O Presidente norte-americano Donald J. Trump anunciou na sexta-feira passada que todo o governo federal dos EUA vai deixar de utilizar a tecnologia de inteligência artificial (IA) fornecida pela Anthropic. A medida surge após longas negociações com o Departamento de Guerra terem fracassado devido às objecções da tecnológica à potencial utilização da sua tecnologia para determinadas acções cinéticas em tempo de guerra.

O Presidente Trump escreveu numa publicação no Truth Social:

“Os lunáticos de esquerda da Anthropic cometeram um ERRO DESASTROSO ao tentarem FORÇAR o Departamento de Guerra a obedecer aos seus Termos de Serviço em vez da nossa Constituição. O seu egoísmo está a colocar VIDAS AMERICANAS em risco, as nossas tropas em perigo e a nossa Segurança Nacional em RISCO. Portanto, estou a ordenar a TODAS as agências federais do governo dos Estados Unidos que cessem IMEDIATAMENTE todo o uso da tecnologia da Anthropic. Não precisamos dela, não a queremos e não voltaremos a fazer negócios com eles!”

Porém, de acordo o inquilino da Casa Branca, a anthropic terá que continuar a prestar os seus serviços e a manter operacionais os seus sistemas durante um período de transição de seis meses.

“A Anthropic precisa de se organizar e ser útil durante este período de transição, ou usarei todo o poder da Presidência para os obrigar a cumprir, com graves consequências civis e criminais. Nós decidiremos o destino do nosso país — e não uma empresa de IA descontrolada e radical de esquerda, gerida por pessoas que não fazem ideia do que é o mundo real.”

O que aqui é absolutamente chocante é que a Anthropic parece mais cautelosa na aplicação militar das suas próprias tecnologias do que o regime Trump.

Num mundo normal, e considerando o tranhumanismo niilista de Silicon Valley, seria o governo federal americano e o Pentágono a colocarem reticências quanto à utilização da inteligência artificial em cenários de guerra, substituindo até a intervenção humana no que diz respeito à selecção de alvos e à decisão de sobre esses alvos fazer fogo.

E assim sendo, esta decisão da Casa Branca acaba por beneficiar a imagem da Anthropic (o que não é fácil, considerando o perfil luciferino da empresa), e revelar abertamente o niilismo que agora preside às políticas bélicas e tecnológicas da Casa Branca.

Como o ContraCultura  noticiou recentemente, o líder da Equipa de Investigação de Salvaguardas do chatbot Claude, da Anthropic, demitiu-se abruptamente, divulgando uma carta em que alertava para um mundo “em perigo”. Mrinank Sharma, que liderou a equipa de segurança desde a sua criação em 2023, indicou também na sua carta que a pressão interna para ignorar os protocolos de segurança de inteligência artificial (IA) desempenhou um papel significativo na sua decisão de se demitir. Não é claro se a demissão de Sharma foi motivada pelas discussões da empresa com o Pentágono.

Seja como for, há notícias de que os sistemas da Anthopic estão em uso neste momento, na guerra contra o Irão, cumprindo a missão de seleccionar alvos a abater pelas forças militares norte-americanas.