Na sua antiga função de líder da oposição, o presidente da CDU e actual chanceler federal Friedrich ‘Adolf’ Merz apresentou milhares de queixas-crime por alegados insultos online contra a sua inimputável pessoa — assinando todas à mão, até ao número 4.999, segundo uma reportagem do Nius.

O actual führer alemão e antigo ‘senhor do universo’ da BlackRock recorreu a uma sociedade de advogados especializada neste tipo de acções, que cobra 50% sobre qualquer indemnização recebida, facto que desmente as suas alegações de que doava a totalidade das compensações a instituições de caridade.

Para além da mesquinhez e do nepotismo que esta obsessão revela, para além da óbvia má vontade com que o chanceler encara a liberdade de expressão e do seu entusiasmo em perseguir a dissidência, algumas destas queixas resultaram em draconianas buscas domiciliárias por parte da polícia, sendo uma delas considerada “ilegal” depois de o telefone de um beneficiário de assistência social ter sido apreendido por ter apelidado Merz, muito justamente e apesar do seu desengonçado metro e noventa e oito, de “pequeno nazi”.

 

 

O recurso a empresas especializadas em acções judiciais deste género pidesco, e ao braço opressor do estado para esmagar a liberdade de expressão, enquadra-se numa tendência muito acarinhada pelas elites ocidentais contra o “discurso de ódio”, que explodiu na Alemanha desde 2019, como o ContraCultura tem documentado regularmente.

Em Dezembro do ano passado, uma simples publicação na rede social X, que qualificava políticos e funcionários públicos em geral como “parasitas”, levou a uma medonha operação de repressão policial contra um cidadão alemão, que até aí não tinha qualquer vestígio de ter cometido na vida uma ilegalidade que fosse.

Um proeminente editor de uma publicação online foi condenado a sete meses de prisão por uma montagem satírica sobre uma fotografia da Ministra do Interior, Nancy Faeser, que chegou ao ponto de mandar fechar jornais de que não gostava sem mandato judicial, e de perseguir judicialmente cidadãos por publicarem memes.

Em 2024, um reformado que partilhou um post onde o ministro da economia do país era apelidado de “idiota” foi detido por uma rusga policial e acusado de crimes de ódio.

Nesse mesmo ano, e naquela que será a acção mais repressiva contra a liberdade de imprensa na Alemanha desde a II Guerra Mundial, o governo de Olaf Scholz interditou a revista Compact Magazine e mandou mais de 200 agentes da polícia fazer uma rusga ao escritório e domicílio do seu editor.

Ainda em 2024, uma mulher de 20 anos foi condenada a pena de prisão depois de ter feito comentários “odiosos” dirigidos a um imigrante que esteve envolvido na violação em grupo de uma criança de 14 anos. Dos 9 violadores condenados apenas um teve uma pena mais severa do que ela.

E voltando a Merz: o chanceler afirmou recentemente que queria acabar com o anonimato das redes sociais porque “quer saber” quem são as pessoas que tecem comentários que lhe desagradam nas redes sociais. Para as poder perseguir judicialmente com mais facilidade, pressupõe-se.

 

 

Como se tudo isto não bastasse, os partidos de extrema-esquerda alemães querem tornar muito mais fácil para a polícia fazer rusgas e processar os cidadãos que “insultam” os políticos.

É para ‘salvar a democracia’.