O secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira passada que o Pentágono precisa de um financiamento suplementar de 200 biliões de dólares, a ser aprovado pelo Congresso, em função da operação militar americana em curso contra a República Islâmica do Irão.

O pedido orçamental, destinado principalmente a reabastecer os stocks de munições do Departamento de Guerra, surge numa altura em que a Operação Epstein Fury – autorizada pelo presidente Donald J. Trump a 28 de Fevereiro – já custou, pelo menos, cerca de 12 biliões de dólares.

Fazendo recurso à sua retórica de criminoso de guerra, que envergonharia muitos dos mais radicais mullah xiitas, Hegseth afirmou:

“É preciso dinheiro para matar os maus tipos. Estamos a regressar ao Congresso e às nossas autoridades para garantir que temos o financiamento adequado”.

Pelos vistos, o orçamento recordista de um trilião de dólares, que a administração Trump determinou que o Pentágono pode desperdiçar em 2026, não é “adequado”. Nenhuma quantidade de dinheiro é adequada à voracidade do regime Epstein.

De notar que Kevin Hassett, director do Conselho Económico Nacional do presidente Trump, afirmou no passado domingo que não acredita que os EUA precisem de solicitar fundos adicionais directamente ao Congresso para o esforço de guerra. No entanto, os ataques de retaliação com mísseis e drones do regime iraniano contra os Estados árabes do Golfo e as bases militares norte-americanas exigiram a utilização de um número significativo de munições de defesa anti-aérea. O Pentágono já começou a redistribuir os recursos de intercepção de mísseis do Leste Asiático para o Médio Oriente, de forma a reforçar os sistemas de defesa.

Lauren Boebert, a representante republicana pelo Colorado e acérrima defensora do regime Trump, comentou a ambição despesista do Pentágono nestes termos:

“Já deixei claro à liderança que sou contra qualquer suplemento orçamental para a guerra. Estou farta de gastar dinheiro nestas coisas. Estou farta do complexo industrial de guerra ficar com todo o dinheiro dos nossos impostos, fruto do nosso árduo trabalho. Tenho pessoas no Colorado que não têm condições para se sustentar.”

 

 

A cada dia que passa, o movimento MAGA vai perdendo quadros, militantes e coesão. Mais uns meses de guerra e os seus apoiantes vão caber todos na Sala Oval.

Há também que considerar que o Pentágono é uma instituição inauditável, tendo chumbado as últimas sete tentativas de auditoria às suas contas. Ou seja: ninguém sabe como é que o Departamento de Guerra gasta as astronómicas somas de dinheiro dos contribuintes.

Existem apenas cinco países no mundo, contando com os Estados Unidos, cujo PIB é superior ao orçamento para 2026 do Pentágono. Que, ainda assim, precisa de mais dinheiro ainda para derrotar o Irão, e nem o Estreito de Ormuz consegue defender.

 

Entretanto, a dívida americana também bate recorde histórico.

A dívida nacional dos EUA ultrapassou os 39 biliões de dólares, um marco histórico e ruinoso. O presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, Jodey Arrington (republicano do Texas), divulgou a seguinte declaração:

“Os Estados Unidos têm agora uma dívida de 39.000.000.000.000 de dólares — sim, 39 triliões de dólares. Foram necessários cerca de 200 anos para acumular o primeiro trilião de dólares. Agora, adicionámos esse valor numa questão de meses. Cada criança nos Estados Unidos carrega hoje uma parcela de 530.000 dólares dessa dívida — um legado devastador que precisamos de reverter. Para agravar o problema, gastamos agora mais de 1 trilião por ano apenas com juros para pagar a nossa dívida — mais do que todo o orçamento da defesa e o triplo do valor quando Biden assumiu o cargo. Eis a triste, alarmante e estarrecedora verdade: apesar da urgência da nossa crise fiscal, o Congresso está paralisado — incapaz de lidar com a urgência do momento. Por isso, se Washington não agir, é tempo de olhar para além da capital do país. Os Fundadores deram-nos outro caminho no Artigo V da Constituição, capacitando os estados e o povo americano para intervir e exigir disciplina fiscal. Apelo ao Congresso para que convoque uma Convenção do Artigo V. É tempo de restaurar a sanidade na capital do país e reverter a maldição que paira sobre esta nação.”

Talvez não seja mal pensada, a sugestão de Arrington. O Regime Epstein sai caro e não é através das suas instituições em Washington que vai ficar mais barato. Mas o Artigo V da Constituição dos Estados Unidos define o processo de emenda, permitindo alterações ao documento fundamental da federação através de dois terços de votos em ambas as câmaras do Congresso ou por uma convenção nacional solicitada por dois terços das legislaturas estaduais, sendo que as ratificações das emendas exigem três quartos dos estados.

Ou seja, vai ser muito complicado. se não impraticável, esse caminho “para além da capital do país”.