A presidente da Comissão Europeia classificou o retrocesso da energia nuclear na Europa como um “erro estratégico”, apesar de ter votado a favor da sua eliminação gradual na Alemanha, quando era deputada.
Ursula von der Leyen defendeu que a Europa deve liderar a revitalização do sector da energia nuclear, mas apoiou pessoal e decisivamente a desgraçada iniciativa de eliminar gradualmente o sector da energia nuclear da Alemanha enquanto fazia parte do governo de Angela Merkel.
Num discurso proferido na terça-feira na Cimeira da Energia Nuclear, em Paris, von der Leyen defendeu que a energia nuclear deve tornar-se um pilar central do sistema energético europeu, juntamente com as energias renováveis, alertando que os elevados preços da electricidade ameaçam a competitividade industrial do continente e afirmando:
“Os preços da electricidade na Europa são estruturalmente muito elevados. Isto é extremamente importante. A electricidade acessível não é apenas importante para o custo de vida dos nossos cidadãos, mas também é decisiva para a nossa competitividade industrial.”
Ah, a sério? A senhora descobriu agora a pólovra.
A líder leninista-globalista argumentou que a Europa enfrenta uma desvantagem estrutural por depender da importação de combustíveis fósseis, acrescentando que a energia nuclear e as energias renováveis, em conjunto, poderiam proporcionar as “garantias conjuntas de independência, segurança de abastecimento e competitividade”.
Von der Leyen afirmou ainda que a Europa cometeu um “erro estratégico” ao permitir que a energia nuclear decaísse nas últimas três décadas.
“Enquanto em 1990 um terço da electricidade da Europa provinha da energia nuclear, hoje esse número aproxima-se dos 15%. Esta redução da quota da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico a Europa virar as costas a uma fonte de energia fiável, acessível e de baixas emissões.”
Europe needs homegrown, low-carbon energy sources.
Nuclear & renewables together have a key role to play
Nuclear energy is available around the clock, providing electricity all year.
Europe has been a pioneer in nuclear technology.
And can lead again ↓ https://t.co/Eg7gl1548K— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) March 10, 2026
A Presidente da Comissão delineou planos para revitalizar o sector através do apoio a reactores de nova geração e a pequenos reatores modulares (SMRs), incluindo uma proposta de um programa de garantia da UE de 200 milhões de euros destinado a atrair investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras. A UE está também a preparar uma estratégia para tornar a tecnologia SMR operacional em toda a Europa no início da década de 2030.
No entanto, von der Leyen esqueceu-se de dizer que teve um papel na decisão que desmantelou o programa de energia nuclear da Alemanha.
Após o desastre nuclear de Fukushima, em Março de 2011, o governo de Merkel reverteu abruptamente a anterior política pró-nuclear da Alemanha e aprovou legislação para a desactivação gradual dos reactores do país. A 30 de Junho de 2011, o Bundestag alemão votou esmagadoramente a favor do fim da energia nuclear até 2022, aprovando a medida por 513 votos contra apenas 79 (!).
Na altura, von der Leyen era deputada do Bundestag pelo partido CDU e também ministra do Trabalho no governo de Merkel, e votou a favor da desactivação gradual.
A política, conhecida como Energiewende, acabou por levar ao encerramento das últimas centrais nucleares da Alemanha, em Abril de 2023.
A decisão, a todos os títulos criminosa, contribuiu enormemente para a crise energética generalizada na Europa, forçando a Alemanha — a maior economia europeia — a depender cada vez mais da importação de electricidade, incluindo energia nuclear proveniente de países vizinhos, elevando os preços da energia para famílias e empresas.
Durante os períodos de baixa geração de energia eólica e solar, a Alemanha teve de importar repetidamente grandes volumes de electricidade de França, onde os reactores operados pela Électricité de France continuam a fornecer energia nuclear à rede.
De facto, enquanto a Alemanha desactivava a suas centrais com o apoio implícito da Comissão Europeia, outros países não foram tão míopes. A França optou pela cautela, mantendo as suas infraestruturas de produção de energia nuclear em funcionamento, enquanto muitos países da Europa Central e Oriental, incluindo a Polónia e a Hungria, aumentaram a sua produção de energia nuclear.
No ano passado, o economista Manuel Frondel, do RWI – Instituto Leibniz de Investigação Económica, alertou que a política energética da Alemanha a tinha deixado vulnerável, afirmando:
“Ao eliminarmos gradualmente a energia nuclear e o carvão, tornámo-nos extremamente dependentes dos países estrangeiros e aceitámos maiores riscos de abastecimento.”
Von der Leyen, defensora da decisão do governo de Merkel de auto-sabotar a rede eléctrica alemã, defende agora que a Europa ainda tem capacidade para recuperar a liderança global na tecnologia nuclear.
“A corrida tecnológica nuclear está em curso, mas sabemos que a Europa tem tudo o que precisa para liderar.”
A autoritária e imbecil e eleita por ninguém presidente da Comissão Europeia será a última criatura a contribuir efectivamente para que a Europa lidere seja o que for.
Relacionados
17 Abr 26
Giorgia Meloni suspende pacto de defesa com Israel. Acto contínuo: Donald Trump diz que está “desiludido” com ela.
Logo depois da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciar a suspensão da renovação automática de um antigo acordo de defesa com Israel, Donald Trump manifestou desapontamento com a primeira-ministra italiana. Uma coincidência. Não há nada para ver aqui.
16 Abr 26
A vitória de Péter Magyar na Hungria: Será preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma?
A derrota de Viktor Orbán pode ser interpretada como o fim de um ciclo político e a abertura de um novo, marcado pela recomposição do campo conservador húngaro, mais próximo da UE. Mas será que estamos perante mudanças de fundo? A análise de Francisco Henriques da Silva.
16 Abr 26
Regime Trump lança plataforma global de liberdade de expressão para combater a censura.
O Departamento de Estado norte-americano está a lançar o Freedom.gov, uma aplicação que pretende fornecer aos utilizadores de todo o mundo o acesso a conteúdos censurados por regimes totalitários como os que vigoram no Reino Unido e na União Europeia.
16 Abr 26
Milagre económico do Regime Epstein: Crescimento do PIB americano no último trimestre de 2025 foi 2,3% abaixo do esperado.
O Departamento de Análise Económica do governo federal americano reviu a sua projecção de crescimento do PIB dos EUA para o último trimestre de 2025 de uns iniciais 2,8% para 0,5%. A economia americana cresceu no ano passado menos de metade do que a economia chinesa.
15 Abr 26
Depois de derrota de Orbán, von der Leyen age rapidamente para abolir o poder de veto das nações e instituir votação por “maioria qualificada”.
Logo após a vitória de Péter Magyar na Hungria, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE precisa de trabalhar para eliminar o poder de veto dos Estados-membros. Há que sujeitar tudo e todos à tirania de Bruxelas.
14 Abr 26
Trump publica imagem em que se faz representar como Jesus Cristo curando os doentes. A seguir arrepende-se e mente com quantos dentes tem.
Somando mais um desvario que deixa meio mundo a pensar que enlouqueceu de vez, Donald J. Trump publicou no Truth Social uma ilustração que o representava como Jesus Cristo. Depois arrependeu-se, apagou o post e decidiu mentir sobre o assunto, com flagrante desfaçatez.






