O governo britânico dissolveu um painel consultivo de vítimas que apoiava uma investigação sobre o abuso sexual infantil endémico praticado por gangues de violadores, na sua maioria muçulmanos e de origem paquistanesa, e a falha das autoridades em proteger as raparigas nativas. A exclusão das vítimas do processo gerou indignação entre sobreviventes e activistas.

O painel foi criado para garantir que as experiências e os testemunhos das sobreviventes contribuíssem para a investigação, que examina décadas de abusos ligados a redes organizadas de aliciamento que visavam sobretudo raparigas brancas, uma vez que uma das principais componentes do escândalo foi a negligência e a cumplicidade da polícia e de outras autoridades com os testemunhos e experiências das vítimas. Os sobreviventes afirmam que a dissolução do painel mina as garantias de que as suas vozes teriam, pela primeira vez, o devido peso numa investigação de largo espectro.

O processo é aliás análogo ao que está a acontecer nos Estados Unidos, onde as vítimas da rede pedófila e das actividades de tráfico humano para abuso sexual de Jeffrey Epstein têm sido consistentemente ignoradas pelo FBI e pelo Departamento de Justiça.

Fiona Goddard, que foi abusada por um gangue paquistanês em Bradford, disse a este propósito:

“Disseram às sobreviventes que tinham voz, e depois essa voz foi-lhes retirada”.

Outra sobrevivente acusou o Governo do primeiro-ministro Keir Starmer de usar o painel para neutralizar as críticas, afirmando:

“O painel devia ter permanecido activo até à conclusão do inquérito”.

O governo alega agora que o painel sempre foi concebido como um órgão temporário e que o envolvimento das sobreviventes vai continuar de outras formas. A Baronesa Longfield, deputada do Partido Trabalhista que preside ao inquérito, afirma que planeia trabalhar directamente com as sobreviventes à medida que a investigação avança.

O próprio inquérito tem sido controverso desde o início. O primeiro-ministro Starmer opôs-se inicialmente à sua criação e chegou mesmo a descrever alguns activistas que defendiam a investigação sobre as actividades tenebrosas dos gangues de violadores como parte da “extrema-direita”. Inverteu a sua posição no ano passado, sob pressão política e pública constante, abrindo formalmente o inquérito em Junho.

Descobertas oficiais recentes comprovaram que os investigadores evitaram examinar a etnia dos suspeitos e das suas vítimas, apesar de dados internos revelarem que um número desproporcional de agressores eram muçulmanos de origem paquistanesa e que as suas vítimas eram, na sua maioria, brancas da classe trabalhadora. As investigações revelaram que a polícia e os assistentes sociais abdicavam frequentemente de agir contra os suspeitos ou descartavam as vítimas como “promíscuas” ou “problemáticas”, em parte por medo de serem acusados ​​de racismo caso confrontassem os suspeitos.

Mas o painel consultivo de vítimas sempre foi um escolho inconveniente para o estabelecimento, que desde o primeiro dia quis cegar a investigação aos factores étnicos, e generalizá-la como um processo que visava investigar o fenómeno da violação colectiva na sociedade britânica e questões mais amplas de abuso sexual infantil, como se o problema nada tivesse a ver com os imigrantes paquistaneses e fosse até resultante da população nativa.

Como o ContraCultura noticiou na altura, quatro vítimas que faziam parte do painel consultivo demitiram-se em Outubro de 2025 precisamente por este motivo, criticando duramente as autoridades por “linguagem condescendente e controladora” em relação às sobreviventes e por alegadas tentativas de alargar o âmbito do inquérito para além da exploração sexual de menores, praticada por gangues predominantemente de origem paquistanesa.

Goddard descreveu o painel como um espaço “assustador”, onde as sobreviventes se sentiam silenciadas, enquanto Reynolds denunciou a “manipulação e o gaslighting” nos esforços para minimizar as motivações raciais e religiosas por detrás do abuso.

Em Dezembro último, a Agência Nacional de Combate ao Crime britânica anunciou uma revisão de mais de mil casos de gangues de violadores que podem ter sido arquivados indevidamente devido a “erro humano”, circunstância em que se constata claramente a manifestação de uma de duas variáveis: ou a polícia é de incompetência abismal, ou os casos foram encerrados por razões políticas.

Tanto mais que a polícia não foi apenas cúmplice dos gangues de violadores muçulmanos que operam no Reino Unido. De acordo com testemunhos prestados por dezenas de vítimas, agentes houve que participaram activamente nos abusos sexuais praticados sobre menores e jovens mulheres.