Como escrevi na primeira semana de Fevereiro, é preciso ser deveras doente dos olhos (um caso perdido da oftalmologia contemporânea) e bastante deficiente dos neurónios (muito para além de qualquer milagre da neurocirurgia moderna), para que alguém que se diga populista ou até conservador (para alguém que tenha respeito por si próprio, na verdade) continue a apoiar o regime Trump, neste momento do campeonato mundial da infâmia.
Mas argumentos são argumentos, não mais que exercícios de retórica; opiniões são opiniões, que valem o que valem no mercado, mais ou menos livre, das ideias, insultos são insultos, desabafos são desabafos e assim sucessivamente até ao olvido das palavras.
Serve assim este muito breve texto apenas para sobrepor aos argumentos, às opiniões e aos desabafos um facto que é tão sólido, mas mesmo tão embutido de cimento armado, que podíamos montar o Empire State Building sobre ele, e esperar tranquilamente que o edifício resistisse a vários apocalipses seguidos.
E o facto é este:
On Sunday the New York Times published “The Case for Striking Iran” then on Monday “The Epstien Files Should Never Have Been Released”
Ffs pic.twitter.com/mlKkS5Gw87
— 🍞🎪 (@503i7) February 25, 2026
Ora, quando o New York Times começa a defender as políticas e a justificar os pecados da actual Casa Branca, parece liquido que qualquer coisa está putrefacta no reino MAGA, certo?
Mais a mais, reparem bem no que é preciso fazer para que o jornal onde a verdade e a decência vão para morrer assuma a barricada de Donald Trump: a guerra no Médio Oriente; o encobrimento das elites pedófilas barra satânicas.
Unificadas pelas cinzas e o horror, a redacção liberal~leninista e a Sala Oval caminham, triunfantes, de mãos dadas.
E se isto, meus caros, não vos transforma o estômago num doloroso nó górdio, se isto não vos leva a pensar duas vezes, dez vezes, as vezes que forem precisas para concluir que o magnata de Queens está a cumprir a agenda dos mais sinistros poderes instituídos no Ocidente… não sei mais que vos diga.
A não ser, talvez – e desculpem-me a indelicadeza tanto como a ingratidão – isto: o ContraCultura não vos serve. Frequentem antes o Observador, que é bem mais amigável para com os invisuais e os pacientes do cérebro.
Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura
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