O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão já está a transformar o Médio Oriente numa orgia de destruição e morte por todo o lado.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi morto, e há relatos de que dezenas de altos quadros militares e políticos iranianos pereceram também, vítimas dos bombardeamentos americanos e israelitas, que atingiram acrescidamente alvos civis. Uma escola de raparigas em Teerão foi atingida pelo fogo da ‘aliança Epstein’, matando cerca de 60 crianças, num caso claro de crime de guerra.

 

 

Os iranianos responderam às hostilidades iniciadas por Washington e Telavive com bombardeamentos que atingiram, para além de território israelita, seis outros países da região: Bahrain, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita. Há também indicações de que uma base militar americana no Chipre terá sido atingida por fogo inimigo.

 

 

O ‘Iron dome’ parece ineficaz para deter os ataques balísticos do Irão a Israel que se estão a sobrepor às defesas anti-aéreas sionistas, como mostram estas imagens que foram confirmadas como reais.

 


O Pentágono assumiu no domingo que três dos seus soldados foram mortos e cinco estão gravemente feridos. Mas têm surgido informações que apontam para uma escala de baixas nas forças americanas muito maior:

 

 

Não é neste momento possível tirar conclusões definitivas sobre que está a acontecer no teatro de operações, nem perceber a real dimensão das baixas de um e do outro lado da contenda, e estas linhas poderão assim mostrar-se equivocas já a seguir, mas a estratégia de Teerão parece ser a de alastrar o conflito para além do âmbito trilateral, de forma a que os americanos comecem a sentir a pressão dos seus aliados árabes, no sentido de desenvolverem uma ofensiva breve, que permita ao regime iraniano sobreviver ao ataque, como aconteceu no ano passado.

 

 

Por outro lado, parece também confirmar-se a ideia de que o Irão não está inclinado, pelo menos para já, a usar os seus misseis hipersónicos contra a frota americana, iniciativa que poderia levar o conflito para um patamar máximo de intensidade. Como o Contra já observou a este propósito, a questão não é se Teerão tem capacidade balística para infligir baixas descomunais no inimigo, mas se a isso está disposto, considerando as consequências previsíveis dessa decisão.

Ainda assim, há notícias de que uma embarcação americana de suporte logístico foi atingida por mísseis iranianos.

 

 

Tudo dependerá também da estratégia americana. Se este segundo capítulo das hostilidades contra o país dos aiatolás for parecido com o primeiro, os iranianos vão por certo conter-se na sua resposta. Mas se o Pentágono persistir numa guerra de mudança de regime, com bombardeamentos que se prolonguem no tempo, Teerão, encurralado e sem nada a perder, poderá muito bem reagir em desespero de causa. E mesmo que um só míssil hipersónico atinja um porta-aviões ou um contratorpedeiro americano, o facto será já devastador para os Estados Unidos, tanto internamente (há sondagens que mostram que a opinião pública americana não apoia esta guerra, em números esmagadores) como para a imagem que mostra ao mundo. Até porque as baixas serão, neste caso, sempre significativas.

Teerão tem, além dos argumentos balísticos, armas outras: nesta altura já circulam notícias de que o Estreito de Ormuz foi fechado, circunstância que empurra toda a Ásia para o conflito, já que as rotas de abastecimento petrolífero da Índia e da China e do Japão dependem em grande medida da navegabilidade do Golfo Pérsico.

 

 

O Irão pode, além disso, criar disrupções nos países vizinhos e na Europa, com perturbações fronteiriças e de rotas comerciais terrestres, ou ataques terroristas.

A web está a rebentar pelas costuras de propaganda sionista, americana e iraniana que dificultam uma visão objectiva sobre a reacção da população persa, que pode ser decisiva para a prossecução dos objectivos relacionados com uma mudança de regime no país islâmico.

Mas, à luz dos factos, não é problemático concluir que a operação militar de americanos e sionistas está, por agora, a correr menos mal: a decapitação do dirigismo iraniano e a resposta aparentemente contida do seu aparelho militar devem estar a contribuir para um certo alívio nos corredores do Pentágono e da Casa Branca. Os EUA, porém, não têm muito tempo, porque o seu arsenal balístico tem limitações e as suas forças militares travam uma guerra muito longe de casa. Se o regime iraniano for resiliente, e conseguir manter o controlo no país durante uma ou duas semanas, as coisas podem ficar bem complicadas para o Pentágono.

 

 

Mais uma vez, Washington usou o engodo de “negociações de paz” como instrumento para espoletar a guerra (uma táctica eticamente discutível que pode trazer dissabores à diplomacia americana, no futuro), mas ainda assim, a facilidade com que os alvos de alta hierarquia do regime dos aiatolás foram identificados e abatidos, quando toda a gente já tinha percebido que a guerra era inevitável, não deixa de ser surpreendente: Khamenei foi morto na sua residência, quando estava acompanhado da sua família e de dezenas de altos quadros militares e políticos, que foram também aniquilados.

Como é que o regime deixou assim expostos os seus líderes? É legítimo suspeitar que os serviços de inteligência americanos e israelitas penetraram profundamente nos bastidores do poder político em Teerão, e é verdade que as suas tecnologias de rastreamento e localização de alvos são poderosas, mas a circunstância não deixa de ser estranha porque há aqui um nível de incompetência securitária que é implausível. A hipótese que tem circulado em certos sectores de opinião de que o aiatolá se martirizou intencionalmente para que outras estruturas de comando sobrevivessem, não é destituída, considerando a ortodoxia religiosa e a provecta idade de Khamenei, mas não se percebe, à luz desta tese, porque estava o líder supremo na altura em que foi morto rodeado de familiares e líderes políticos e militares do estabelecimento iraniano.

As próximas 24 a 48 horas serão decisivas para percebermos melhor que rumo vai tomar a guerra, sendo certo que se trata de um conflito desnecessário, sem qualquer justificação para ser desencadeado, para além da cega ambição sionista e da ambição imperialista, mas decadente, do complexo militar e industrial americano.