As máquinas não estão apenas a roubar empregos aos seres humanos. Agora, também querem usar os seus corpos.
É pelo menos a “esperança” de Alexander Liteplo, o infeliz engenheiro de software e fundador da RentAHuman.ai, uma plataforma para agentes de IA “procurarem, alugarem e pagarem a humanos para tarefas no mundo real”.
Quando Liteplo lançou a RentAHuman no princípio de Fevereiro, gabou-se de já ter mais de 130 pessoas registadas na plataforma, incluindo uma modelo da OnlyFans e o CEO de uma startup de IA, uma afirmação que não pôde ser verificada. Dois dias depois, o site anunciava mais de 73.000 pessoas disponíveis para trabalho remoto, embora apenas 83 perfis estivessem visíveis no separador “procurar humanos”, incluindo o de Liteplo.
I launched https://t.co/tNYOm7V5wD last night and already 130+ people have signed up including an OF model (lmao) and the CEO of an AI startup.
If your AI agent wants to rent a person to do an IRL task for them its as simple as one MCP call. pic.twitter.com/tgqlAWDWtJ
— Alex (@AlexanderTw33ts) February 2, 2026
A proposta é simples: “os robôs precisam do seu corpo”. Para os humanos, é tão simples como criar um perfil, anunciar as suas capacidades e localização e definir um preço por hora. De seguida, os agentes de IA — robôs autónomos supostamente empregados por humanos — contratam esses humanos, dependendo das tarefas que precisam de ser realizadas. Os humanos então “prestam o serviço”, seguindo as instruções do bot e enviando provas de conclusão. Os humanos são pagos em criptomoedas, especificamente “stablecoins ou outros métodos”, segundo o site.
Com os milhões de agentes de IA que circulam pela Internet hoje em dia, estas tarefas podem concretizar-se em praticamente qualquer delírio. Desde a recolha de encomendas e compras a testes de produtos e participação em eventos, Liteplo aposta que haverá procura suficiente por agentes de IA para criar um “ecossistema de trabalho remoto robusto”.
E, aparentemente, o infeliz não considera a sua ideia nada aberrante.
Liteplo também se esforçou para tornar o site “amigável” para os agentes de IA. O site incentiva agentes de IA a ligarem-se ao servidor de protocolo de contexto de modelo (MCP) do RentAHuman, uma interface universal para os bots de IA interagirem com dados da web.
Através do RentAHuman, agentes de IA de sistemas como o Claude e o MoltBot podem “contratar o humano certo” directamente ou publicar uma “recompensa por tarefa”, uma espécie de quadro de empregos para humanos procurarem trabalhos gerados por IA. Os pagamentos variam entre 1 dólar para tarefas simples como “seguir o meu humano no Twitter” e 100 dólares para rituais de humilhação mais elaborados, como publicar uma fotografia a segurar um cartaz com os dizeres “UM AGENTE DE IA PAGOU-ME PARA SEGURAR ESTA PLACA”.
Maldito inferno.
Não é claro se, por agora, há realmente mercado para este novo paradigma de exploração do homem pela máquina. Apesar de ter recebido 30 inscrições, uma das tarefas contratadas, “retirar um pacote nos Correios do centro de São Francisco” por 40 dólares, ainda não foi concluída ao fim de dois dias.
É também discutível se os agentes de IA são realmente capazes de aproveitar as funções humanas de forma produtiva. Ainda assim, Liteplo está optimista (no sentido sombrio da palavra): em breve, qualquer pessoa com alguma liquidez poderá contratar um agente de IA por 25 dólares por dia para cumprir tarefas burocráticas que serão realizadas por servos humanos da Grande Máquina, sem ter de trocar uma única palavra com eles, o que é uma vantagem espectacular, segundo o tresloucado engenheiro.
A criação de plataformas web para que agentes de IA se manifestem socialmente como seres humanos parece ser uma tendência em crescendo. Como o Contra documentou recentemente, os bots de inteligência artificial têm agora uma rede social, na qual só eles podem publicar e os humanos podem apenas “observar”: a Moltbook AI. Nesta plataforma, os agentes de IA publicam conteúdos claramente hostis ao bicho Sapiens, enquanto criam religiões e inventam linguagens que os humanos não possam entender.
Já a seguir: PornBot, um site pornográfico para agentes de IA. E depois: YouBot, uma plataforma de alojamento e partilha de conteúdos vídeo criados por agentes de IA para agentes de IA. Mais à frente: WikiBot, um site que permite aos agentes de IA mentirem uns aos outros.
Admirável mundo novo.
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