O Presidente Donald J. Trump criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) a 17 de Março, no contexto do crescente atrito com os aliados europeus sobre o conflito com o Irão, considerando que há da parte destes um compromisso desigual com a defesa colectiva.

Respondendo aos jornalistas na Sala Oval, Trump expressou frustração com o nível de apoio da aliança. Enfatizando o encargo financeiro suportado pelos Estados Unidos na defesa da Europa e a falta de solidariedade dos países europeus para com as causas norte-americanas, Trump afirmou:

“Quando não nos ajudam, é certamente algo em que devemos pensar [em abandonar a NATO]. Não preciso do Congresso para tomar essa decisão. (…) Não tenho nada em mente neste momento. Mas não fico propriamente entusiasmado quando os ajudamos com a Ucrânia”.

Para além da humilhação de ter que reconhecer que precisa dos países europeus para lidar com a guerra que provocou desnecessariamente no Golfo, Donald Trump está equivocado sobre a sua capacidade de terminar o envolvimento dos EUA na NATO. Ironicamente, tudo o que tem que fazer para ficar convenientemente esclarecido é perguntar ao seu Secretário de Estado sobre a legalidade desse procedimento, já que Marco Rubio desenvolveu aturados e bem sucedidos esforços legislativos, enquanto senador, precisamente para criar mecanismos que impedem qualquer inquilino da Casa Branca de abandonar a Aliança Atlântica sem autorização do Congresso.

Mais: Marco Rubio trabalhou neste sentido, em 2016, com congressistas democratas ligados a Hillary Clinton, precisamente a pensar na eventualidade de Donald Trump chegar ao poder e querer abandonar a NATO.

Numa publicação no Truth Social, na terça-feira, Trump argumentou que a aliança atlântica tem operado como um acordo de obrigações unilaterais.

“Sempre considerei a NATO, onde gastamos centenas de milhares de milhões de dólares por ano a proteger esses mesmos países, como uma via de sentido único – nós protegemo-los, mas eles não fazem nada por nós, particularmente num momento de necessidade.”

Os comentários surgem na sequência da resistência de várias nações europeias aos esforços liderados pelos EUA contra o regime islâmico do Irão, particularmente no Estreito de Ormuz, uma rota petrolífera global crucial. O Reino Unido, a Itália, a França e a Alemanha recusaram responder assertivamente ao apelo de Trump para que participassem militarmente na defesa do Estreito ena  protecção das rotas marítimas entre o Mar Arábico e o Golfo Pérsico, tendo o Ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarado:

“Esta não é a nossa guerra, não a começámos”.

O impasse surge num contexto em que a pressão sobre os EUA aumenta na directa proporção da subida dos preços do petróleo.

A divergência sublinha preocupações mais amplas sobre a unidade e a partilha de encargos na NATO. O Secretário-Geral da organização, Mark Rutte, atribuiu recentemente a Trump o mérito de ter pressionado os Estados-membros a aumentarem as despesas de defesa e a reforçarem a aliança, reconhecendo mesmo que esta poderia vacilar sem essa direcção. Mas ao mesmo tempo, figuras próximas de Trump, como JD Vance, manifestaram preocupação com o facto de as mudanças políticas e demográficas na Europa poderem tornar alguns aliados menos fiáveis e alertou para os perigos de líderes muçulmanos poderem tomar o poder em países europeus com arsenal nuclear, como a França e o Reino Unido.

A Questão da Gronelândia, território dinamarquês que Donald Trump tem ameaçado ocupar “a bem ou a mal“, também tem contribuído para as tensões entre os dois lados do Atlântico.