O Departamento de Justiça norte-americano (DOJ) reteve ou removeu certos documentos da base de dados pública dos ficheiros Epstein, segundo uma muito credível e baseada em factos demonstráveis reportagem da NPR.

Apesar das exigências da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein para divulgação pública, mais de 50 páginas — consistindo em entrevistas e notas do FBI relacionadas com alegações contra o presidente Donald J. Trump — permanecem indisponíveis. A NPR chegou a esta conclusão depois de examinar os números de série, metadados e outros indicadores na base de dados dos ficheiros divulgados até agora pelo DOJ.

 

 

Os materiais retidos ou desaparecidos incluem relatos de vítimas. Uma delas terá afirmado que foi apresentada a Trump por Epstein na década de 1980 e que teria sofrido abusos; os registos do FBI mostram que foi entrevistada várias vezes, embora apenas uma única entrevista conste dos arquivos públicos acessíveis.

A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, respondeu às acusações da NPR  com o papaguear da estafada narrativa, baseada em facto nenhum, de que o presidente saiu do último lote dos ficheiros Epstein “totalmente exonerado”:

“Como o presidente Trump já afirmou, foi totalmente exonerado de tudo o que estivesse relacionado com Epstein. Ao divulgar milhares de páginas de documentos, cooperar com a intimação solicitada pelo Comité de Supervisão da Câmara, assinar a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e pedir mais investigações sobre os amigos democratas de Epstein, o presidente Trump fez mais pelas vítimas de Epstein do que qualquer outro antes dele”.

Politizando ainda mais o assunto, Jackson destacou ainda a falta de acção dos democratas em relação aos seus próprios laços com Epstein, após a sua condenação.

O Departamento de Justiça tem sido alvo de críticas pela forma como lidou com os ficheiros Epstein, incluindo acusações de rasuras excessivas ou impróprias, ao ocultar os nomes de indivíduos que claramente estão envolvidos nas actividades luciferinas que constam dos documentos. A procuradora-geral Pam Bondi e o procurador-geral adjunto Todd Blanche declararam ao Congresso, numa carta, que nenhum material foi retido ou redigido devido a preocupações políticas, problemas de reputação ou constrangimento envolvendo figuras públicas, e que as rasuras estavam focadas em proteger detalhes sensíveis, como a privacidade das vítimas.

O que é manifestamente falso e até faz impressão que se minta assim, descaradamente e com os dentes todos. Na verdade, o DOJ preocupou-se mais em ocultar os nomes dos criminosos do que os nomes da vítimas.

 

 

A jornalista independente Kim Iverson ilustra e comenta neste clip as descobertas da NPR.