Lord Peter Mandelson, também conhecido por ‘Príncipe das Trevas’ e antigo embaixador britânico nos EUA, foi escoltado a partir da sua casa em Londres por polícias à paisana na tarde de segunda-feira. A Polícia Metropolitana confirmou posteriormente que “os agentes detiveram um homem de 72 anos por suspeita de má conduta em cargo público”. Mandelson foi entretanto libertado.

 

 

No início deste mês, a polícia realizou buscas em propriedades associadas a Mandelson em Wiltshire e no centro de Londres, depois de a divulgação dos ficheiros de Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ter indicado que este tinha divulgado informações confidenciais a Epstein quando era membro do gabinete do ex-primeiro-ministro Gordon Brown.

O escândalo em torno da decisão do primeiro-ministro Keir Starmer de nomear Mandelson como embaixador tem-se agravado desde que o último lote de ficheiros Epstein caiu no domínio público. Mandelson teve de deixar o cargo apenas alguns meses após a sua nomeação, que já na altura foi contestada por muitas figuras públicas proeminentes, e pelo ContraCultura também.

Starmer nomeou Mandelson para o importante cargo diplomático apesar de este último ter anteriormente classificado o presidente Donald J. Trump como um “perigo para o mundo” e “um nacionalista branco e racista”. E apesar das suas ligações a Epstein serem há muito do conhecimento público.

Vários quadros do Partido Trabalhista de Starmer tornaram públicas as suas queixas sobre o escândalo. A deputada Emily Darlington afirmou a este propósito:

“Estou furiosa e horrorizada só de pensar que ele estava a divulgar informações a Epstein para que pudesse ajudar os americanos ricos a lucrar com as acções do governo britânico.”

As ondas de choque do escândalo Epstein já levaram à demissão do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, que participou na seleção de Mandelson para o cargo de embaixador.

 

A detenção do ‘Príncipe das Trevas’ faz todo o sentido, mas o motivos estão virados ao contrário.

Perseguir judicialmente André Moutbatten-Windsor, por violação de segredos de estado relacionados com acordos comerciais com países como Singapura e o Vietname, e deixar Mandelson em liberdade era uma contradição em termos, já que este último seria a figura que claramente teria que ser sujeita a escrutínio pelas autoridades: enquanto embaixador britânico nos EUA confidenciou segredos de Estado ao seu amante e, anteriormente, como marionetista-em-chefe nos corredores do poder britânico, partilhava informação privilegiada com Epstein, para obtenção mútua de ganhos brutais nos mercados financeiros.

Seja como for, processar Moutbatten-Windsor e Mandelson por partilha de informação confidencial e segredos de Estado é o mesmo que prender Al Capone por fuga ao fisco. Ou melhor, é pior ainda, porque se no caso de Al Capone a procuradoria de Illinois e o Departamento de Justiça federal não tinham de facto como o incriminar de outra forma, e passaram muitos ano a tentar, no caso deste dois crápulas não faltam testemunhas, vítimas, declarações manifestamente falsas dos suspeitos e uma incomensurável quantidade de indícios materiais para construir um processo à volta das suas actividades pedófilas e de tráfico humano.

Mas ninguém, no aparelho judiciário britânico, quer abrir essa caixa de Pandora, claro.