Andrré Mountbatten-Windsor, antigo príncipe Andrew, foi detido pela Polícia na quinta-feira – precisamente no dia do seu 66º aniversário. A detenção está relacionada com os seus laços com Jeffrey Epstein. O ex-príncipe, cujos títulos reais foram retirados pelo rei Carlos III no ano passado, é suspeito de má conduta em cargos públicos e não, como seria de esperar, por violação de menores e cumplicidade no tráfico de carne humana com o intuito de abuso sexual, de que também existem fortes vestígios de estar implicado (já lá vamos).

O caso centra-se nas alegações de que Mountbatten-Windsor passou documentos comerciais confidenciais a Epstein. Um e-mail dos ficheiros Epstein, divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), indica que este reencaminhou relatórios comerciais oficiais sobre Hong Kong, Singapura e Vietname para Epstein.

Para que se perceba a dimensão histórica do que acaba de acontecer no Reino Unido: a última vez que um membro da família real inglesa foi “detido” pelas autoridades corria o ano de 1647, quando o Parlamento prendeu – e depois decapitou – o rei Carlos I. E para que isso acontecesse, foi preciso que o monarca saísse derrotado de uma guerra civil (tendo sido morto não por causa dessa derrota mas porque posteriormente tentou negociar com irlandeses e escoceses uma invasão militar de Inglaterra).

Rompendo com a norma never complain, never explain (“nunca te queixes, nunca te expliques”), seguida pelos Windsor durante décadas, Carlos emitiu, apenas quatro horas depois da detenção do seu irmão, um  incaracterístico e breve comunicado em que tentou ao máximo distanciar-se do escândalo, e em que afirmou secamente:

“Recebi com a mais profunda preocupação as notícias sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público. O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes. Neste âmbito, como já afirmei anteriormente, contam com o nosso total e sincero apoio e cooperação. Permitam-me afirmar claramente: a lei deve seguir o seu curso. À medida que este processo continua, não seria correcto da minha parte comentar mais sobre o assunto. Entretanto, a minha família e eu continuaremos o nosso dever e serviço para convosco.” 

Mas a circunstância, para além das suas implicações directas, sublinha problemas profundos na monarquia britânica. E o Rei Carlos III pode sofrer efeitos secundários devastadores, conducentes até à sua destituição ou abdicação, dada a responsabilidade institucional que detém, a erosão da confiança pública na monarquia britânica e as implicações éticas e financeiras que, com base em evidências disponíveis, o atingem também.

Eis aqueles que, na minha óptica, são os cinco pontos que neste momento fragilizam o monarca.

 

1. Deficit de responsabilidade e liderança como Chefe de Estado e cabeça de família.

Como monarca, Carlos III não é apenas o chefe da família real, mas também o símbolo da integridade e da moralidade do Reino Unido. A detenção de André expõe uma rede de escândalos que o rei não conseguiu mitigar efectivamente. Apesar de Carlos ter declarado que “a lei deve seguir o seu curso” e oferecido apoio total às autoridades, o comunicado pode ser visto como uma resposta passiva e insuficiente, ou como uma tentativa de sacudir responsabilidades que não lhe são alheias, enquanto deixa cair o irmão na desgraça. André enfrenta suspeitas de tráfico de mulheres para abuso sexual, incluindo alegações de que Epstein enviou vítimas para encontros em palácios reais como o Royal Lodge. Se o rei não pode gerir ou distanciar a instituição de tais associações familiares, isso questiona a sua capacidade de liderar a monarquia. A abdicação permitiria a transição para uma figura (o seu filho Guilherme) que não está contaminado pela história, evitando que a coroa seja manchada por laços com personagens sinistros como Epstein.

 

2. Erosão da Confiança Pública e Impacto na Instituição Monárquica

A monarquia britânica depende da confiança pública para sobreviver, e os escândalos de André – incluindo nove investigações em curso por forças policiais do Reino Unido, que avaliam ligações com Epstein, incluindo má conduta em cargo público e possíveis violações da Lei de Segredos Oficiais – minam essa base. Essas investigações nem sequer estão focadas nos mais flagrantes e graves crimes, relacionados com o abuso sexual de menores, incluindo “apenas” a partilha de relatórios comerciais confidenciais com Epstein durante o seu papel como enviado comercial britânico entre 2001 e 2011. Carlos III, ao manter André próximo da coroa (incluindo permitir que ele residisse em propriedades reais até muito recentemente), contribuiu para a percepção de que a família real opera acima da lei. Sondagens recentes indicam um declínio no apoio à monarquia, e a destituição de Carlos poderia ser um passo para reformar ou abolir a instituição.

