Les Wexner, magnata bilionário do retalho e alegado cúmplice de Jeffrey Epstein, testemunhou perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA na quarta-feira, numa audiência especial à porta fechada realizada no Ohio.

Wexner, astuto como uma raposa e sinistro como uma tarântula, que contratou Epstein para gerir a sua fortuna em meados da década de 1980, afirmou, com desfaçatez recordista:

“Fui ingénuo, tolo e crédulo ao confiar em Jeffrey Epstein. Ele era um vigarista”.

 


Proeminente financiador de lobbys sionistas em Washington, fundador da retalhista de vestuário The Limited e da Bath & Body Works, para além de ter adquirido marcas como a Abercrombie & Fitch, a Victoria’s Secret e a La Senza, wexner alegou desconhecer as actividades criminosas do seu consultor, apesar de ter sido implicado em alegado tráfico sexual por documentos encontrados nos ficheiros Epstein, recentemente divulgados.

O bilionário judeu, de 88 anos, explicou que rompeu relações com Epstein há quase duas décadas, após a detenção deste em 2006, salientando:

“Não fiz nada de errado e não tenho nada a esconder”.

Portanto, vamos ter que acreditar que um dos mais influentes capitalistas judeus da América, figura influente tanto na política do Ohio como na política nacional dos EUA, que esteve envolvido em várias controvérsias e escândalos graves ao longo de décadas, não se preocupou em saber quem era e que actividades desenvolvia um dos seus principais consultores financeiros…

Não admira que o seu advogado estivesse à beira de um ataque de nervos.

 

 

Em Columbus, Ohio, circulam há muito rumores queo bilionário do retalho esteve envolvido no assassinato de Arthur L. Shapiro, advogado do escritório Schwartz Shapiro Kelm & Warren, que representava o conglomerado de retalho The Limited, de Wexner, a 6 de Março de 1985. Embora o assassinato de Shapiro, com características mafiosas, permaneça por resolver, a polícia local descartou Wexner como suspeito, apontando o dedo a Berry Kessler, sócio do advogado.

Entretanto, Wexner tornou-se uma figura central no escândalo de abusos sexuais de atletas da Universidade Estadual de Ohio, no final de 2019. Os atletas que alegaram abusos por parte do médico da equipa, exigiram que a universidade também abordasse os seus laços financeiros com Wexner – um dos maiores doadores da instituição – devido às ligações do bilionário a Epstein.

O depoimento perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes ocorre após a divulgação de mais de três milhões de páginas de documentos ao abrigo da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, com o nome de Wexner a aparecer mais de 4.000 vezes nos ficheiros. Wexner é acusado de ter ignorado as queixas dos executivos da sua empresa, em meados da década de 1990, de que Epstein estava a usar os seus laços com o magnata do retalho para se fazer passar por recrutador da Victoria’s Secret e ter acesso a jovens mulheres que ambicionavam tornar-se modelos.

A actriz Alicia Arden alegou num relatório policial registado em Los Angeles, em 1997, que Epstein a tinha agredido sexualmente enquanto se fazia passar por recrutador da empresa de lingerie propriedade de Wexner. Entretanto, outra acusadora de Epstein, Maria Farmer, apresentou uma queixa em 1996, alegando que Epstein e Ghislaine Maxwell a tinham agredido sexualmente na propriedade de Wexner, no Ohio, onde trabalhava como artista residente.

Wexner rompeu publicamente os seus laços com Epstein mais de um ano depois de as acusações contra o infame e nojento pedófilo terem sido formalizadas em 2006. No entanto, um documento do FBI de 2019 listava-o como um dos “10 co-conspiradores” de Epstein.

Mas de tal forma é “ngénuo, tolo e crédulo” o bom do bilionário, que nem imaginava que foi entretanto roubado em centenas de milhões de dólares em acções, pelo seu consultor financeiro. Não fazia ideia. Não deu pela falta. Ficou realmente espantado por saber disso.

 

 

Ao contrário do que está a acontecer por esse mundo fora, parece evidente que nos Estados Unidos ninguém vai ser acusado e condenado pelos horrores que, sob a égide de Epstein, as elites barbaramente cometeram.

E na perspectiva de Donald Trump, que contra todas as evidências insiste que foi “exonerado” do escândalo, até a detenção de André Mountbatten-Windsor, um dos mais flagrantes criminosos deste espólio satânico, é um facto “muito triste”.

 

 

Triste, triste, muitíssimo triste, é esta era em que vivemos.