Lord Peter Mandelson, também conhecido por ‘Príncipe das Trevas’ e antigo embaixador britânico nos EUA, foi escoltado a partir da sua casa em Londres por polícias à paisana na tarde de segunda-feira. A Polícia Metropolitana confirmou posteriormente que “os agentes detiveram um homem de 72 anos por suspeita de má conduta em cargo público”. Mandelson foi entretanto libertado.
🚨 BREAKING: Former UK Ambassador to the US Peter Mandelson has been ARRESTED over his leaks to Jeffrey Epstein, per multiple reports
Mandelson, who’s mentioned countless times in the Epstein files, was taken into custody at his London home for suspicion of misconduct in public… pic.twitter.com/q9QAZ21ilB
— Nick Sortor (@nicksortor) February 23, 2026
No início deste mês, a polícia realizou buscas em propriedades associadas a Mandelson em Wiltshire e no centro de Londres, depois de a divulgação dos ficheiros de Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ter indicado que este tinha divulgado informações confidenciais a Epstein quando era membro do gabinete do ex-primeiro-ministro Gordon Brown.
O escândalo em torno da decisão do primeiro-ministro Keir Starmer de nomear Mandelson como embaixador tem-se agravado desde que o último lote de ficheiros Epstein caiu no domínio público. Mandelson teve de deixar o cargo apenas alguns meses após a sua nomeação, que já na altura foi contestada por muitas figuras públicas proeminentes, e pelo ContraCultura também.
Starmer nomeou Mandelson para o importante cargo diplomático apesar de este último ter anteriormente classificado o presidente Donald J. Trump como um “perigo para o mundo” e “um nacionalista branco e racista”. E apesar das suas ligações a Epstein serem há muito do conhecimento público.
Vários quadros do Partido Trabalhista de Starmer tornaram públicas as suas queixas sobre o escândalo. A deputada Emily Darlington afirmou a este propósito:
“Estou furiosa e horrorizada só de pensar que ele estava a divulgar informações a Epstein para que pudesse ajudar os americanos ricos a lucrar com as acções do governo britânico.”
As ondas de choque do escândalo Epstein já levaram à demissão do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, que participou na seleção de Mandelson para o cargo de embaixador.
A detenção do ‘Príncipe das Trevas’ faz todo o sentido, mas o motivos estão virados ao contrário.
Perseguir judicialmente André Moutbatten-Windsor, por violação de segredos de estado relacionados com acordos comerciais com países como Singapura e o Vietname, e deixar Mandelson em liberdade era uma contradição em termos, já que este último seria a figura que claramente teria que ser sujeita a escrutínio pelas autoridades: enquanto embaixador britânico nos EUA confidenciou segredos de Estado ao seu amante e, anteriormente, como marionetista-em-chefe nos corredores do poder britânico, partilhava informação privilegiada com Epstein, para obtenção mútua de ganhos brutais nos mercados financeiros.
Seja como for, processar Moutbatten-Windsor e Mandelson por partilha de informação confidencial e segredos de Estado é o mesmo que prender Al Capone por fuga ao fisco. Ou melhor, é pior ainda, porque se no caso de Al Capone a procuradoria de Illinois e o Departamento de Justiça federal não tinham de facto como o incriminar de outra forma, e passaram muitos ano a tentar, no caso deste dois crápulas não faltam testemunhas, vítimas, declarações manifestamente falsas dos suspeitos e uma incomensurável quantidade de indícios materiais para construir um processo à volta das suas actividades pedófilas e de tráfico humano.
Mas ninguém, no aparelho judiciário britânico, quer abrir essa caixa de Pandora, claro.
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