Para que a humanidade exista no Planeta Terra, uma quantidade grande de condições extremamente favoráveis à vida tiverem que concorrer num espaço muito curto de tempo, uma quantidade enorme de filtros que desfavorecem a eclosão da biologia (e depois, da inteligência, e a seguir, da consciência) tiveram que ser superados, uma quantidade maluca de anomalias estatísticas tiveram que ocorrer. Ou seja: matematicamente, a vida inteligente no cosmos, apesar da sua imensidão, não é rara. É ultra-rara. Não é impossível, mas é estatisticamente muito, mas mesmo muito improvável.
No vídeo em baixo, Anton Petrov explora o Paradoxo de Fermi através de argumentos matemáticos e científicos recentes que indicam que a vida inteligente poderá ser única, no universo observável.
Anton começa por destacar a escala imensa do cosmos: mais de 2 triliões de galáxias, cada uma com centenas de biliões de estrelas e em cada sistema solar, vários planetas. Os números tornam-se rapidamente inumeráveis. Apesar disso, o “grande silêncio” persiste: não temos, até ver, nenhuma evidência clara e científica de tecnologias ou civilizações extraterrestres. Aa vida parece preenche todos os nichos na Terra, mas não vemos sinais de inteligência em mais lugar nenhum.
O cerne do vídeo gira em torno do conceito de “hard steps” (passos evolutivos extremamente difíceis de ultrapassar) e do princípio antrópico, introduzido por Brandon Carter nos anos 1980. Carter observou que a inteligência humana surgiu após cerca de 4,5 biliões de anos de evolução na Terra, mas o tempo restante de habitabilidade do planeta é inferior a 1 bilião de anos (porque entretanto o sol vai ganhar intensidade de radiação e derreter o nosso planeta). Isto sugere que o surgimento da inteligência num dado planeta é um evento que tipicamente demora mais do que a janela habitável da maioria das estrelas.
Anton detalha vários filtros evolutivos (“great filters”) que contribuem para a raridade da vida biológica e inteligente:
– Abiogénese (origem da vida a partir de química não-viva);
– Surgimento da fotossíntese (há cerca de 2,5 biliões de anos);
– Complexificação celular (eucariotos via endosimbiose);
– Reprodução sexual:
– Evolução multicelular complexa;
– Evolução da vida biológica nos oceanos até à espécie humana (exemplo simplificado: anfíbios, dinossauros, extinção apocalíptica de uma multitude de espécies, sobrevivência de pequenos mamíferos, primatas, espécies hominídeas e, finalmente, inteligência e civilização tecnológica, com o Sapiens.
Mesmo atribuindo a cada passo uma probabilidade de ocorrência muito optimista, de 1%, a chance cumulativa cai para valores astronómicos (1 em 100 triliões ou menos). Um estudo de 2021 analisou os tempos de transição no registo fóssil terrestre e concluiu que, para a maioria dos parâmetros plausíveis, a probabilidade de inteligência surgir dentro da janela habitável de um planeta como a Terra é menor que 1% (muito menor). O modelo rejeita transições rápidas e favorece que esses passos sejam lentos e raros, consistentes com a ideia de que a inteligência é um fenómeno estatístico extremo.
Petrov menciona uma visão alternativa de investigadores da Penn State que argumenta que a evolução depende de condições planetárias mutáveis (por exemplo: níveis de oxigénio presentes num dado sistema), o que poderia aumentar as chances em escalas geológicas. No entanto, o peso da evidência matemática, tanto como o silêncio cósmico que registamos, apesar de termos investido biliões de dólares nas últimas décadas na tentativa de encontrar sinais de civilizações no espaço, aponta para a raridade biológica. Tanto mais que, como o ContraCultura já documentou, a estrutura do nosso Sistema Solar, que não é nada comum quando comparada com a disposição planetária da grande maioria dos outros sistemas solares conhecidos, parece ideal para o surgimento de vida biológica na Terra.
O youtuber sublinha também uma dualidade interessante: se os filtros que tornam improvável a geração de vida estiverem histórica e maioritariamente atrás de nós, então somos provavelmente uma excepção cósmica, mas o nosso futuro pode ser longo e seguro por milhões de anos. Mas se estiverem à frente (autodestruição de civilizações por IA, guerras, colapso ambiental, impactos de corpos celestes e etc.), o silêncio seria explicado por extinções em massa de sociedades avançadas. Detectar civilizações alienígenas, nesta perspectiva, poderia até constituir uma má notícia, já que a descoberta indicaria que as verdadeiras ameaças à espécie humana ainda estariam por vir.
Em conclusão, Petrov reforça que a matemática, combinada com o silêncio observado, sugere fortemente que a humanidade pode ser a única inteligência tecnológica no universo acessível, hipótese que nos dá uma responsabilidade enorme de preservar o nosso planeta e a nossa espécie.
Tudo aponta, assim, para que estejamos sozinhos neste incomensurável universo. E quanto mais cálculos matemáticos são executados a este respeito, mais milagrosa se torna a existência humana. Anton Petrov fala desses cálculos e desses estudos, uns mais recentes do que outros, com o tom meio desiludido de um ateu. Mas para aqueles que são crentes num Criador, a ciência, como tantas vezes acontece, só valida a convicção metafísica.
Este planeta – magnificente na arquitectura e vibrante de vida- e o homem, entidade consciente do prodígio que representa, são produto único e divino, sim: a obra-prima de Deus.
Relacionados
16 Mai 26
A inteligência artificial como máquina de alucinação e motor apocalíptico.
O Contra disseca e sintetiza mais uma das geniais lições do professor Jiang Xueqin, um momento de desmontagem da natureza fraudulenta das indústrias de inteligência artificial e de denuncia do seu potencial apocalíptico.
14 Mai 26
Rei WEF anuncia, com pompa e circunstância: “os meus ministros darão seguimento à implementação da Identidade Digital.”
O Rei que vendeu a alma ao diabo está mesmo empenhado em implementar a distopia WEF. Mas quem é que o elegeu para apoiar políticas de carácter distópico, comportamento que vai contra os ditames da monarquia parlamentar britânica, pelo menos desde 1688?
14 Mai 26
À revelia do regime? Directora de Inteligência do governo federal americano investiga biolaboratórios estrangeiros financiados pelos EUA.
Tulsi Gabbard está a investigar mais de 120 biolaboratórios financiados pelos EUA em todo o mundo, para interromper actividades perigosas de ganho de função, no contexto de crescentes preocupações com a biossegurança.
12 Mai 26
Sondagens que não entrevistam ninguém: Inteligência artificial está a fabricar tendências da opinião pública.
Mais uma manobra transformista sobre a realidade: As empresas de sondagens e a imprensa corporativa estão a recorrer a "sondagens" que não perguntam nada a ninguém, recorrendo a agentes de inteligência artificial que fabricam aquilo que calculam que as pessoas pensam.
8 Mai 26
Hanta-Histeria.
É óbvio que a narrativa do Hantavírus está muito mal contada e só há uma hipótese deste agente patogénico se propagar como uma pandemia e essa hipótese é a de ter sido manipulado geneticamente, em laboratório, pelos suspeitos do costume.
6 Mai 26
Reflexões sobre o manifesto tecno-fascista da Palantir.
A Palantir publicou recentemente no X um manifesto que não esconde a sua ambição totalitária. O ContraCultura disseca e contraria alguns dos mais polémicos e assustadores segmentos desse texto, para esclarecimento da audiência e referência futura.






