As tecnologias de IA vão substituir os artistas, os músicos, os romancistas, os poetas, os ilustradores, os pintores, os cineastas, os jornalistas, os fotógrafos, os publicitários, os criadores de conteúdos, os programadores, os engenheiros, os arquitectos, os médicos e assim sucessivamente, até que as profissões que restem para os humanos serão aquelas que sempre gostámos de pensar que os robôs poderiam fazer um dia, se o futuro corresse bem (sem ofensa para os heróis que as cumprem agora): recolha e separação do lixo, desinfestação e desbaratização, desentupimento de esgotos, mudanças e transporte de monos, trabalho de minas e estaleiros, estiva, segurança de discotecas, limpeza de casas de banho públicas e etc.

É precisamente para abolir a criatividade humana e para a destituir de missão e função relevantes, que os transhumanistas de Silicon Valley estão a trabalhar. E a forçar loucamente os conteúdos de IA nas plataformas de streaming e alojamento de conteúdos como o Spotify e o Youtube.

 

Censura e cancelamento da criatividade humana, no Youtube.

Como o ContraCultura já documentou, um relatório da empresa de edição de vídeo Kapwing constatou que os vídeos de baixa qualidade gerados por IA, frequentemente descritos como Brain Rot (‘podridão cerebral’), estão a tornar-se uma parte significativa do ecossistema do YouTube, atraindo grandes audiências e gerando receitas substanciais. De acordo com o estudo, estes vídeos acumularam mais de 63 mil milhões de visualizações e geram uma receita estimada em 114 milhões de dólares anuais, com os investigadores a sugerirem que podem representar mais de 20% do conteúdo exibido nos feeds dos utilizadores.

A Kapwing analisou 15.000 dos canais mais populares do YouTube e identificou 278 que publicam exclusivamente material gerado por IA. Estes canais têm um alcance global e acumularam um grande número de seguidores. Os canais espanhóis que utilizam apenas IA atraem colectivamente cerca de 20 milhões de subscritores, enquanto os egípcios têm aproximadamente 18 milhões. Na Coreia do Sul, os canais de IA registaram 8,45 mil milhões de visualizações.

O conteúdo inclui frequentemente videoclipes de K-pop artificialmente fabricados, vídeos de animais criados por IA em loop e outros visuais repetitivos concebidos para maximizar o tempo de visualização. A Kapwing classificou o canal indiano Bandar Apna Dost como o canal exclusivamente de IA mais visto, com 2,4 mil milhões de visualizações e uma receita estimada em 3,9 milhões de dólares. Outro exemplo, o canal Pouty Frenchie, sediado em Singapura, apresenta vídeos de um buldogue destinados a crianças e pode gerar cerca de 3,8 milhões de dólares por ano.

Cerca de 20% dos conteúdos do Youtube são agora ‘podridão cerebral’ criada por Inteligência artificial.

Agora que, nos Estados Unidos, já não está na moda censurar os cidadãos a torto e a direito pelas suas opiniões políticas (a não ser que se tratem de opiniões contrárias aos interesses sionistas, claro), a Google decidiu implementar uma nova forma de supressão do livre arbítrio e da diversidade de pontos de vista, talvez ainda mais sinistra: a promoção através do algoritmo do Youtube dos conteúdos fabricados com recurso a inteligência artificial, em detrimento dos criadores humanos.

 

Conteúdos gerados artificialmente passam como produto humano, no Spotify.

A plataforma mais procurada para conteúdos audio está a forçar o consumo de produtos de inteligência artificial, fazendo-os até passar por resultado da criatividade humana. E enquanto a confusão entre labor humano e artefacto algorítmico também acontece no Youtube e noutras redes sociais, no Spotify, cujo veiculo mediático é unidimensional (audio), é mais difícil fazer a destrinça.

Segundo um relatório recente, as músicas geradas por IA já representam quase 40% das músicas enviadas diariamente para os serviços de streaming. E é verdade que estas músicas estão a ficar cada vez mais próximas do que a composição humana contemporânea é capaz de produzir, até porque a indústria musical do tempo presente não prima propriamente pelo brilhantismo e pela criatividade disruptiva, e já está infiltrada de artifícios digitais há muitos anos. Um estudo da Deezer/Ipsos revelou que apenas 3% dos inquiridos conseguiram distinguir com segurança entre música gerada por IA e música feita por humanos. Além disso, no final de Janeiro, seis das 50 músicas mais populares do Spotify nos EUA eram totalmente geradas por IA.

Caminhamos a passos largos para um futuro onde a música gerada por agentes de inteligência artificial será a banda sonora das nossas vidas, e a maioria das pessoas nem se apercebe disso. No mínimo, os ouvintes merecem transparência. Tal como o Spotify e outras grandes plataformas musicais rotulam as músicas que consideram “explícitas”, deveriam rotular claramente as músicas e os artistas gerados pela IA para informar os ouvintes que podem não conseguir fazer a distinção. Até porque, como muito bem afirma neste clip Rick Beato, a maior parte das pessoas prefere ouvir música criada por outras pessoas do que aquela que é gerada artificialmente, independentemente da “qualidade” desta ou daquela.

As pessoas ainda não perderam o juízo de todo, apesar dos esforços aturados do transhumanismo.