A China, o Japão e vários países europeus rejeitaram o apelo de Donald Trump para se envolverem militarmente na operação Epstein Fury, participando na defesa do Estreito de Ormuz, de forma a que o canal seja aberto ao trânsito internacional.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China rejeitou na sexta-feira a sugestão do presidente norte-americano, de que as nações com marinhas poderosas enviem navios de guerra para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz. Esta resposta surge em plena guerra em curso entre os EUA e Israel com o Irão, que tem perturbado o fornecimento global de energia e fertilizantes, uma vez que a república islâmica minou o Estreito e tem atacado embarcações ao longo da importante rota marítima e mais além.
O Pentágono enviou entretanto recursos militares adicionais para a área, como uma unidade expedicionária de fuzileiros navais, agora que os combates chegam à terceira semana.
Como parceiro próximo do Irão e um dos principais compradores do seu petróleo, a China denunciou a campanha militar EUA-Israel e manifestou preocupação com o aumento das tensões na região. Contudo, as reservas estratégicas da China e o acesso a outras opções de energia podem permitir que o país lide com eventuais interrupções no fornecimento de forma mais eficaz do que outros países. Até porque há indicações que Teerão está disposto a deixar passar no Estreito navios de bandeira chinesa.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou a este propósito:
“A posição da China é clara. Mais uma vez, apelamos a todas as partes para que cessem imediatamente as acções militares, evitem que as tensões se agravem e se intensifiquem, e impeçam que a turbulência regional tenha um grande impacto no crescimento económico global.”
Numa publicação no Truth Social, no sábado, Trump pressionou países como a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul e o Reino Unido a contribuírem com forças navais para “tornar o estreito aberto e seguro”. No entanto, todas estas nações, à excepção da Coreia, que ainda não se pronunciou, já sinalizaram que não têm qualquer intenção de enviar navios de guerra. A Alemanha declarou categoricamente que a guerra com o Irão “não tem nada a ver com a NATO”.
Em contrapartida, Trump alertou:
“Se não houver resposta ou se a resposta for negativa aos meus pedidos de ajuda, penso que será muito mau para o futuro da NATO”.
É questionável que a chantagem reforce as relações entre países aliados, mas também é verdade que a Europa depende dos EUA para a sua defesa e para o cumprimento das suas políticas tresloucadas em relação à Ucrânia, e a reacção de Trump parece, a essa luz, compreensível.
Circulam até notícias de que há países europeus a tentarem negociar com o Irão, à revelia dos americanos, a passagem dos navios com as suas bandeiras no Estreito de Ormuz (como o Irão está a fazer por exemplo com a China).
WOW Big News : The US Navy has lost control of the Strait of Hormuz. Iran’s FM confirms European nations are secretly negotiating directly with Tehran for safe passage of their ships, completely bypassing Washington. pic.twitter.com/TP2xViNGIb
— Furkan Gözükara (@FurkanGozukara) March 15, 2026
Seja como for, parece que esta guerra no Golfo pode até ter enfim uma boa consequência: o fim da NATO.
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