O Presidente norte-americano Donald J. Trump indicou no fim da semana passada que os Estados Unidos estão perto de atingir os seus objectivos militares no Irão e que as operações poderão ser gradualmente encerradas. Mas, ao mesmo tempo, ordenou o envio de ainda mais navios de guerra e fuzileiros para o Médio Oriente e ameaçou bombardear as centrais eléctricas da república islâmica, um sinal de intensificação extrema do conflito.
Numa mensagem publicada no Truth Social na sexta-feira, escreveu:
“Estamos muito perto de atingir os nossos objectivos, enquanto ponderamos terminar os nossos grandes esforços militares no Médio Oriente em relação ao regime terrorista do Irão.”
Trump delineou os seus principais objectivos, como degradar as capacidades de mísseis do Irão, destruir a sua base industrial de defesa, eliminar a sua marinha e força aérea e terminar com o seu programa nuclear.
Para além de se ter esquecido de enunciar o objectivo de mudança de regime, que aqui há três semanas era prioritário para a agenda da Casa Branca, a verdade é que mesmo estes pontos que refere, talvez com a excepção do que diz respeito à marinha iraniana, estão longe de se confirmarem como concluídos e Teerão, que continua a retaliar agressivamente as bases americanas no Golfo e alvos em Israel, parece hoje numa posição estratégica bem mais favorável do que seria de supor antes do ataque de que foi alvo.
Day 21 of Operation Epstein Fury
– Russian oil unsanctioned
– Iranian oil unsanctioned
– Ships paying Iran $2M for Hormuz passage
– $1T gone from stock market
– F35 proven useless
– American bases under constant attack
– Replaced Khamenei with Khamenei— Ethan Levins 🇺🇸 (@EthanLevins2) March 21, 2026
Trump sublinhou ainda a “protecção, ao mais alto nível, dos nossos aliados do Médio Oriente, incluindo Israel, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e outros.”
Mas os países do Golfo têm vindo a sofrer danos crescentes como resultado de ataques iranianos, e o Pentágono parece incapaz de defender estes seus aliados, pelo que não se percebe bem o sublinhado do presidente americano.
O inquilino da Casa Branca referiu ainda que o Estreito de Ormuz, uma importante via de passagem para o fornecimento global de energia e fertilizantes, que foi encerrado pela acção iraniana, deverá ser protegido por outros países.
“O Estreito de Ormuz terá de ser guardado e policiado, conforme necessário, por outras nações que o utilizem — os Estados Unidos não! Se solicitado, ajudaremos esses países nos seus esforços no Ormuz, mas isso não deverá ser necessário uma vez que a ameaça do Irão seja eliminada. É importante salientar que será uma operação militar fácil para eles”.
Se fosse fácil, as forças americanas em presença na região já tinham resolvido o problema. E Donald Trump sabe muito bem que não é por o crude que passa pelo Estreito não ser dirigido para os Estados Unidos que os americanos deixam de pagar a gasolina a preços exorbitantes, como já está a acontecer.
O anúncio surge numa altura de crescente impopularidade da guerra com o Irão nos EUA e de agravamento do seu impacto económico negativo, e no contexto da proximidade de eleições intercalares nos EUA.
Mais navios de guerra e fuzileiros para o Médio Oriente.
Paradoxalmente, o Departamento de Guerra do Regime Epstein está a enviar três navios de guerra adicionais e aproximadamente 2.500 fuzileiros navais americanos para o Médio Oriente, no segundo destacamento de tropas anunciado no espaço de uma semana. Este último destacamento inclui o grupo anfíbio de prontidão USS Boxer e elementos da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, provavelmente com o objectivo de reforçar os ataques militares conjuntos entre os EUA e Israel contra a República Islâmica do Irão.
No início da semana passada, o Pentágono já tinha mobilizado 2.200 fuzileiros, vários navios de guerra e uma esquadrilha de F-35, sediados no Japão, para a área de operações do Comando Central dos EUA (CENTCOM) no Médio Oriente, possivelmente para participar na tomada da ilha iraniana de Kharg, que serve como um centro crucial para as exportações de petróleo iraniano, albergando extensas instalações portuárias e de armazenamento de petróleo.
Apesar dos novos destacamentos de fuzileiros e do reposicionamento de navios de guerra, o presidente norte-americano insistiu na quinta-feira que não pretende, neste momento, enviar tropas terrestres para o Irão, declarando à imprensa:
“Não, não vou enviar tropas para lado nenhum. Se fosse esse o caso, certamente não vos diria.”
De referir que os mais recentes destacamentos no Médio Oriente coincidem com a saída do porta-aviões USS Gerald R. Ford da sua posição no Mediterrâneo Oriental, junto à costa de Israel, para realizar reparações após um gigantesco incêndio que danificou vastas áreas de alojamento e logística e feriu 100 a 200 marinheiros. O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln permanece posicionado no Mar Arábico.
Uma ameaça explosiva.
Contradizendo o que disse na sexta-feira, mas confirmando que o Estreito de Ormuz continua a roubar-lhe o sono, Trump ameaçou intensificar as hostilidades, no Sábado, escrevendo no Truth Social:
“Se o Irão não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a contar deste preciso momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão as suas diversas CENTRAIS ELÉCTRICAS, COMEÇANDO PELA MAIOR…”
🚨 “If Iran doesn’t FULLY OPEN, WITHOUT THREAT, the Strait of Hormuz, within 48 HOURS from this exact point in time, the United States of America will hit and obliterate their various POWER PLANTS, STARTING WITH THE BIGGEST ONE FIRST…” – President DONALD J. TRUMP pic.twitter.com/htLz1A0Mf7
— The White House (@WhiteHouse) March 22, 2026
Deixar o Irão às escuras terá por certo como consequência a intensificação da retaliação iraniana, que tem muitos alvos estratégicos para atingir ainda, como as estaçções de dessalinização dos países do Golfo, por exemplo, e as refinarias e explorações petrolíferas que estão ainda em actividade.
Netanyahu pede “componente terrestre” na guerra contra o Irão.
Sempre disponível para agravar contextos e escalar as hostilidades, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou a 19 de Março que, para alcançar uma verdadeira mudança de regime no Irão, será necessária uma “componente terrestre”, afirmando:
“Vocês não querem substituir um ayatollah por outro. Não querem substituir Hitler por Hitler.”
Netanyahu enfatizou que, em última análise, o povo iraniano deve impulsionar a mudança.
“Podemos criar as condições, mas eles precisam de aproveitar essas condições num determinado momento”
o Primeiro-ministro israelita destacou ainda as limitações das campanhas aéreas, afirmando:
“É possível fazer muita coisa pelo ar, e estamos a fazê-lo, mas… também é preciso haver uma componente terrestre”.
Embora não tenha especificado o que tais operações poderiam envolver, sugeriu que existiam “muitas possibilidades”. É possível antever que essas possibilidades impliquem a morte de milhares de soldados americanos, já que Israel não tem capacidade militar para uma invasão terrestre do Irão.
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