Apesar dos contínuos ataques aéreos e com mísseis dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irão, o regime dos aiatolás mantém um controlo firme do país. Uma avaliação das agências de informação norte-americanas sugere que o Irão perdeu dezenas de importantes líderes políticos e militares, mas que o colapso da República Islâmica pode estar longe de acontecer.

De acordo com uma fonte da comunidade de inteligência que falou à imprensa, uma “enormidade” de relatórios indica “análises consistentes de que o regime não corre perigo” de cair e “mantém o controlo da população iraniana”.

Desde o início da Operação Epstein Fury, desencadeada a 28 de Fevereiro, os militares norte-americanos e israelitas têm atacado sistematicamente instalações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), esquadras de polícia e até assassinado o Líder Supremo do país, o Ayatollah Ali Khamenei, para enfraquecer a posição de controlo do regime.

O presidente dos EUA, Donald J. Trump, tem incentivado o povo iraniano a levantar-se contra o regime islamista. Mas essa sublevação não se materializou. Parece que bombardear escolas, matando centenas de crianças, e assassinar líderes religiosos não é uma boa maneira de ganhar o coração dos povos…

Confrontados com a resiliência do regime iraniano, os responsáveis do regime Trump têm constantemente movido os postes da baliza onde guardam os seus alegados objectivos estratégicos. Da “libertação do povo persa” à destruição do programa de armas nucleares e do stock de mísseis balísticos do Irão, já passámos à “neutralização militar” do país islâmico e a uma “operação militar preventiva”, que decorre da certeza de que Israel atacaria o Irão, com o apoio dos EUA ou sem ele, e que a república islâmica iria sempre retaliar contra posições americanas no Médio Oriente.

Acontece que a participação dos EUA no ataque não impediu a destruição das bases militares americanas na região do Golfo.

 

O Pentágono também não foi capaz de inviabilizar o fecho do Estreito de Ormuz, cujo impacto económico global é devastador e que foi surpreendente apenas para as luminárias da Casa Branca que, aparentemente, não souberam prever o óbvio.

 

Aparentemente, Trump sabia que, se atacasse o Irão, o regime islâmico fecharia o Estreito de Ormuz. Assim, atacou o Irão para impedir o regime islâmico de fechar o Estreito de Ormuz. E agora, apesar de Trump, o Estreito de Ormuz está fechado. Tudo isto faz imenso sentido.

 

 

Após apenas 12 dias, a Operação Epstein Fury já se tornou a segunda maior operação militar dos EUA no Médio Oriente, rivalizando apenas com a invasão do Iraque em 2003. E há agora relatos de que os EUA se preparam para uma invasão terrestre do Irão, com milhares de marines a serem mobilizados para o efeito.

A Casa Branca aposta tudo num jogo de roleta russa com cinco balas num tambor de seis câmaras.

Boa sorte.