A primeira parte deste artigo provém de uma notícia de 2024 e pedimos desculpa aos leitores do Contra que já tomaram dela conhecimento. Ainda assim, o facto é de tal forma aberrante que não há maneira de passar sobre ele, mesmo com dois anos de atraso.

 

Igreja católica suíça usa holograma de IA com imagem de Jesus para receber as confissões dos fiéis.

Como se a inteligência artificial não estivesse já a assumir funções humanas em excesso, está agora a substituir também os padres. Uma igreja na Suíça usou um holograma de IA de Jesus para receber confissões de fiéis católicos.

 

 

Apelidado, também de forma aberrante, como Deus in Machina, a abominação consistia num confessionário com um ecrã que exibia o rosto de Jesus através da grelha, onde devia estar um padre.

À entrada foi colocada uma advertência:

“Não divulgue informações pessoais em circunstância alguma, utilize este serviço por sua conta e risco, pressione o botão se aceitar.”

Se o fiel optasse por prosseguir, a representação digital interpretava as suas palavras e gerava uma resposta com o rosto animado a mover-se em sincronia com o discurso.

A “segunda vinda cibernética” de Jesus foi possibilitada por cientistas da computação e teólogos da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna, que serão por certo ateus, e que alegadamente programaram o bot com informações do Novo Testamento e outros ensinamentos religiosos encontrados online.

O artefacto é também fluente em 100 línguas diferentes, o que lhe permite “conversar com católicos de todo o mundo.”

Como há gente para tudo, muitos fiéis ficaram “encantados” com a versão algorítmica de Jesus, que recebeu confissões entre 23 de Agosto e 20 de Outubro de 2024, e continuou a participar em eventos até ao final de Novembro desse ano.

Um desses imbecis, afirmou:

“Perguntei sobre a espiral da violência, como quebrá-la. A resposta: através da oração e não procurando vingança.”

Outro relatou:

“Conseguiu reafirmar a minha forma de agir e ajudou-me com dúvidas que tinha, como por exemplo, como posso ajudar outras pessoas a compreender Cristo melhor e a aproximarem-se Dele.”

Quando um católico praticante precisa de um bot para o confortar com banalidades e “reafirmar” o seu comportamento, percebemos claramente que a Igreja não está a cumprir a sua missão.

A unidade de inteligência artificial instalada na igreja suíça dava até conselhos sobre a eutanásia, relativizando moralmente a questão e assim rompendo declaradamente com a doutrina católica. Quando perguntado:

“Como posso apoiar, numa perspectiva cristã, uma pessoa idosa e doente que decidiu pelo suicídio assistido?”

O algoritmo afirmou:

“A sua tarefa não é julgar, mas acompanhar com amor.”

O professor Peter Kirchschläger, teólogo e especialista em ética da Universidade de Lucerna, afirmou que as máquinas não possuem a bússola moral necessária para a prática religiosa, declarando a este propósito:

“Esta é uma área em que nós, humanos, somos na verdade muito superiores às máquinas, por isso devemos ser nós próprios a fazer estas coisas.” 

A simples circunstância de ser preciso dizer o óbvio, em relação a esta matéria, já é deveras deprimente.

 

Igreja luterana finlandesa conduz culto inteiramente com inteligência artificial

Uma igreja luterana na Finlândia realizou o seu primeiro culto conduzido inteiramente por inteligência artificial, apresentando um Jesus, um Satanás e até um ex-presidente finlandês falecido em 1986, todos gerados por IA.

Os sermões, a música, os recursos visuais e até os avatares dos pastores foram gerados por IA, atraindo mais de 120 atrasados mentais, perdão, fiéis, uma audiência bem maior do que aquela que assiste a um culto típico numa noite de semana.

É espantoso.

Embora a experiência tenha sido “um sucesso” de audiências, as reacções foram mistas. Os fiéis consideraram-no “divertido e interessante”, mas admitiram que faltou o calor dos cultos dirigidos por humanos.

Um participante nesta experiência tenebrosa, afirmou:

“Parecia distante. Não senti que estivessem a falar comigo.”

Alguém devia dizer a este infeliz que, de facto, ninguém estava a falar com ele.