Joe Kent, veterano de guerra condecorado e antigo candidato ao Congresso apoiado por Donald Trump, demitiu-se do cargo de Director do Centro Nacional de Contraterrorismo norte-americano. A sua demissão é um protesto contra a guerra em curso no Irão.
Kent anunciou a sua decisão na plataforma de redes sociais X, declarando:
“Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de Director do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje.”
Kent expressou a sua incapacidade para apoiar a guerra, alegando que o Irão não representa uma ameaça iminente para os Estados Unidos e sugerindo que o conflito foi iniciado devido a pressões externas.
A declaração refere:
“É claro que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano”.
Apesar da sua demissão, Kent reconheceu a honra de servir sob a actual administração e de liderar os profissionais do Centro Nacional de Contraterrorismo, concluindo com uma mensagem de apoio aos Estados Unidos. E tenta de todas as maneiras poupar o presidente à responsabilidade directa pelo conflito no Médio Oriente, procurando transferir essa responsabilidade para o lobby sionista, representando Donald Trump como alguém que foi enganado e iludido de forma a entrar com Israel nesta guerra.
A tese é discutível, no mínimo. E mesmo que fosse factual, Trump não sai também muito favorecido dessa fotografia.
After much reflection, I have decided to resign from my position as Director of the National Counterterrorism Center, effective today.
I cannot in good conscience support the ongoing war in Iran. Iran posed no imminent threat to our nation, and it is clear that we started this… pic.twitter.com/prtu86DpEr
— Joe Kent (@joekent16jan19) March 17, 2026
Segue uma tradução livre da sua carta de demissão, dirigida a Donald Trump.
Presidente Trump,
Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de Director do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeitos a partir de hoje.
Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irão. O Irão não representava qualquer ameaça iminente para a nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby americano.
Apoio os valores e as políticas externas que defendeu nas suas campanhas de 2016, 2020 e 2024, e que implementou no seu primeiro mandato. Até Junho de 2025, compreendeu que as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que roubava aos Estados Unidos as preciosas vidas dos nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade da nossa nação.
No seu primeiro governo, o senhor compreendeu melhor do que qualquer presidente moderno como aplicar o poder militar de forma decisiva, sem nos arrastar para guerras intermináveis. O senhor demonstrou-o ao matar Qasam Solamani e ao derrotar o Estado Islâmico.
No início deste governo, altos funcionários israelitas e membros influentes dos meios de comunicação social americanos lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma “América Primeiro” e semeou sentimentos pró-guerra para encorajar um conflito com o Irão. Esta câmara de eco foi utilizada para os enganar, fazendo-os acreditar que o Irão representava uma ameaça iminente para os Estados Unidos e que, se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isto é mentira e é a mesma táctica que os israelitas usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares dos nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente.
Como veterano que serviu em combate 11 vezes e como marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro, tendo perdido a minha amada esposa Shannon numa guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz qualquer benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas.
Rezo para que reflicta sobre o que estamos a fazer no Irão e para quem o estamos a fazer. O momento de agir com ousadia é agora. Pode inverter o rumo e traçar um novo caminho para a nossa nação, ou pode permitir-nos deslizar ainda mais para o declínio e o caos. As cartas estão nas suas mãos.
Foi uma honra servir na sua administração e servir a nossa grande nação.
José Kent
Director do Centro Nacional de Contraterrorismo
Neste caso específico, são os ratos que permanecem no barco naufragante. Seria de esperar que Tulsi Gabbard, a Directora de Inteligência da Casa Branca, saísse a seguir, mas, à luz do post que publicou ontem no X, parece agora rendida ao regime Epstein.
Donald Trump was overwhelmingly elected by the American people to be our President and Commander in Chief. As our Commander in Chief, he is responsible for determining what is and is not an imminent threat, and whether or not to take action he deems necessary to protect the…
— DNI Tulsi Gabbard (@DNIGabbard) March 17, 2026
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