Apesar dos contínuos ataques aéreos e com mísseis dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irão, o regime dos aiatolás mantém um controlo firme do país. Uma avaliação das agências de informação norte-americanas sugere que o Irão perdeu dezenas de importantes líderes políticos e militares, mas que o colapso da República Islâmica pode estar longe de acontecer.
De acordo com uma fonte da comunidade de inteligência que falou à imprensa, uma “enormidade” de relatórios indica “análises consistentes de que o regime não corre perigo” de cair e “mantém o controlo da população iraniana”.
Desde o início da Operação Epstein Fury, desencadeada a 28 de Fevereiro, os militares norte-americanos e israelitas têm atacado sistematicamente instalações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), esquadras de polícia e até assassinado o Líder Supremo do país, o Ayatollah Ali Khamenei, para enfraquecer a posição de controlo do regime.
O presidente dos EUA, Donald J. Trump, tem incentivado o povo iraniano a levantar-se contra o regime islamista. Mas essa sublevação não se materializou. Parece que bombardear escolas, matando centenas de crianças, e assassinar líderes religiosos não é uma boa maneira de ganhar o coração dos povos…
Confrontados com a resiliência do regime iraniano, os responsáveis do regime Trump têm constantemente movido os postes da baliza onde guardam os seus alegados objectivos estratégicos. Da “libertação do povo persa” à destruição do programa de armas nucleares e do stock de mísseis balísticos do Irão, já passámos à “neutralização militar” do país islâmico e a uma “operação militar preventiva”, que decorre da certeza de que Israel atacaria o Irão, com o apoio dos EUA ou sem ele, e que a república islâmica iria sempre retaliar contra posições americanas no Médio Oriente.
Acontece que a participação dos EUA no ataque não impediu a destruição das bases militares americanas na região do Golfo.
🚨🌏 “Satellite imagery showing the extent of the damage done to US military facilities across the Gulf countries”
CNN report detailing some of the damage caused by Iran on American military bases. pic.twitter.com/8yUPhAjBML
— Concerned Citizen (@BGatesIsaPyscho) March 4, 2026
O Pentágono também não foi capaz de inviabilizar o fecho do Estreito de Ormuz, cujo impacto económico global é devastador e que foi surpreendente apenas para as luminárias da Casa Branca que, aparentemente, não souberam prever o óbvio.
BREAKING: Top Government officials in the Trump administration told lawmakers in recent classified briefings that they had not planned for Iran potentially closing the Strait of Hormuz, believing such a move would ultimately harm Iran more than the United States, according to… pic.twitter.com/pz4WgUvwdh
— Brian Krassenstein (@krassenstein) March 13, 2026
Aparentemente, Trump sabia que, se atacasse o Irão, o regime islâmico fecharia o Estreito de Ormuz. Assim, atacou o Irão para impedir o regime islâmico de fechar o Estreito de Ormuz. E agora, apesar de Trump, o Estreito de Ormuz está fechado. Tudo isto faz imenso sentido.
Trump knew that if he attacked Iran, they would shut down the Strait of Hormuz. So he attacked Iran to prevent them from shutting down the Strait of Hormuz. https://t.co/wy1CzOfqOs
— Alex Christoforou (@AXChristoforou) March 15, 2026
Após apenas 12 dias, a Operação Epstein Fury já se tornou a segunda maior operação militar dos EUA no Médio Oriente, rivalizando apenas com a invasão do Iraque em 2003. E há agora relatos de que os EUA se preparam para uma invasão terrestre do Irão, com milhares de marines a serem mobilizados para o efeito.
A Casa Branca aposta tudo num jogo de roleta russa com cinco balas num tambor de seis câmaras.
Boa sorte.
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