A Rússia arrecadou cerca de 6 mil milhões de euros com as exportações de combustíveis fósseis desde o início dos ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, a 28 de Fevereiro, de acordo com uma nova análise baseada em dados do Centro de Investigação de Energia e Ar Limpo, um think thank baeado em Helsínquia.

Os números, publicados na quinta-feira pela ONG ambiental alemã Urgewald, sugerem que a turbulência no mercado global de energia, desencadeada pelo conflito no Médio Oriente, impulsionou as receitas de exportação russas nos últimos dias.

De acordo com a análise, a Rússia facturou cerca de 510 milhões de euros por dia com exportações de combustíveis fósseis durante uma semana após o início dos ataques, um valor aproximadamente 14% superior à média diária registada em Fevereiro.

A Urgewald afirmou que, com uma receita diária de aproximadamente 510 milhões de euros, os lucros da Rússia com combustíveis fósseis seriam teoricamente suficientes para comprar cerca de 17.000 drones Shahed por dia, considerando que cada unidade custa cerca de 35.000 dólares, uma estimativa frequentemente citada. Mesmo que o preço se aproxime dos 50.000 dólares por drone, a receita diária ainda cobria o custo de quase 12.000 unidades.

Os números surgem numa altura em que Washington está a rever a pertinência das sanções ao petróleo russo, dada a da instabilidade nos mercados globais de energia após a escalada das tensões com o Irão.

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou uma suspensão temporária das sanções, que permite a compra de petróleo russo que já se encontre em trânsito. Bessent descreveu a medida como limitada e que teria apenas um impacto modesto na receita total da Rússia.

 

 

No entanto, presidente norte-americano, Donald Trump, terá discutido os mercados energéticos, a Ucrânia e a situação em torno do Irão durante um telefonema com o presidente russo, Vladimir Putin, no início desta semana. Segundo os relatos, Trump indicou que as restrições que afectam “alguns países” poderiam ser levantadas para aliviar a pressão sobre o fornecimento global de petróleo.

As sanções ocidentais forçaram o petróleo bruto russo a ser vendido com um desconto substancial, ao mesmo tempo que limitaram o acesso aos serviços financeiros e de transporte marítimo ocidentais. Como resultado, Moscovo tem dependido fortemente de um grupo mais restrito de compradores, incluindo a China e a Índia.

Líderes europeus obcecados em hostilizar Moscovo como Macron, Merz e Von der Leyen manifestaram-se firmemente contra o levantamento das sanções, indiferentes ao facto das populações que representam, ou deviam representar, estarem a pagar a factura da guerra e das políticas energéticas desastrosas da União Europeia.

O chanceler alemão desvalorizou a crise energética que está a devastar a economia do seu país para conseguir criticar o levantamento de sanções sem parecer louco varrido. A monobra não parece ter sido lá muito bem sucedida.

 

 

Há na Europa, ainda assim, quem defenda uma solução mais pragmática para a mais recente crise energética a afectar o velho continente.

A Hungria, por exemplo, insiste que as sanções contra a Rússia devem ser integralmente levantadas, de forma a possibilitar o regular fornecimento de energia à Europa Central e Oriental, que enfrenta actualmente uma escassez de abastecimento em resultado da decisão da Ucrânia de interrupção do fluxo do gasoduto Druzhba.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Hungria, Péter Szijjártó, escreveu a este propósito numa publicação nas redes sociais:

“A UE deve levantar imediatamente a proibição das importações de petróleo e gás russos. Com a escalada da guerra no Médio Oriente e o Estreito de Ormuz encerrado, uma parte significativa do fornecimento global de energia está agora em risco.”

Várias embarcações que tentavam navegar pelo Estreito de Ormuz esta semana foram atingidas por minas iranianas, e os petroleiros ficaram retidos no Mar Arábico, resultando em preços mais elevados nos postos de abastecimento de combustível por toda a Europa.

 

 

Milhares de alemães atravessaram a fronteira para a Polónia para encher os depósitos dos seus veículos, com uma poupança estimada em cerca de 30 euros por depósito, o que levou os presidentes de câmara das cidades fronteiriças polacas a apelar aos postos de gasolina para que suspendessem a venda de combustível e às autoridades fronteiriças para que monitorizassem aqueles que regressavam à Alemanha.