O registo da administração Trump e do seu líder sobre a Guerra no Irão tem sido, desde o princípio mas especialmente nos últimos dias, de natureza esquizofrénica.
Uma guerra que ia durar quatro ou cinco dias, vai alongar-se por quatro ou cinco semanas, ou quatro ou cinco meses. Uma guerra que só terminará com a rendição incondicional do regime iraniano, afinal pode acabar já amanhã. Ou não. Se calhar é uma guerra que está penas no seu início. Se calhar haverá uma invasão com tropas no terreno. Se calhar, não.
Uma guerra que foi feita para libertar o povo iraniano, mas que lhe mata os seus filhos. Uma guerra que foi feita para mudar o regime teocrático mas que pode ser terminada com um teocrata no poder. Uma guerra que agora foi feita para travar as ambições nucleares do Irão, que já tinham sido completamente aniquiladas em Junho de 2025. Uma guerra que foi feita porque os israelitas a iam fazer de qualquer forma, com o apoio ou sem o apoio dos Estados Unidos, e uma guerra que foi feita por iniciativa dos Estados Unidos, para combater os interesses da China. Enfim, esta guerra tem tantos motivos, e todos tão espúrios, que até serve o fundamentalismo escatológico cristão-sionista, anunciando a construção do Terceiro Templo em Jerusalém e correspondente Armagedão.
Esta é aliás uma guerra que não é uma guerra, porque para ser uma guerra precisava da autorização do Congresso, que não teve.
Eis enfim a lógica do Regime Epstein: confundir, iludir, desinformar, distrair. E no entretanto, destruir.
“Tell them the war will last 4 days.”
“Now tell them 5 weeks.”
“Good, now say at least until September.”
“Great, now say it’s very complete.”
“Now tell them it’s also just beginning.” pic.twitter.com/qz09Le646v— The ₿itcoin Therapist (@TheBTCTherapist) March 10, 2026
Trump afirmou na segunda-feira que a operação militar norte-americana contra a República Islâmica do Irão está “muito” adiantada em relação ao calendário e provavelmente perto da conclusão, declarando:
“Acho que a guerra está praticamente concluída. Não têm marinha, nem comunicações, nem força aérea, nem liderança. Podemos dizer que a operação foi um sucesso tremendo e terminá-la ou podemos continuar. E vamos continuar.”
President Trump says the war is “very complete” but also says “this is just the beginning”.pic.twitter.com/A1Ltzr2qZx
— The ₿itcoin Therapist (@TheBTCTherapist) March 9, 2026
Não há qualquer prova de que os iranianos estejam sem comunicações e a sua marinha, assimétrica e constituída de milhares de pequenas lanchas de combate pensadas para desestabilizar o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, não foi ainda criticamente atingida. E o Irão tem um novo “supremo líder”, o filho do anterior aiatolá, Mojtaba Khamenei.
HOLY SHIT!! 🤯
THIS WAR IS JUST GETTING STARTED!The Iranian regime shows footage of underground naval tunnels packed with fast-attack boats, anti-ship missiles, and naval mines. pic.twitter.com/VoIKeowhj0
— JackTheRippler ©️ (@RippleXrpie) March 11, 2026
Acresce que a primeira arma dos iranianos não é a marinha nem a força aérea. É a sua capacidade balística. E essa, continua operacional, como podem testemunhar os residentes em Telavive.
Focus on the 40-second mark.
Terrifying scenes captured moments ago near Ben Gurion Airport.
Iranian missiles are pouring down like rain. pic.twitter.com/DzeQVYWi1s
— Iran Press (@GP_Presss) March 8, 2026
O objectivo da Casa Branca, que era o de mudança de regime, não foi concluído de todo. Mas dá a nítida sensação que Donald Trump já está a tentar levantar argumentos retóricos que lhe permitam sair airosa e rapidamente do buraco sem fundo em que se enfiou. E isto contra afirmações de outros membros da sua administração que falam já num conflito que pode estender-se até Setembro.
Até porque, na directa proporção das suas mentiras, há evidências claras de que as bases americanas no Golfo e a sua rede de telecomunicações foi completamente destruída pelos mísseis e drones iranianos, desde 28 de Fevereiro. E o impacto económico desta guerra, que a alongar-se será devastador, estará também a assustar o presidente americano, num ano de eleições intercalares nos EUA.
Às falaciosas declarações já citadas, Trump acrescentou:
“Já dispararam sobre tudo o que tinham para disparar, e é melhor que não tentem nada de esperto, ou será o fim daquele país.”
Quem pensava que a guerra tinha sido feita para salvar o Irão e os iranianos de um regime despótico e teocrático, reconhecerá agora que não se salva coisa alguma quando se promete “o fim daquele país”. Quem pensava que o Irão estava completamente derrotado, fica a saber que afinal tem capacidades ainda para fazer alguma coisa “esperta”, que nitidamente preocupa o presidente americano.
Na segunda-feira, Trump afastou os rumores de uma iminente invasão terrestre do Irão, declarando:
“Não tomámos qualquer decisão sobre isso. Estamos longe disso”.
Na semana passada tinha afirmado precisamente o oposto.
E ontem, deu início ao jogo de transferência de responsabilidades, que vai ser fervorosamente disputado em Washington nos próximos tempos, sugerindo que terá sido enganado sobre as alegadas capacidades nucleares do Irão pelo seu genro, o sinistro Jared Kushner.
BREAKING — Trump:
“Based on what Jared Kushner told me I Thought Iran Would Attack Us.
The blame game starts, it will be epic with hire and fire in Washington.
Launching a war you cannot win based on what Jared Kushner told you is some level Shit. pic.twitter.com/8CMXQTw6FZ
— The Kremlin (@The_Kremlinn) March 10, 2026
Entretanto, e em desespero de causa, o magnata de Queens já faz telefonemas a Vladimir Putin, na expectativa de que do Kremlin possa vir uma ajuda que o salve do desastre. Como se o presidente russo, depois de tudo o que se tem passado em relação à guerra na Ucrânia, depois de todas as injúrias e traições, por cima da má fé e da desfaçatez da Casa Branca, estivesse disponível para facilitar a vida ao seu inquilino.
É preciso não ter vergonha nenhuma na cara.
Nada faz sentido, nesta guerra. E muito menos a retórica de Donald J. Trump.
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