Toda a gente que tem interesse nas corridas virtuais sabe quem é Jimmy Broadbent. Porque é um rapaz simpático. Porque é rápido. E porque há uns bons 10 anos atrás encontrava-se numa muito difícil curva da vida e agora é um milionário do Youtube que cumpre, com vitórias e tudo, uma carreira de piloto profissional.

Jimmy, que sofreu durante boa parte da juventude de depressão crónica, problema que inviabilizou e destitui a sua existência, levando-o à situação constrangedora de viver num anexo exíguo de dois metros por quatro, no jardim de casa dos pais, é hoje uma estrela mundial. Tem um canal no Youtube com mais de 1 milhão de subscritores, uma multidão incondicional de fãs, dinheiro à farta e uma pequena colecção de automóveis que inclui um Nissan GT e um Ferrari 360 Modena.

Ainda assim, e depois de dar inúmeras provas de competitividade nas corridas virtuais, vencendo as 24 Horas de Le Mans e as 500 milhas de Indianapolis e conseguindo subir ao pódio por várias vezes em muitas das mais reputadas e exigentes competições online do calendário da simulação de corridas, a Praga, que é uma marca de protótipos que corre no Britcar Endurance Championship, convidou-o para pilotar um dos seus carros, em 2021. Foi a sua estreia na competição do mundo real. Vemo-lo aqui, em primeiro plano, com alguns dos rookies da sua classe.

 

 

O Praga R1 que Jimmy conduziu é motorizado por um Cosworth Turbo que debita 365 cavalos e está montado num chassis em carbono que pesa apenas 643 quilos, pelo que se trata de uma bomba a sério. Ei-lo em todo o seu esplendor:

 

 

A primeira corrida deste campeonato de resistência teve lugar em Silverstone, na variante “International” do lendário traçado inglês. A variante é bem mais curta que o circuito onde se corre, por exemplo, o grande prémio de Fórmula 1 britânico, mas é bastante desafiante em termos técnicos, com três curvas cegas (Abbey, Chapel e Stowe), muito rápidas, que são difíceis de negociar na perfeição.

 

 

Concretizando o sonho de uma vida, Jimmy Broadbent não se saiu mal de todo, considerando a sua inexperiência e, sobretudo, a inadequação física às exigências de condução de um protótipo com uma relação peso potência incrível e sem direcção assistida. Muito bem acompanhado pela piloto Jem Hepworth com quem faz equipa na Team J2, o célebre sim racer conseguiu fazer quarto na classe e sexto na geral, no computo das duas mangas da prova.

Eis o testemunho vídeo de Jimmy, que, como bom Youtuber, vê na sua carreira como piloto da vida real uma oportunidade imperdível para enriquecer o conteúdo do seu canal.

 

 

Ora, como sigo este bom rapaz já há uns anos largos, e assisti com satisfação aos seus vários sucessos, decidi celebrar a sua primeira corrida como piloto profissional, mimetizando virtualmente, dentro do que é possível, esta aventura.

O Assetto Corsa inclui o Praga de 2016, que é um protótipo parecido com o actual, praticamente com o mesmo chassis e com o mesmo motor Cosworth, embora atmosfericamente aspirado. Este carro tem assim menos 80 cavalos ou coisa que o valha e praticamente o mesmo peso.

Devo dizer que nunca até aqui tinha conduzido o Praga e que a variante “International” de Silvestone também não me é muito familiar, embora conheça bem os dois terços do perímetro que constituem o circuito original. Por isso, e porque no Assetto Corsa corro sempre com a inteligência artificial ligada nos valores máximos, estava um bocado céptico sobre a minha capacidade performativa.

Mas depois das primeiras voltas da sessão de qualificação, fiquei mais tranquilo. E aproveitando uma volta com a pista completamente desimpedida, consegui fazer 1’06”112, o segundo melhor tempo da sessão.

 

 

Antes de passarmos à corrida propriamente dita, uma nota: o Jimmy corre num modelo de competição multi-classe e endurance, tendo que gerir psicologicamente o impacto assustador dos monstros GT que o rodeiam, comparativamente muito maiores e mais altos, manobrar constantemente entre carros mais rápidos e mais lentos e resistir fisicamente a uma prova que parece que nunca mais acaba. A minha corrida, por outro lado, é um sprint de 15 voltas, feito entre 15 carros da mesma classe (o Assetto Corsa na modalidade PS5 não permite mais oponentes em pista e o modo multi-classe colocaria carros em pista que não têm nada a ver com nada).

A corrida acaba por ser um bocado secante, para quem vê, porque é extremamente realista. Partindo de segundo, faço as primeiras voltas com uma pica danada para apanhar o líder, até porque me parecia que estava mais rápido na saída da primeira curva. Mas não é por acaso que o carro da frente tinha feito a pole e acabei apenas por gastar mais borracha do que devia porque não mostrei de facto a perícia necessária para acompanhar o ritmo do sacana. As primeiras sete voltas são assim um bocadinho monótonas.

 

 

A partir da volta 8 ou 9 comecei a perceber que não ia conseguir ganhar a corrida e que os pneus estavam a acusar o desastrado esforço a que os tinha submetido. Com o passar do tempo, a concorrência que vinha atrás começou a ganhar terreno e nos últimos minutos a coisa ficou um pouco mais emocionante, porque tive que me empenhar loucamente para resistir aos ataques do bot que vinha em terceiro. Acabei por conseguir manter o segundo lugar numa corrida que, apesar de ter decorrido sem ultrapassagens, me parece, até por isso, bem fiel à realidade.

 

 

Deixo também as duas últimas voltas, que são as mais emotivas, vistas pelas câmaras exteriores, até para que se tenha uma ideia da estética do Praga e do ambiente de Silverstone no Assetto Corsa.

Boa viagem.