas, caramba, se o Irão é capaz de humilhar o Pentágono, por que não a Dinamarca?
O país escandinavo está também a fazer preparativos para destruir pistas de aterragem e impedir assim que aviões militares norte-americanos coloquem no território gelado tropas e equipamento, de acordo com fontes na Dinamarca, França e Alemanha.
Não está mal pensado, na verdade. Mas também vão destruir os portos?
As fontes revelaram ainda que a Dinamarca procurou apoio político junto de aliados europeus, incluindo a França e a Alemanha, para se opor às exigências americanas de controlo sobre a Gronelândia. A iniciativa dinamarquesa visava criar uma aliança política europeia, evitando, ao mesmo tempo, uma escalada ainda maior com os EUA.
O êxito desta iniciativa diplomática está por apurar. Mas a sensata leitora, como o avisado leitor, terão razões para suspeitar que o apelo não terá recolhido, para além da retórica, um entusiasmo maluco, junto do clube globalista.
O teatrinho que foi montado a propósito da Gronelândia pela Casa Branca agravou-se em Janeiro de 2026, quando os EUA desencadearam o ataque relâmpago à Venezuela, que levou Copenhaga a pensar duas vezes sobre o assunto. “Forças de elite” da Dinamarca (200 soldados), França (15 soldados), Alemanha (13 soldados), Noruega (2 soldados) e Suécia (outros dois ou três) foram enviadas para Nuuk e Kangerlussuaq, acompanhadas por caças dinamarqueses, um navio de guerra francês e um, sim 1, oficial das forças armadas britânicas.
Uma força brutal, que por certo fará Donald Trump recuar nas suas ambições imperialistas, principalmente depois do seu apelo a que as forças armadas europeias contribuíssem para o esforço de guerra americano na defesa do Estreito de Ormuz ter sido recusado em vexante uníssono por alemães, britânicos, franceses, italianos, polacos, espanhóis e toda a restante gente, com a honrosa e cómica excepção da Estónia.
Estas valentes medidas fazem parte de um plano para dissuadir os EUA de tentarem ocupar militarmente a Gronelândia. Os soldados dinamarqueses estão, teoricamente, preparados para combater, se necessário, apesar de reconhecerem que não resistiriam a um ataque americano. A operação foi apresentada como um exercício denominado “Resistência Árctica”, mas trata-se, na verdade, de um esforço de defesa real, se bem que fantasista na mesma.
Por muito incompetente que seja o Pentágono, e é, a Dinamarca está, em termos militares, para os Estados Unidos, como os Estados Unidos estão para a paz mundial. Muito abaixo do zero absoluto.
A crise da Gronelândia levou a Europa a reavaliar as suas estratégias de segurança. A Dinamarca, juntamente com outros países europeus, anunciou uma cooperação nuclear estratégica com a França.
Mas sendo que a Dinamarca tem zero ogivas nucleares, trata-se mais de uma colonização do que de uma cooperação.
E não deixa de ser divertido deixar este jogo correr, mesmo que teoricamente: a França ameaça os Estados Unidos com retaliação nuclear, caso a Casa Branca decida invadir a Gronelândia. A hipótese é absurda, mas ainda assim, o que é que acontece a seguir?
A seguir, a NATO passa a sucursal de Bruxelas. A seguir, os Açores tornam-se as ilhas mais relevantes do hemisfério ocidental.
O bordel total, é o que acontece a seguir.
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