As autoridades da coligação Epstein estão agora a alterar as suas expectativas quanto ao resultado do ataque ao Irão, com a mudança de regime a ser gradualmente descartada tanto por Israel como pelos EUA, uma vez que ambas as nações começaram a perceber que o regime iraniano é muito mais resiliente e está muito mais entrincheirado do que calcularam.
Em Washington, as incoerências na explicação dos objectivos e expectativas da guerra são cada vez mais evidentes, e se inicialmente a “libertação do Irão” e a mudança de regime foram as notas retóricas mais usadas, a simples “neutralização militar” domina agora o discurso.
Mas há dados que sugerem que, se as hostilidades cessarem em breve, o Irão será capaz de recuperar material nuclear enriquecido e reconstruir as suas forças armadas, sendo que essas informações têm servido de justificação para aqueles que defendem a colocação de tropas americanas no terreno e a intensificação dos bombardeamentos indiscriminados e massivos.
A persistência e a solidariedade demonstradas pelo povo iraniano, especialmente nos centros urbanos, mostram que é improvável que o Irão ceda à pressão a que está a ser submetido, com muitos dissidentes a apoiarem agora o regime como resultado dos brutais ataques israelitas e americanos.
O resultado, que permanece incerto, tem o potencial de deixar os EUA e Israel com um adversário muito mais belicoso, calculista e perigoso, exigindo potencialmente operações militares frequentes ou algum tipo de ocupação.
Basta pensar que o novo líder supremo do Irão é agora um homem cuja família foi morta no ataque americano à residência do Aiatolá Khomeini, a 28 de Fevereiro. Será por certo um adversário mais radicalizado que o seu pai.
Mais a mais, alguns membros da administração Trump, como Witkoff, afirmaram não fazer ideia do que irá acontecer.
🚨BREAKING: Steve Witkoff after convincing Trump to attack Iran, he now says he has no idea how the war will end.pic.twitter.com/U8W5o1RXBi
— Jackson Hinkle 🇺🇸 (@jacksonhinklle) March 10, 2026
Acresce que a situação no Estreito de Ormuz é agora absolutamente catastrófica.
📸 This is literally how things look like at the Strait of Hormuz.
A real photo (confirmed not AI) from Salalah, Oman.
Source: @MarhelmData pic.twitter.com/ehWVJTVvJX
— Clash Report (@clashreport) March 11, 2026
A administração Trump tem sido criticada pela falta de planeamento para o choques energético decorrente da guerra que desnecessariamente provocou, bem como pela ingenuidade em relação à situação política no Irão.
E enquanto Donald Trump entretém os media com ficção científica, os soldados americanos continuam a morrer no Golfo Pérsico.
Trump:
The laser technology that we have now is incredible. It’s coming out pretty soon, where literally lasers will do the work of, at a lot less cost, what the Patriots are doing and what other things are doing. pic.twitter.com/Rf30RbgVQy
— Clash Report (@clashreport) March 9, 2026
An Iranian drone strike on a U.S. tactical operations center at Kuwait’s Shuaiba port on March 1 killed six American service members and injured dozens more.
Injuries included traumatic brain injuries, burns, shrapnel wounds and memory loss, with at least one limb amputation… pic.twitter.com/hivINoTPMz
— Clash Report (@clashreport) March 11, 2026
Mas convenhamos: este nível de incompetência não é plausível. A verdade é que a guerra, segundo o Regime Epstein, não é feita para ser ganha. É feita para ser destruidora. Apocalíptica, se possível. O objectivo não é libertar, civilizar, dominar ou pacificar o Médio Oriente. O objectivo é instalar o caos na região, no mínimo e, se tudo correr “bem”, espoletar a III Guerra Mundial e um conflito termo-nuclear, que por definição não tem vencedores.
Paulo Hasse Paixão
Publisher. ContraCultura
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