Investigadores militares norte-americanos acreditam que é provável que as forças do Pentágono sejam responsáveis ​​pelo ataque a uma escola feminina iraniana que matou 160 crianças no sábado, 28 de Fevereiro, mas ainda não chegaram a uma conclusão final nem concluíram a investigação, segundo disseram dois responsáveis ​​norte-americanos à Reuters.

Detalhes sobre a investigação são ainda difusos, mas o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, reconheceu na quarta-feira que os militares norte-americanos estavam a investigar o incidente. As autoridades, que falaram sob anonimato já que falavam de assuntos militares altamente sensíveis, não descartaram a possibilidade de poderem surgir novas provas que ilibem os EUA de responsabilidade e apontem para outra parte responsável pelo incidente.

Mas nesta altura, ninguém acredita nessa hipótese e até o New York Times, que tem defendido esta guerra, já dá como facto consumado que a investigação concluiu pela responsabilidade exclusiva dos EUA neste tenebroso crime de guerra.

 

 

A escola feminina de Minab, no sul do Irão, foi atingida no sábado, durante o primeiro dia de ataques dos EUA e de Israel ao país dos aiatolás. O embaixador do Irão na ONU em Genebra, Ali Bahreini, disse que o ataque matou 150 estudantes. Mas os números podem ter chegado às 175 meninas.

De acordo com cópias arquivadas no seu site oficial, a escola fica ao lado de um complexo operado pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a força militar subordinada ao líder supremo do Irão.

A Casa Branca não comentou directamente a investigação, mas a secretária de imprensa Karoline Leavitt disse em comunicado:

“Embora o Departamento de Guerra esteja actualmente a investigar este assunto, é o regime iraniano que tem como alvo civis e crianças, não os Estados Unidos da América”.

Questionado sobre o incidente durante uma conferência de imprensa na quarta-feira, Hegseth disse:

“Estamos a investigar isso. É claro que nunca temos como alvo civis. Mas estamos a analisar e a investigar o sucedido”.

Esta declaração é completamente falsa. Os bombardeamentos norte-americanos em áreas residenciais de várias cidades iranianas já causaram mais de mil mortos entre a população civil.

 

 

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse aos jornalistas na segunda-feira que os Estados Unidos não atacariam deliberadamente uma escola, mas dirigiu a questão para o Pentágono:

“O Departamento de Guerra investigaria isto se fosse um ataque nosso, e eu encaminharia a sua pergunta para eles.”

As forças israelitas e norte-americanas dividiram os seus ataques no Irão até agora, tanto geograficamente como por tipo de alvo. Enquanto Israel atacou locais de lançamento de mísseis no oeste do Irão, os Estados Unidos atacaram alvos semelhantes, bem como alvos navais, no sul.

N.R. Jenzen-Jones, director da Armament Research Services, uma empresa de consultoria de investigação de munições afirmou a este propósito:

“Em conjunto, as imagens de satélite e os vídeos disponíveis sugerem que a escola e o complexo adjacente da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foram atingidos por múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos com munições explosivas, provavelmente lançadas por via aérea.”

Outras investigações em curso ou já concluídas apontam claramente para a responsabilidade das forças norte-americanas na calamidade.

 

 

As evidências apontam para que a escola tenha sido atingida por um, ou vários, Tomahawk. Donald Trump tem tentado vender a história, implausível, de que os mísseis Tomahawk em questão foram disparados pelos iranianos, quando toda a gente sabe que estes projécteis são acessíveis apenas às forças americanas e a um pequeno grupo de aliados próximos, devido a rigorosos controles de exportação. Quando foi confrontado com essa realidade, e com o facto de ser o único em toda a administração americana a alegar semelhante disparate, o presidente americano teve que recuar e afirmar que viverá bem com o resultado da investigação em curso seja ela qual for.

 

 

Especula-se que o alvo tenha sido seleccionado por sistemas de inteligência artificial, confirmando a ideia de que o Pentágono está a utilizar estas tecnologias sem qualquer controlo humano, protocolo que será eticamente aberrante, até porque dilui as responsabilidades.

 

 

Imagens do funeral das meninas na terça-feira foram exibidas na televisão estatal iraniana. Os seus pequenos caixões estavam cobertos com bandeiras iranianas e foram transportados de um camião através de uma grande multidão em direcção ao local da sepultura.

 

 

Atacar deliberadamente uma escola, um hospital ou qualquer outra estrutura civil é um crime de guerra, de acordo com o direito internacional. Mas mesmo que o ataque não tenha sido deliberado, deriva de uma guerra injustificável, contra um país que não a provocou. E poderá resultar de uma filosofia de selecção de alvos por inteligência artificial que é – em si mesma- criminosa.

A confirmar-se a participação dos EUA, o ataque figurará entre os piores casos de vítimas civis em décadas de conflitos americanos no Médio Oriente.