Estatísticas recentemente divulgadas online sugerem que a Grã-Bretanha processa todos os anos muito mais casos relacionados com a liberdade de expressão do que a antiga União Soviética (URSS) durante um dos seus períodos mais repressivos.

De acordo com os dados partilhados pelo comentador Peter Nimitz, as autoridades soviéticas detiveram 3.234 pessoas entre 1962 e 1985, com base nos artigos 70 e 190-1 do código penal, que visavam a “agitação anti-soviética” e a “desinformação”. Entretanto, a Grã-Bretanha registou 2.341 processos por crimes de liberdade de expressão online só em 2022, resultando em 1.816 condenações, ao abrigo de legislação como a Lei das Comunicações de 2003 e a Lei das Comunicações Maliciosas de 1988.

 

 

A este propósito, Nimitz afirmou:

“A URSS tinha um aparelho de repressão centralizado (funcionários do partido e polícia secreta), enquanto o Reino Unido utiliza uma combinação de polícia secreta, aparelho descentralizado alinhado com o poder judicial e auxiliares étnicos em certas forças policiais.”

 

 

A comparação foi motivada por um vídeo viral partilhado pela polícia anti-terrorista britânica no âmbito da sua sinistra campanha “O QUE PARTILHAS DEIXA UM RASTO”, mostrando uma criança nativa a temer pelo seu futuro, por perseguição judicial, depois de ter partilhado um link porque “achou engraçado”, apenas para as autoridades decidirem que se tratava de “conteúdo terrorista” e apreenderem os seus dispositivos.

 

 

A comparação entre a Grã-Bretanha e a URSS tem sido explorada pelos críticos que defendem que a crescente vigilância da liberdade de expressão online na Grã-Bretanha eliminou as liberdades civis tradicionais do país. Casos recentes de grande impacto incluem o de uma mãe que foi detida por uma publicação anti-imigração nas redes sociais, pouco depois de um ataque à facada contra jovens raparigas, perpetrado pelo filho de dois requerentes de asilo africanos.

Noutro caso, um britânico foi condenado a prisão depois de gritar “Que raio é Alá?”. durante os protestos contra os ataques à facada de imigrantes muçulmanos, com o juiz a referir a hostilidade contra o Islão como um factor determinante na sentença. Um ex-jogador de futebol profissional foi também condenado por mensagens abusivas dirigidas a apresentadores da BBC nas redes sociais, sendo repreendido pelo juiz por usar um lenço com a bandeira britânica.

Graham Linehan, comediante e guionista irlandês, foi detido por cinco polícias armados no aeroporto de Heathrow, em Londres, por causa de três publicações nas redes sociais, em que se manifestava contra a ideologia de género.

Em Agosto do ano passado, um cidadão britânico foi preso apenas por ter tido a ousadia de dizer “adoramos bacon” enquanto protestava contra a construção de uma mesquita gigante no noroeste do Reino Unido, região onde a comunidade muçulmana nem sequer é demograficamente significativa.

Também em 2025, Um membro da Royal Marines, uma força de elite, alertou publicamente que a eficácia operacional das unidades militares estava a ser prejudicada pela inclusão de mulheres e que vidas poderiam estar em risco. Foi detido “por causa das suas opiniões”.

Na distopia do Reino Unido, até o gosto duvidoso é punível judicialmente e uma cidadã que colocou no seu automóvel um autocolante com a advertência “não sejas um coninhas” enfrentou um draconiano processo judicial por “causar assédio, alarme e angústia.”

Alguns defendem que a comparação entre a Grã-Bretanha e a URSS é injusta, uma vez que a URSS não tinha redes sociais para serem policiadas e as penas para crimes de expressão eram frequentemente mais severas do que na Grã-Bretanha, incluindo anos em campos de trabalhos forçados. No entanto, os factos estatísticos apontam para uma tendência assustadora, com países considerados pelo bloco ocidental como ditatoriais com índices de detenções relacionadas com a liberdade de expressão bem mais modestos.

 

 

Como o Contra documentou recentemente, depois de transformar a liberdade de expressão no fórum público num crime passível de prisão efectiva, Keir Starmer está agora decidido a terminar com o direito à privacidade dos cidadãos britânicos, visando as aplicações de mensagens encriptadas, como o WhatsApp e o iMessage.