No clip de 15 luminosos minutos que deixamos na conclusão deste texto e, no qual se conectam vários vectores da realidade política, social e tecnológica contemporânea, a jornalista independente Whitney Webb expõe uma continuidade sombria por trás das manchetes, ligando o escândalo Epstein, a impunidade das elites e a aceleração rumo a uma economia totalmente digitalizada e vigiada.

O que começa como uma crítica à resposta desdenhosa de Noam Chomsky relativamente aos seus encontros com Jeffrey Epstein, expande-se para uma denúncia mais ampla de como o poder realmente opera: acordos de delação justificados por “vínculos com a inteligência”, omissões mediáticas que apagam contextos cruciais e uma classe dominante que se fecha em fileiras cerradas enquanto alega ignorância dos factos.

As revelações do Miami Herald, a confissão do ex-procurador e actual apparatchik do regime Trump, Alex Acosta, e o extraordinário acesso de Epstein às elites políticas, académicas e militares apontam para um sistema onde a legalidade se curva aos interesses dos serviços de informação e onde a responsabilização é aplicada selectivamente.

A partir daí, a conversa alarga-se para o momento presente, onde a digitalização financeira, a erosão do dinheiro físico e o fim do anonimato online convergem com a vigilância impulsionada pela inteligência artificial. O argumento é contundente: à medida que os governos empurram os cidadãos para uma economia totalmente digital, estão simultaneamente a construir as ferramentas para monitorizar, prever e antecipar o seu comportamento. As transaçcões financeiras, os discursos online e os dados pessoais tornam-se matéria-prima para a governação algorítmica, conduzindo a sociedade para um paradigma de “pré-crime” que já não exige actos ilícitos, apenas suspeita estatística.

Num contexto de dívida crescente, insolvência sistémica e a iminência das CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central), este novo sistema parece menos uma reforma e mais uma transição controlada, concebida para preservar o poder das elites enquanto as pessoas comuns suportam os custos materiais e espirituais deste trânsito rumo ao inferno distópico.

O raciocíno de Webb conduz estas forças estruturais à cultura e à tecnologia, particularmente o seu impacto nas crianças e nos jovens. Desde os abusos e as abominações em Hollywood até à exposição irrestrita através de smartphones, plataformas de jogos e meios algorítmicos, o resultado é uma geração moldada por forças que os seus pais mal compreendem. Em conjunto, estes elementos sugerem não escândalos isolados, mas um padrão coerente: poder concentrado, protegido do escrutínio, perversamente orientado, manipulando tanto os sistemas económicos como os ambientes culturais para manter o controlo num período de crise.

É o great reset da era Trump, em todo o seu esplendor.