De acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Alemanha necessita de cerca de 220 mil milhões de euros em ajustamentos – poupanças ou receitas adicionais – até 2035 para estabilizar a sua dívida pública.

A análise do FMI mostra que a pressão sobre o orçamento alemão aumentará drasticamente na próxima década e sugere que o buraco pode ser tapado através da reestruturação do sistema de segurança social, redução de subsídios e aumentos de impostos direccionados, segundo informou o Handelsblatt, citado pelo portal húngaro Portfolio.

Os principais factores por trás do aumento da dívida pública incluem o envelhecimento da sociedade, com as estimativas a indicarem que as pensões e os cuidados de saúde poderão custar quase mais 100 mil milhões de euros por ano até 2035; um aumento das despesas com a defesa, previsto em 22 mil milhões por ano; e um custo mais elevado dos empréstimos, prevendo-se que os pagamentos de juros da dívida pública sejam de cerca de 18 mil milhões de euros por ano, de acordo com a previsão do FMI.

Segundo o FMI, os cortes na despesa não serão suficientes para evitar o desastre. Os aditores defendem que os futuros aumentos das pensões devem ser desligados do crescimento dos salários e acompanhados exclusivamente pela inflação. Só isto poderá resultar numa poupança de cerca de 1% do PIB até 2040. O FMI recomenda ainda a revisão da possibilidade de reforma antecipada isenta de impostos e o ajustamento da idade de reforma à esperança de vida após 2031.

Para melhorar a eficiência do mercado de trabalho, o relatório do FMI defende ainda o aumento dos horários laborais e a redução do trabalho a tempo parcial. Isto exigiria o alargamento do sistema de prestações para crianças e a revisão da tributação conjunta dos cônjuges. A eliminação de subsídios prejudiciais para o ambiente é também essencial para a consolidação orçamental, segundo as luminárias do FMI.

Em relação aos impostos, as propostas incluem o fecho das lacunas no imposto sobre as heranças, especialmente o endurecimento das isenções para as empresas familiares; o aumento dos impostos sobre a propriedade e sobre o consumo de bebidas alcoólicas, que não são escandalosos na Alemanha, em comparação com outros países europeus, como possíveis medidas; e a eliminação de certas isenções de IVA para o sector da hotelaria e restauração, que, segundo o FMI, tiveram pouco impacto no crescimento económico.

Em suma, sem um ajustamento orçamental de cerca de 5% do PIB, o FMI afirma que o rácio dívida/PIB da Alemanha poderá tornar-se insustentável a longo prazo.

Ao mesmo tempo, o FMI alerta veementemente contra novos aumentos dos impostos sobre o rendimento e das contribuições para a segurança social, uma vez que quaisquer aumentos adicionais enfraqueceriam o incentivo ao trabalho.

De referir que o FMI não menciona o peso brutal do apoio militar à Ucrânia na despesa pública alemã, que se calcula em cerca de 94 mil milhões de euros, entre 2022 e 2025. Nem menciona os custos do suicídio energético que o país cumpriu nas últimas décadas e que tem sido em boa parte responsável pela crise económica que agora vive.

O relatório também não se refere aos custos da imigração na Alemanha, que onera com aproximadamente 50 mil milhões de euros de custos anuais o erário público. Ou seja: se os gastos com imigrantes fossem suprimidos, o problema orçamental desapareceria de imediato.

A avaliação do Fundo Monetário Internacional chega num momento em que as notícias sobre a economia alemã não podiam ser piores: segundo a poderosa e influente Federação das Indústrias Alemãs, a economia nativa está a sofrer a sua “crise mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial”. De acordo com um estudo da consultora empresarial Falkensteg, o número de insolvências entre empresas alemãs com um volume de negócios superior a 10 milhões de euros triplicou, em 2025. Dados divulgados pelo Gabinete Federal de Estatística em Novembro último mostram um declínio generalizado do emprego nos principais sectores industriais alemães, com o sector automóvel a registar a maior queda em mais de uma década. No panorama microeconómico geral, as falências e o desemprego na Alemanha atingiram em 2025 o nível mais alto em 10 anos.