A NATO lança âncora –
Até a vila comunista
Se empertiga
O Navio D. Carlos I
Tem casco
De cientista
Não sou de medos
Até que um relâmpago incendeia
A escuridão
Tempestade de Verão –
Fanfarronice
De S. Pedro
Entre o relâmpago
E o trovão
Tens tempo para ser bravo
Não há ego que sobreviva
Aos decibéis
Do trovão
Aprendes a humildade
Com os fotões
Do relâmpago
Até a vila estremece
Quando ruge
A tempestade
A meia lua, dourada
Rompe o negrume –
Amanhã vais à praia
Depois da tempestade
Deus é deveras
Generoso
O Haiku precisa de tédio
Como a buganvília
De carinho
A baía é mais bonita
Quando o tempo
Está feio
Não tenho nada que fazer –
Por fim o tempo corre
Devagar
Entretenho a madrugada
com palavras –
Passatempo
Quem faz a diferença
Entre a verdade e a mentira
És tu
Qual é o preço em tempestades
Desta tarde
De sol?
Do outro lado do Cabo
Lisboa chama por mim –
Auscultadores
_____________
A Arte do Haiku: Introdução.
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