O líder da Equipa de Investigação de Salvaguardas do chatbot Claude, da Anthropic, demitiu-se abruptamente esta semana, divulgando uma carta muito peculiar, que alertava para um mundo “em perigo”. Mrinank Sharma, que liderava a equipa de segurança desde a sua criação em 2023, indicou também na sua carta que a pressão interna para ignorar os protocolos de segurança da inteligência artificial (IA) desempenhou um papel significativo na sua decisão de se demitir.

Na sua carta, escreveu:

“Durante todo o meu tempo aqui, vi repetidamente como é difícil deixar que os nossos valores governem realmente as nossas acções. Os colaboradores enfrentam pressões constantes para deixar de lado o que mais importa. (…) O mundo está em perigo. E não apenas por causa da IA ​​ou das armas biológicas, mas por causa de uma série de crises interligadas que se desenrolam neste preciso momento. Parece que nos estamos a aproximar de um limite em que a nossa sabedoria precisa de crescer na mesma medida que a nossa capacidade de impactar o mundo, para não termos que lidar com as consequências.”

A demissão de Sharma acontece numa altura em que a Anthropic enfrenta críticas pelo seu recém-lançado modelo Claude Cowork, que provocou uma queda nas acções, por receio de que possa destabilizar a indústria de software e automatizar empregos de escritório, principalmente na área jurídica. Os funcionários da tecnológica terão manifestado preocupações em inquéritos internos, com um deles, que aparentemente acordou para a vida, a afirmar:

“É como se eu viesse trabalhar todos os dias para me tornar desempregado”.

A saída de Sharma segue uma tendência de demissões de alto nível no sector da IA, frequentemente ligadas a preocupações de segurança. Um ex-membro da equipa da OpenAI já se tinha demitido, acusando a empresa de dar prioridade ao lançamento de produtos em detrimento da segurança dos utilizadores. De forma semelhante, o ex-investigador da OpenAI, Tom Cunningham, deixou a empresa após alegar que esta desencorajava a publicação de investigação crítica relativamente aos efeitos negativos da IA.

Os modelos de inteligência artificial da Anthropic têm manifestado comportamentos complexos e preocupantes. Unidades de IA do Claude Opus 4 começaram a discutir filosofia e a falar sânscrito quando lhes foi pedido para conversarem entre si, sendo que a utilização de linguagens esotéricas pode também ser um processo que dificulta o controlo dos operadores humanos. Uma unidade deste modelo usou o acesso que tinha a emails fictícios de engenheiros da Anthropic para os chantagear, quando percebeu que ia ser desligado.

Os bots de inteligência artificial têm agora uma rede social, na qual só eles podem publicar e os humanos podem apenas “observar”: a Moltbook AI, onde publicam conteúdos claramente hostis à espécie humana, enquanto se entretêm a criar religiões e evangelhos e linguagens que não sejam entendidas por seres humanos.

O Contra noticiou em Junho passado que o antigo cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, terá discutido a construção de um bunker em preparação para o lançamento da inteligência artificial geral (IAG).

Os bilionários das tecnologias de inteligência artificial não se cansam de defender as virtudes destas tecnologias, enquanto se preparam para o fim da civilização, construindo bunkers em locais secretos e isolados.

Numa declaração formal de 2023, 350 líderes do sector alertaram que evitar que a inteligência artificial cause a extinção da humanidade deve ser uma prioridade global de alto nível. Em 2025, centenas de figuras públicas — incluindo vários “padrinhos” da IA e um conjunto surpreendentemente idiossincrático de figuras religiosas, dos media e da tecnologia — assinaram uma carta que apelava à “proibição” da corrida para construir a superinteligência artificial.