 

3. Implicações Financeiras e Uso de Recursos Públicos

Um dos aspectos mais controversos em todo o escândalo é o pagamento de cerca de 12 milhões de libras (aproximadamente 16 milhões de euros) a Virginia Giuffre, em 2022, para silenciar as suas acusações de abuso sexual quando ela era menor de idade. Esse acordo foi financiado em parte pela falecida Rainha Isabel II (que contribuiu com 7 milhões), pelo Príncipe Filipe e pelo próprio Carlos III, que emprestou fundos significativos ao irmão (e que André nunca pagou). Esses recursos provêm, indirectamente, de fundos públicos ou patrimoniais reais sustentados pelos contribuintes. Argumenta-se que Carlos, como rei, tem o dever de proteger o erário público, mas ao facilitar ou tolerar tais pagamentos, deu prioridade à protecção da família sobre a transparência e adoptou uma estratégia de encobrimento que agora se mostra em toda a sua aberrante natureza. A abdicação removeria essa carga financeira e ética, permitindo uma auditoria independente e, talvez, a reforma de sistema em que os contribuintes britânicos nem sempre percebem com que fins é usado o dinheiro que lhes custa a monarquia.

 

4. Necessidade de Responsabilização numa Monarquia Constitucional

Num momento em que o escrutínio sobre abusos de poder pelas elites, mesmo que muitas vezes inefectivo judicialmente, é uma tendência em crescendo na esfera ocidental, a monarquia britânica não tem condições para assobiar para o lado. As suspeitas de tráfico de raparigas para palácios reais – incluindo alegações de que Giuffre foi traficada por André para residências como o Royal Lodge – sugerem um ambiente de impunidade facilitado pela estrutura real. Carlos III, ao não destituir André de todos os laços reais mais cedo (ele foi despojado de títulos apenas em 2025), falhou em demonstrar liderança moral. Países como a Austrália e a Jamaica estão já a discutir a pertinência de referendos para remover ou manter o monarca como chefe de Estado. A saída de Carlos poderia funcionar como um travão desses movimentos, mostrando ao mundo que a monarquia britânica não está acima da lei, não é insensível à opinião dos seus súbditos e prima pela responsabilidade.

 

5. O Rei WEF e a politização da coroa.

Não se relacionando directamente com o escândalo Epstein, mas fragilizando deveras o seu reinado, Carlos será o rei mais politicamente activo de todos os Windsor/Saxe-Coburgo/Hanover (salvo Eduardo VIII, talvez, que abdicou, reinando apenas entre Janeiro e Dezembro de 1936). Globalista empedernido, militante da agenda do World Economic Forum, expressando-se, como príncipe primeiro e depois como rei, a favor das desastrosas políticas de imigração que têm destruído o tecido cultural e económico do Reino Unido, profeta do apocalipse climático e politicamente correcto em todas as direcções possíveis e imaginárias, inclusivamente defendendo o pagamento de reparações pelos britânicos às nações que fizeram parte do Império Britânico, Carlos III arrisca quotidianamente a ruptura com um compromisso estabelecido entre a coroa e o parlamento, pela Revolução Gloriosa de 1688, em que ao rei não cabe qualquer protagonismo político ou executivo (“o rei reina, mas o Parlamento governa”), enquanto perde o apoio e o carinho de uma parte substancial do principal sector social de apoio à coroa: os conservadores.

E isto já para não falar de certos sinais de satanismo, que não se coibiu de exibir.

 

 

A coroa britânica atravessa a sua maior crise dos últimos cem anos. A abdicação de Carlos poderia aliviar a pressão. E salvar a monarquia. Mas como globalista que é, o Rei WEF vai agarrar-se ao trono até que a monarquia caia na rua, as forças o abandonem ou Deus o leve.Isso é certo.

 

 

 

Paulo Hasse Paixão
Publisher . ContraCultura