O ex-presidente norte-americano Bill Clinton e a sua mulher, a Bruxa Má do Ocidente, compareceram perante a Comissão de Supervisão da Câmara na semana passada para um exercício de ficção do qual vão sair impunes, como aliás impunes saíram da extensa lista de crimes que foram cometendo durante o seu desgraçado percurso pela curvatura da Terra. Os depoimentos foram feitos à porta fechada e as transcrições ainda não foram divulgadas publicamente, pelo que não sabemos em detalhe o que disseram os Clinton e que perguntas lhes foram feitas, mas é já possível traçar um quadro prévio do seu comportamento falsário, sendo evidente que as suas declarações contradizem uma multitude de evidências e factos que, sendo inescapáveis, serão por certo olvidados pelo Congresso.

 

 

Bill Clinton insiste que ‘não fez nada de errado’ enquanto protege Donald Trump.

Bill Clinton abordou na sexta-feira as suas ligações com Jeffrey Epstein, que apoiava a Fundação Clinton e transportava frequentemente o ex-presidente no Lolita Express, como um turista acidental. Na sua declaração inicial, afirmou:

“Não fazia ideia dos crimes que Epstein estava a cometer. Não importa quantas fotografias me mostrem, há duas coisas que, no final do dia, importam mais do que a vossa interpretação sobre estas fotografias de há 20 anos. Eu sei o que vi e, mais importante, o que não vi. Eu sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Não vi nada e não fiz nada de errado”.

 

 

O comité continua a procurar esclarecimentos sobre as ligações dos Clinton a Epstein, com as questões sobre transparência e responsabilidade a permanecerem centrais para a investigação. O ex-Presidente também criticou duramente o comité por obrigar a sua mulher a depor na quinta-feira, dizendo:

“Antes de começarmos, preciso de falar sobre algo pessoal. Vocês obrigaram Hillary a vir. Ela não teve nada a ver com Jeffrey Epstein. Nada. Ela nem se lembra de o ter conhecido”.

As declarações de Clinton parecem ser uma resposta aos comentários feitos pela deputada Nancy Mace (republicana da Carolina do Sul) sobre a sua mulher. Descrevendo  Hillary Clinton como “desequilibrada”, Mace afirmou:

“Fiz-lhe perguntas muito incisivas, e vão ver isso na transcrição e no vídeo que será divulgado, e vão ver como ela reagiu, gritando”. 

Durante o depoimento na sexta-feira, vários membros democratas da Comissão de Supervisão da Câmara tentaram desviar as acusações contra Bill Clinton para o presidente Donald J. Trump. No entanto, de acordo com o presidente James Comer (republicano do Kentucky), “o presidente [Clinton] prosseguiu dizendo que o presidente Trump ‘nunca me disse nada que me fizesse pensar que ele estivesse envolvido’ — e referia-se a Epstein.”

Naturalmente, Bill Clinton percebe que não tem nada a ganhar em envolver Donald Trump no assunto, tanto mais que o actual presidente norte-americano já se manifestou solidário com ele, afirmando que não gostou nada de ver as fotos que o implicam em todo o escândalo.

 

 

Tu esfregas-me as costas, eu coço-te a barriga.

Durante o depoimento, alguém teve a genial ideia de entregar pizzas no local, associando a circunstância ao escândalo Pizzagate, que o último lote dos ficheiros Epstein divulgado pelo departamento de Justiça trouxe de volta ao debate público.

 

 

Hillary esquiva-se a perguntas e aponta para e-mail de Musk sobre festa “animada” numa ilha.

Hillary Clinton compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes na quinta-feira para testemunhar sobre as suas ligações a Jeffrey Epstein. Na sessão à porta fechada, realizada no Chappaqua Performing Arts Center, perto da sua casa em Nova Iorque (para não incomodar a bruxa com grandes deslocações), Hillary negou repetidamente que alguma vez tivesse conhecido Epstein pessoalmente, que o pedófilo apoiava a Fundação Clinton e que lhe emprestava o seu jacto privado, enquanto tentava desviar o escândalo para outras pessoas.

Durante o depoimento, a ex-primeira-dama apontou a despropósito, numa manobra que reveladora do seu carácter,  uma troca de e-mails de 2012 em que Elon Musk perguntava a Epstein quando deveria comparecer na “festa mais animada” na sua ilha privada. Num e-mail de 25 de Novembro de 2012, Musk respondeu a uma pergunta de Epstein sobre quantas pessoas planeava levar para a ilha, escrevendo: “Provavelmente só eu e Talulah. Qual será o dia/noite da festa mais animada na tua ilha?”. Na altura, Musk era casado com a actriz britânica Talulah Riley.

Numa entrevista de 2019, Musk descreveu Epstein como “obviamente um crápula” e disse que recusou repetidamente convites para visitar as propriedades de Epstein. No entanto, os ficheiros do Departamento de Justiça (DOJ) recentemente divulgados revelaram trocas cordiais entre os dois homens, incluindo referências a uma possível visita do suicidado traficante de menores à SpaceX.

Não tão interessada como o marido em poupar Donald Trump, por razões históricas e conhecidas de toda a gente, Clinton acusou ainda os republicanos de utilizarem a investigação para proteger o actual inquilino da Casa Branca, afirmando:

“Obrigaram-me a depor, plenamente consciente de que não tenho conhecimento que possa auxiliar na investigação, de forma a desviar a atenção das acções do presidente Trump e encobri-las.”

A sessão foi brevemente interrompida quando a deputada Lauren Boebert (republicana do Colorado) tirou uma fotografia a Clinton, que posteriormente foi divulgada online. Os advogados de Clinton exigiram que o processo fosse interrompido, mas o depoimento foi retomado em menos de uma hora.

 

 

Os Clinton resistiram inicialmente à intimação para depor, mas cederam após terem sido ameaçados com acusações de desacato. O comité, liderado por deputados republicanos, indicou que divulgará vídeos e transcrições dos depoimentos após revisão jurídica.

Entretanto, salvam-se os memes.