As autoridades da coligação Epstein estão agora a alterar as suas expectativas quanto ao resultado do ataque ao Irão, com a mudança de regime a ser gradualmente descartada tanto por Israel como pelos EUA, uma vez que ambas as nações começaram a perceber que o regime iraniano é muito mais resiliente e está muito mais entrincheirado do que calcularam.

Em Washington, as incoerências na explicação dos objectivos e expectativas da guerra são cada vez mais evidentes, e se inicialmente a “libertação do Irão” e a mudança de regime foram as notas retóricas mais usadas, a simples “neutralização militar” domina agora o discurso.

Mas há dados que sugerem que, se as hostilidades cessarem em breve, o Irão será capaz de recuperar material nuclear enriquecido e reconstruir as suas forças armadas, sendo que essas informações têm servido de justificação para aqueles que defendem a colocação de tropas americanas no terreno e a intensificação dos bombardeamentos indiscriminados e massivos.

A persistência e a solidariedade demonstradas pelo povo iraniano, especialmente nos centros urbanos, mostram que é improvável que o Irão ceda à pressão a que está a ser submetido, com muitos dissidentes a apoiarem agora o regime como resultado dos brutais ataques israelitas e americanos.

O resultado, que permanece incerto, tem o potencial de deixar os EUA e Israel com um adversário muito mais belicoso, calculista e perigoso, exigindo potencialmente operações militares frequentes ou algum tipo de ocupação.

Basta pensar que o novo líder supremo do Irão é agora um homem cuja família foi morta no ataque americano à residência do Aiatolá Khomeini, a 28 de Fevereiro. Será por certo um adversário mais radicalizado que o seu pai.

Mais a mais, alguns membros da administração Trump, como Witkoff, afirmaram não fazer ideia do que irá acontecer.

 

 

Acresce que a situação no Estreito de Ormuz é agora absolutamente catastrófica.

 

 

A administração Trump tem sido criticada pela falta de planeamento para o choques energético decorrente da guerra que desnecessariamente provocou, bem como pela ingenuidade em relação à situação política no Irão.

E enquanto Donald Trump entretém os media com ficção científica, os soldados americanos continuam a morrer no Golfo Pérsico.

 

 

Mas convenhamos: este nível de incompetência não é plausível. A verdade é que a guerra, segundo o Regime Epstein, não é feita para ser ganha. É feita para ser destruidora. Apocalíptica, se possível. O objectivo não é libertar, civilizar, dominar ou pacificar o Médio Oriente. O objectivo é instalar o caos na região, no mínimo e, se tudo correr “bem”, espoletar a III Guerra Mundial e um conflito termo-nuclear, que por definição não tem vencedores.

 

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher. ContraCultura