Tom Holland é um dos historiadores e autores mais respeitados da academia corporativa anglosaxónica. Não é propriamente um cristão militante, de todo. Na verdade, cresceu como um “ateu precoce” e iniciou o seu percurso de estudioso com o objectivo assumido de desvalorizar a fiabilidade histórica da Bíblia. Mas depois de décadas a estudar o mundo antigo – dos Césares de Roma à ascensão do Islão – chegou a uma conclusão chocante (para ele): a história de Jesus Cristo tem que ser autêntica, porque os evangelistas não tinham, na sua óptica, recursos literários e criativos para a imaginar e porque há excessiva coesão semântica nos seus relatos para poder ter sido fabricada.
No que diz respeito ao primeiro argumento de Holland, o Contra não partilha esta ideia redutora de Lucas, Marcos, Mateus, João e Paulo. Pelo contrário, muitos dos textos do Novo Testamento brilham pela sua beleza e sofisticação literária, como é aliás admitido, por exemplo, por Frederico Lourenço (outro académico ateu), tradutor dos originais em grego koiné para português. Mais a mais, e Santo Agostinho que nos perdoe, não será excessivamente problemático qualificar o Evangelho de João como o mais importante documento teológico da cristandade, ponto final, parágrafo.
Mas ainda assim, não deixa de ser interessante o contributo de Holland para a tese, que esta publicação acarinha, da veracidade factual do Novo Testamento.
Parte do seu argumento tem a ver com a proximidade cronológica, entre os testemunhos dos evangelistas e o ministério de Cristo, datação que muitas vezes é manipulada pelo historicismo contemporâneo, no sentido de estender no tempo essa relação, de tal forma que seja até impossível a Mateus e a João – os apóstolos – serem os verdadeiros autores dos seus evangelhos.
O historiador destaca também o facto dos evangelhos e das cartas de Paulo não apresentarem contradições fundamentais entee si, no relato da vida de Cristo, somarem justaposições sobre justaposições de factos, contando basicamente a mesma história, apesar de terem sido redigidas em locais e tempos diversos, por redactores muito diferentes no seu perfil social e cultural, que manifestam desigual domínio da língua franca que escolheram para prestar o seu testemunho.
Nesse sentido e contrariando a tendência manhosa da academia dogmaticamente ateísta, Holland parece concordar connosco, quando afirmamos que os evangelistas são iniciáticos repórteres, que tentaram documentar fielmente o ministério de Cristo, com os recursos técnicos ao seu dispor e de acordo com a cultura e o enquadramento civilizacional da sua era e do seu meio.
Senão, vejamos:
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