Para a maioria das pessoas, a guerra traz medo e destruição. Para as elites, a preocupação com a sobrevivência. E para os construtores de bunkers, bons negócios.

Como reporta o The Telegraph, Ron Hubbard, um texano de 63 anos que edifica bunkers concebidos para ajudar os clientes a sobreviver a ataques de drones, mísseis balísticos ou até a um apocalipse nuclear, não tem mãos a medir. Com o conflito entre a coligação Epstein e o Irão a alimentar os receios de uma Terceira Guerra Mundial, os negócios nunca estiveram tão bem para a sua empresa, a Atlas.

“Estou a ser inundado de chamadas”, disse Hubbard. As consultas aumentaram “dez vezes” desde que a guerra começou e até dois membros importantes do gabinete da administração Trump estão entre os seus clientes.

“Um deles enviou-me uma mensagem ontem, a perguntar: ‘Quando é que o meu bunker estará pronto?'”

Primeiro, crias uma guerra sem qualquer justificação, que pode conduzir ao apocalipse. Depois, encomendas um bunker para o apocalipse que criaste. Os níveis de cobardia, irresponsabilidade e desvergonha são espantosos. E preocupantes, claro.

 

 

Uma coincidência notável,: a empresa de Hubbard abriu novos escritórios no Dubai no final de Fevereiro. Apenas dois dias depois, mísseis iranianos choveram sobre a glamorosa cidade, enquanto a República Islâmica se vingava dos Estados do Golfo pelo seu apoio à campanha de bombardeamentos lançada pelos Estados Unidos e por Israel. O ataque destruiu a imagem cuidadosamente cultivada da cidade como um paraíso seguro para os expatriados ricos, protegida da instabilidade da região circundante. O texano diz que dois multimilionários da cidade entraram imediatamente em contacto ele para comprar um abrigo.

“Tenho amigos e parceiros de negócios no Dubai e em Abu Dhabi, e muitos americanos vão para lá. Pensavam que nunca veriam bombas a cair. Mas agora estão a ser bombardeados até não aguentarem mais. Agora que foram bombardeados, todos vão querer abrigos. É um facto da vida.”

Hubbard fundou a Atlas Shelters em 2011, depois de a sua empresa anterior, que fabricava portas de ferro, ter sofrido uma quebra nas vendas devido à concorrência chinesa. Nessa altura, as elites de Silicon Valley começavam a interessar-se pela compra de refúgios de emergência. Em 2016, o empreendedor de inteligência artificial Sam Altman revelou que tinha um acordo para, em caso de colapso sistémico, voar para uma propriedade remota na Nova Zelândia pertencente a Peter Thiel, o influente e sinistro bilionário fundador da Palantir.

Mais uma vez: crias tecnologias apocalípticas e depois, tratas de te encontrar refúgio contra a tua criação. Tu podes. Os outros que se lixem. Afinal, é apenas de seres humanos que se trata. Desde que as elites sobrevivam, não há qualquer problema com a extinção da espécie.

O texano afirma ter ajudado a projectar um bunker para o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, no seu rancho no Havai. Além disso, disse ter trabalhado num abrigo ao estilo “caverna masculina” para Andrew Tate – o influenciador das redes sociais que gosta de se apresentar como valente, mas que está pronto a enfiar-se num buraco como os outros todos, caso as coisas comecem a aquecer.