“O Ocidente está a destruir-se ao abandonar o que o fez grande.”
Jiang Xuequin

 

A semana passada terminou com uma combinação absolutamente luminosa: Tucker Carlson e Jiang Xueqin.

A conversa entre o jornalista independente norte-americano e o professor-profeta, que deixamos na conclusão deste texto, centrou-se na questão fundamental destes dias que correm ensandecidos: como terminará a guerra no Irão e quais serão as consequências do conflito – e da sua eventual resolução – para o nosso mundo?

Jiang começa logo com uma advertência que se calhar poucos estão a equacionar neste momento: quando o abastecimento de combustíveis entrar em colapso, os governos vão voltar à solução Covid: confinar as massas. E isto já está a começar a acontecer, em certos países da Ásia.

É bom que as pessoas comecem a preparar a logística das suas vidas para esta eventualidade (e se consideram ou não obedecer a mais este mandato pidesco), porque a probabilidade de nos obrigarem a ficar fechados em casa por um período indeterminado de tempo é grande, outra vez.

 

O curso da guerra no Irão.

Jiang prevê que o conflito no Golfo não se traduzirá numa vitória rápida americana, mas numa guerra de atrito prolongada, semelhante ou pior que está a acontecer na Ucrânia. O Irão, apoiado pela Rússia e a China, resistirá com drones, mísseis, artilharia e trincheiras. Os EUA não conseguirão uma vitória decisiva devido a limitações logísticas e falta de apoio popular interno. A circunstância irá expor os limites do poder militar americano e frustrar a população dos EUA, que não compreende o motivo das ‘guerras eternas’ no Médio Oriente.

 

Projecto “Greater Israel” e as ambições israelitas.

Um dos pontos mais controversos é a análise de Jiang sobre as ambições de Israel. Ele refere o “Greater Israel Project”, baseado na crença bíblica de que Deus prometeu a Abraão terras desde o Nilo (Egipto) até ao Eufrates (Iraque), abrangendo partes da Arábia Saudita, Turquia e Jordânia. Israel seria assim o principal beneficiário da guerra, usando-a para desestabilizar a região (incluindo os países do Golfo) e remover a influência americana, que protege estes Estados.

O professor de História Preditiva sugere cenários extremos: escavações arqueológicas sob a Mesquita de Al-Aqsa poderiam enfraquecer a sua estrutura para uma demolição controlada, culpando depois o Irão através de uma narrativa de falsa bandeira. A manobra permitiria a construção do Terceiro Templo, o desencadeamento de uma guerra árabe-persa e o ponto de partida para o “Grande Israel”, que está de acordo com as aspirações escatológicas de alguns grupos em Israel, mas também nos EUA, onde certos cristãos e militares acreditam que o caos global acelerará a Segunda Vinda de Cristo.

 

Consequências económicas e energéticas.

A guerra causará uma crise energética global e Jiang prevê que o petróleo vai chegar aos 200 dólares por barril, destruindo o sistema do petrodólar, que é a base da hegemonia da moeda americana, e geraria uma onde de hiperinflação nos EUA, colapso económico e o fim da supremacia financeira americana. Países como o Japão e a Coreia do Sul poderão ser forçados a desenvolver armamento nuclear para se defenderem, sem o escudo americano, num mundo multipolar.

 

A solução é um recuo estratégico.

O professor só vê uma solução para que a América sobreviva às presentes circunstâncias: a retirada do Médio Oriente e o foco na resolução dos problemas internos da federação. Isto embora Jang sugira que forças em Israel estão a sabotar os alegados planos de paz de Trump para prolongar o conflito e alcançar objectivos escatológicos, questionando se os EUA conseguem controlar Israel, dada a influência dos interesses sionistas em Washington.

 

Futuro da América do Norte e Europa

Um das projecções mais arriscadas do professor-profeta é a de que o fim da hegemonia global americana vai força os EUA a “colonizar” o Canadá (pelos seus recursos) e o México (por causa da sua mão-de-obra) para garantir cadeias de abastecimento internas. Prevê o declínio da Europa, com possíveis guerras civis em França e no Reino Unido dentro de 2 a 4 anos, devido a tensões demográficas decorrentes da políticas de imigração e aos esforços deliberados por parte das elites dirigentes para destruir a civilização ocidental, através da substituição populacional, da extinção cultural e das identidades, do empobrecimento da populações e da crise energética, auto-infligida.

 

Conclusão

Jiang vê o conflito com o Irão como catalisador do fim da hegemonia ocidental e do início de um mundo multipolar, em que nações como a China, a Rússia e a Índia terão um papel de liderança em função das suas esferas de influência. Tucker concorda em grande parte com esta visão, questionando o papel dos EUA e a sanidade de certas políticas no seu país e noutros do Ocidente. A conversa é um festim de análise estratégica, teorias da conspiração, apocalipses de inspiração religiosa e previsões sombrias: o Ocidente está a ser deliberadamente enfraquecido, a América enfrenta a séria eventualidade do desastre derrota económico e militar, e forças escatológicas aceleram o caos para fins proféticos.

A certa altura, o professor da Moonshot Academy, num rasgo de incorrecção política, mas também de lucidez e coragem, afirma:

“No Ocidente, os racistas têm menos direitos que os pedófilos.”

E para que fique claro: o racismo é uma filosofia condenável, de todas as maneiras e feitios. Estamos todos de acordo (o Contra, o professor Jiang, o Tucker Carlson, o gentil leitor e a prezada leitora). O problema, aqui sublinhado, é que o sistema de valores no Ocidente está completamente invertido.

De tal forma que, quando perguntado por Tucker sobre quais sãos os países que mais odeiam a civilização ocidental, o bom do professor, que é canadiano, enuncia… o Canadá, o Reino Unido e a maior parte dos países ocidentais. É a demolição controlada de um modelo civilizacional por agentes cujos objectivos não são evidentes, mas que cumprem claramente uma agenda de cinzas.