A NATO lança âncora –
Até a vila comunista
Se empertiga

 

 

O Navio D. Carlos I
Tem casco
De cientista

 

 

Não sou de medos
Até que um relâmpago incendeia
A escuridão

 

 

Tempestade de Verão –
Fanfarronice
De S. Pedro

 

 

Entre o relâmpago
E o trovão
Tens tempo para ser bravo

 

 

Não há ego que sobreviva
Aos decibéis
Do trovão

 

 

Aprendes a humildade
Com os fotões
Do relâmpago

 

 

Até a vila estremece
Quando ruge
A tempestade

 

 

A meia lua, dourada
Rompe o negrume –
Amanhã vais à praia

 

 

 

 

Depois da tempestade
Deus é deveras
Generoso

 

 

O Haiku precisa de tédio
Como a buganvília
De carinho

 

 

A baía é mais bonita
Quando o tempo
Está feio

 

 

Não tenho nada que fazer –
Por fim o tempo corre
Devagar

 

 

Entretenho a madrugada
com palavras –
Passatempo

 

 

Quem faz a diferença
Entre a verdade e a mentira
És tu

 

 

Qual é o preço em tempestades
Desta tarde
De sol?

 

 

Do outro lado do Cabo
Lisboa chama por mim –
Auscultadores

 

 

 

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A Arte do Haiku: Introdução.
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