O primeiro-ministro eslovaco ameaçou cortar o fornecimento de electricidade de emergência à Ucrânia caso o país vizinho não reabra um oleoduto que transporta petróleo russo para a Eslováquia e a Hungria.

 

Robert Fico, que, tal como Viktor Orbán, procura manter relações normalizadas com a Rússia desde a invasão da Ucrânia em 2022, declarou o estado de emergência devido ao bloqueio do fornecimento de petróleo pela Ucrânia e afirmou em conferência de imprensa que ordenou a libertação de 250 mil toneladas de petróleo das reservas de emergência.

As autoridades ucranianas afirmam que o oleoduto Druzhba, que liga a Rússia à Eslováquia e à Hungria, foi encerrado depois de ter sido danificado durante um ataque russo perto da cidade ucraniana de Brody.

Fico, citando informações dos serviços de informação eslovacos, disse que os reparos foram já concluídos e acusou a Ucrânia de bloquear o fornecimento como forma de “chantagem” contra a Hungria, que se opõe à entrada da Ucrânia na União Europeia.

Fico ameaçou cortar o fornecimento de electricidade à Ucrânia quando o país necessitar de fornecimentos de emergência após os ataques russos às suas centrais eléctricas, afirmando:

“Se o presidente [Volodymyr Zelensky] acredita que estes fornecimentos não são importantes, podemos decidir retirar-nos do acordo de fornecimento de eletricidade.”

O embaixador da Eslováquia na Ucrânia entregou uma nota oficial exigindo explicações sobre o corte no fornecimento de petróleo. O primeiro-ministro eslovaco disse que iria pedir ao braço executivo da União Europeia para investigar o caso.

 

 

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, também acusou a Ucrânia de “chantagem” numa publicação nas redes sociais, na quarta-feira.

 

 

Orbán afirmou nas redes sociais que a Hungria e a Eslováquia solicitaram à Croácia que permitisse o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Adria. Mas Fico considera que essa opção tem “dois problemas”: a capacidade do oleoduto Adria nunca foi testada e o custo poderia ser cinco vezes superior ao do oleoduto Druzhba.

A Comissão Europeia afirmou no dia 17 de Fevereiro que estava em contacto com todas as partes envolvidas no diferendo e pronta para realizar uma reunião do seu grupo de coordenação do fornecimento de emergência de petróleo. Mas acrescentou que não havia risco imediato, uma vez que a Hungria e a Eslováquia têm reservas de emergência suficientes para pelo menos 90 dias.

Escusado será dizer que A Comissão não é um mediador isento nesta questão, já que Robert Fico e Viktor Orbán, apesar de serem líderes políticos de estados membros da União, são hostilizados por Bruxelas como inimigos públicos e o bloqueio ucraniano pode contribuir decisivamente para uma mudança de regime na Hungria, no contexto, difícil para Orbán, das eleições legislativas que se aproximam.